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Vera Jardim. “Parece que andam à procura de novas linhas para sustentar uma acusação”

15 mar, 2017 - 11:11 • José Pedro Frazão

Ex-ministro da Justiça não acredita que a acusação da "Operação Marquês" seja formulada no prazo previsto pela Procuradora-Geral da República e diz não ter indícios de uma perseguição política a partir da investigação.
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Vera Jardim. “Parece que andam à procura de novas linhas para sustentar uma acusação"

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O antigo ministro da Justiça José Vera Jardim considera que as informações veiculadas sobre a “Operação Marquês” transmitem a sensação de que os elementos recolhidos na investigação são frágeis.

“Temos a sensação - dada a quem não tem conhecimento do processo senão pelo que vai saindo nos media - que se anda à procura de novas linhas que levem a sustentar uma acusação. Isso tem jogado a favor da defesa que usa isso. Desorientação na acusação? É verdade que pode dar ao público em geral uma nota de fragilidade dos elementos que foram sendo colhidos até agora”, afirma o histórico militante socialista no programa “Falar Claro” da Renascença.

Vera Jardim diz não acreditar na formulação de uma acusação no processo até sexta-feira. “Tudo leva a crer que haverá uma nova prorrogação do prazo. É a minha inclinação face ao que vou lendo. O que é estranho neste caso é que vai havendo novas linhas de investigação”, complementa o antigo governante.

Sem elementos de perseguição política

O advogado e antigo ministro do PS considera que este processo possa contribuir para pôr em causa o próprio modelo de Justiça, com autonomia do Ministério Público “que tem dado provas efectivas de grandes fragilidades”.

Questionado sobre os efeitos do processo nas opções políticas tomadas pelos principais partidos, Vera Jardim considera que “não terão sido tão grandes que mereçam uma reflexão aprofundada”.

Para o antigo colega de Sócrates nos governos de António Guterres, o ex-chefe de Governo “está no seu direito” de defender a tese de perseguição política.

“Eu não tenho elementos que me levem a pensar isso. Ao longo deste processo, o Partido Socialista tomou uma atitude difícil para muita gente, pelos laços de amizade com José Sócrates e outras pessoas envolvidas neste processo”, acrescenta o comentador da Renascença.

Já Nuno Morais Sarmento diz ser evidente que o processo condicionou opções políticas individuais, desde logo do próprio José Sócrates.

“Se já condicionou as opções estratégicas de partidos e em particular do PS, não lhe sei responder. Pelos outros partidos, digo-lhe que este processo, como outros, provocou reflexão sobre o modelo de funcionamento da Justiça em matéria de direito penal e processual penal”, sustenta o antigo ministro do PSD.

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  • André Souza
    15 mar, 2017 Alverca 17:27
    A teia é tão confusa que é difícil. Os pulhas sabem fazê-las. Basta juntar-mos as pontas, desde que assinava projetos no concelho da Guarda até às PPP`s, e tudo e tudo, para não termos muitas dúvidas do enriquecimento ilícito.
  • Jose Mendes
    15 mar, 2017 Lisboa 16:24
    Se isto está a acontecer só agora foi porque alguém fez uma Lei (inconstitucional) para o PR, PM e PAR ser diferentes dos outros cidadãos e não puderem ser escutados, investigados etc. E também quem a personagem "colocou" nos lugares mais importantes da Justiça, não esquecer que no departamento que agora investiga estava alguém conhecido como "Não corrupção em Portugal" (sic) e outras pessoas sinistras que num país de Estado de Direito estavam também a ser julgados e serviram para encobrir todos os desmandos do(s) senhor(es). Fosse nos Estados Unidos ou em Israel e só aquela escuta das obras na casa de Paris e as respostas no interrogatório bastavam para um júri popular, pois é assim que se faz justiça (do povo e para o povo), condenar.