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Trump, os hindus e terroristas com sabres de luz

18 out, 2016 - 19:31 • Filipe d'Avillez

Num evento promovido pela “Coligação Republicana Hindu”, Donald Trump enganou-se no nome da religião dos seus anfitriões e confundiu dois dos piores ataques terroristas do passado recente na Índia. Mas o melhor terão sido os Navy Seals bailarinos.
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Um dos momentos mais bizarros da campanha eleitoral americana aconteceu na noite de sábado passado, quando Donald Trump compareceu num comício organizado pela Coligação Republicana Hindu.

Os jornalistas presentes receberam panfletos que mostram Hillary Clinton e a ex-primeira-ministra da india Sonia Gandhi com cornos de bode, perseguindo o actual primeiro-ministro, o nacionalista hindu Narendra Modi por causa do seu alegado envolvimento nos motins de Gujarat, em 2002, que resultaram na morte de pelo menos 790 muçulmanos, segundo dados oficiais.

O local do evento, que teve lugar no Estado de Nova Jérsia, estava adornado com imagens do candidato em sentado em pose de flor de lótus, uma postura tradicional no Hinduísmo e alguns dos presentes ostentavam cartazes a apelar ao voto em Trump para facilitar os processos de imigração, o que parece chocar com algumas da suas posições públicas.

Mas o momento mais estranho da noite foi um espectáculo de “Bollywood” em que dois casais que fazem danças de salão são atacados por terroristas munidos de sabres de luz, acabando por ser salvos por bailarinos com fardas das forças especiais americanas. O espectáculo termina com os Navy Seals e os dois casais a recitar o Juramento de Fidelidade à bandeira americana, ao som de “Born in the USA”, de Bruce Springsteen.

Para os presentes, o ponto alto foi o discurso de Trump, que subiu ao palco para dizer que caso seja eleito a Índia e os Estados Unidos serão “melhores amigos”. O candidato afirmou: “Sempre fui um fã de Hindu e sempre fui um fã da Índia”, transformando hindu num nome em vez de um adjectivo. O termo correcto seria hinduísmo, o que não passou despercebido a alguns dos hindus presentes.

Trump criticou ainda o terrorismo islâmico, um tema caro à audiência, uma vez que existe uma grande tensão entre a maioria hindu e a minoria muçulmana na Índia, mas confundiu dois dos atentados dos últimos anos, lamentando que para “os habitantes de Bombaim, o ataque ao Parlamento foi chocante e terrível. Derrotaremos o terrorismo islâmico”. Na verdade os ataques terroristas de Bombaim em 2008, nada tiveram a ver com o ataque ao Parlamento, que se situa em Nova Deli, em 2001.

Comentários
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  • luis
    19 out, 2016 lisboa 09:20
    Quando penso no Trump vem me à cabeça a musica dos Rolling Stones "Simpaty For The Devil"".
  • António Costa
    19 out, 2016 Cacém 07:05
    A India e o Paquistão são dois países inimigos do sul da Ásia. Ambos possuem armas nucleares. O Paquistão tem sido um "aliado" dos EUA.....uma mudança de aliados na zona, por parte dos EUA ia ter consequências imprevisíveis. Esta região não é um "barril de pólvora", é pior, é mais uma "caixa de Pandora" de armas nucleares.
  • Manuel Arrobas
    18 out, 2016 Cascais 22:25
    Interessante também a escolha da valsa que os inocentes dançam antes de serem atacados pelos "islamojedis"... 2ª valsa de Shostakovich (Russo)....
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