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Não vacinar crianças. “Memória demasiado curta e arrogância demasiado grande"

17 abr, 2017 - 12:29

É “altura de a sociedade não ter medo de denunciar esta 'ciência do Facebook’”, defende o pediatra Mário Cordeiro, para quem os pais que não vacinam os filhos são negligentes e deveriam ser responsabilizados.

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Mário Cordeiro lamenta a negligência dos pais que não vacinam os seus filhos e lembra que, até há pouco tempo, se morria de sarampo.

"Dizer mal das vacinas é um luxo de um país que já não tem, como há bem pouco tempo tinha, casos diários de meningite ou mortes por sarampo, como [aconteceu] em 1994. A memória é demasiado curta e a arrogância demasiado grande", diz à agência Lusa.

Segundo o pediatra, o fenómeno de pais que não querem vacinar os seus filhos deve-se a uma mistura de mal-entendidos e teorias da conspiração, associados a uma ignorância história e fraca memória.

O surto de sarampo que atinge neste momento a Europa tem sido relacionado com casos de pessoas que não querem vacinar os filhos. Em Portugal, foram notificados 23 casos desde Janeiro. Onze foram confirmados pelo Instituto Ricardo Jorge e os restantes estão em fase de investigação.

Actualmente, o Programa Nacional de Vacinação constitui uma recomendação das autoridades de saúde, mas as vacinas não são obrigatórias.

"Não é possível, porque qualquer obrigatoriedade exige apuramento de responsabilidades, o que é muito complexo numa situação destas, e também coimas ou equivalentes, que iriam penalizar os mais desfavorecidos ou menos abrangidos pela informação", explica o médico, que chegou a fazer parte de um grupo de trabalho na Direcção-Geral da Saúde para estudar a possibilidade de tornar obrigatórias as vacinas.

A solução passa, por isso, por ser mais incisivo em "desmontar as enormidades e falsidade que se dizem e propagam pelas redes sociais contra as vacinas".

"Acho que é altura de se mostrar que estas teorias e estas pessoas são, também, responsáveis por estes surtos [como o do sarampo]. Chegou a altura de a sociedade não ter medo de denunciar esta 'ciência do Facebook'", sugere Mário Cordeiro, para quem a Direcção-Geral da Saúde (DGS) tem feito um bom trabalho nesta área da vacinação e dos alertas à população.

Alguns pais usam o argumento de que as vacinas “mexem” com a imunidade das crianças, usando-o como justificação para não as vacinarem. Mário Cordeiro explica que é isso mesmo que se pretende, sublinhando que se trata de algo positivo, porque a criança fica com a imunidade para a doença sem sofrer os malefícios dela.

"Aliás, todos os dias, a criança contacta com 'N' agentes microbianos na escola, em casa, na sociedade, que 'mexem' com a sua imunidade e a fortalecem", exemplifica.

Morte por negligência?

O pediatra questiona: "Se morrer alguma criança não vacinada porque os pais não quiseram, não será isso passível de acusação de 'morte por negligência, como seria se morresse por andar de carro sem cadeirinha ou cinto de segurança?"

Mário Cordeiro lamenta que Portugal, que sempre teve elevadas taxas de vacinação, volte a ter casos de sarampo.

"É pena que um país que foi declarado 'livre de sarampo' há cerca de seis meses e que foi apontado como um exemplo na Europa e no mundo, volte a ter um surto de sarampo autóctone. Mais cedo ou mais tarde ter-se-ia de pagar o preço da ignorância e do 'não-te-rales'".

Este ano, já foram reportados mais de 500 casos de sarampo na Europa, que afectam pelo menos sete países, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

A Direcção-Geral de Saúde (DGS) faz esta segunda-feira, pelas 18h30, um comunicado pormenorizado sobre o surto em Portugal. O director-geral da Saúde, Francisco George já veio sublinhar a importância da vacinação.

“Não há liberdade individual que possa justificar a ausência de vacinação das crianças”, frisa.

Apesar de não ser obrigatória, a maior parte dos pais vacina os seus filhos (95%, segundo o “Diário de Notícias, com base nas estimativas da DGS). Por vacinar ficam, por ano, cerca de 4000 crianças.

A ideia lançada pelo estudo norte-americano, apesar de falsa, instalou-se na Europa e o movimento antivacinação virou moda em várias parte do mundo, tendo já provocado várias vítimas mortais na Europa, nomeadamente na Alemanha.

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  • Elior
    22 jul, 2017 London 01:30
    Dr.Ted Broer entre outros cientistas conceituados tambem tem estudos que confirmam o contrario.. comecamos analisar quantas vezes encontramos na sala de espera dos consultorios medicos pessoas que representam as industrias farmaceuticas para apresentar novas drogas aos especialista pois sabemos que o medico estuda o corpo humano , suas funcoes e logo tem a capacidade de identifica as infermidades mas quem oferece a "cura" sao os farmaceuticos .. alguem ja teve a minima curiosidade de ler a prescricao das vacinas..se as pessoas fossem mais questionaveis e nao aceitassem apenas o mundo seria bem mais produtivo para todos nao so para a minoria como e o que vemos hoje..
  • Laurinda Canedo
    19 abr, 2017 V. N. Gaia 21:21
    Nesta decisão tomada por um número crescente de pais que decidem não vacinar os filhos incomoda-me profundamente o facto de não pensarem que, com a sua atitude, estão a colocar em risco a vida a vida dos outros.
  • Rui
    18 abr, 2017 Pedras Salgadas 23:18
    40 anos, zero vacinas, zero internamentos. Cada um que decida o melhor para os seus filhos. Essa chantagem emocional de se querer responsabilizar os pais caso um filho morra por não ter sido vacinado chega a ser ofensivo. Agradeço aos meus pais pelas suas decisões, e ao mundo por ser, à 40 anos atrás, bem mais simples de viver e deixar viver.
  • Telmo
    18 abr, 2017 Cascais 10:32
    Falta esclarecimento, e que tal começar por aqui? E os estudo científicos e experiências reais em como algumas vacinas provocam em alguns casos alergias, doenças, danos cerebrais, morte ? Neste caso responsabiliza-se quem ? e o que interessa a responsabilização se os nossos filhos ficarem com danos cerebrais e ou mortos? É um tema complexo, os argumentos utilizados "defende o pediatra Mário Cordeiro, para quem os pais que não vacinam os filhos são negligentes e deveriam ser responsabilizados" a minha questão é quem responsabilizamos caso a criança fique com alguma mazela devido à toma da vacina? Não estou a dizer que sou contra ou a favor mas é um assunto que mesmo dentro da comunidade médica existe com algumas vacinas um grande disparidade de consenso se é efectivamente benéfico ou não!
  • Rita Alexandre
    17 abr, 2017 Odemira 18:47
    O estado não deveria comparticipar a prestação de cuidados nestes casos de incidência de uma doença que poderia ter sido evitada de forma gratuita, através da vacinação. Os pais, já que tomaram a decisão da não vacinação teriam de suportar os custos ou não terem acesso a seguros, por exemplo.
  • manel
    17 abr, 2017 Porto 13:58
    Que sejam aplicadas todas as taxas e despesas, aos pais ou responsáveis das crianças não vacinadas. Depois que se apurem as responsabilidades. Tudo é muito "zen" quando as doenças não aparecem, depois ai jesus, tratem do meu filho...