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“As pessoas em Bruxelas têm coragem e capacidade de reacção”

22 mar, 2016 - 17:51 • Filipe d'Avillez

A irmã Isabel Rodrigues está ao serviço da comunidade portuguesa em Bruxelas e descreve uma cidade que não se ajoelha perante os ataques a que tem sido sujeita.
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Isabel Rodrigues pertence às Servas de Nossa Senhora de Fátima e está em Bruxelas ao serviço da comunidade católica portuguesa. Nesta entrevista à Renascença explica como a vida na cidade decorre de forma quase normal, não obstante algum medo e ansiedade.

Os portugueses, sobretudo os jovens, diz, têm boas relações com as comunidades muçulmanas e sabem que estas não se revêem nestes actos de terrorismo.

Como está o ambiente aí em Bruxelas hoje?

À medida que o dia foi avançando, fomo-nos dando conta do que estava a acontecer e recebemos várias chamadas de pessoas a perguntar se estávamos bem, portanto nota-se a preocupação, mas o dia para muitos decorreu normalmente em trabalho. Sobretudo os que têm filhos nas escolas viveram com maior apreensão, mas para a maioria o dia não teve aquilo que vemos nas notícias, as imagens de horror. As pessoas circulam à vontade, vemos mais polícias, o comércio está aberto, embora algumas superfícies tenham fechado ao longo da tarde, mas houve comércio, as igrejas estão abertas, as lojas estão abertas, as escolas estiveram abertas e vão continuar abertas, segundo avisaram as autoridades.

Vive-se com apreensão, com medo, como é natural, mas vive-se.

O facto de a vida continuar essencialmente na mesma é também uma vitória contra os terroristas, não?

As pessoas têm muita capacidade de reacção. Vimos isso até pelo que vivemos em Novembro. Estamos a viver agora o que tememos em Novembro. Não foi maior o susto dessa vez, a cidade ficou parada. Vivemos assim esse clima pesado, mas as pessoas reagiram, as crianças vieram à catequese, nenhum catequista faltou, a missa aconteceu, houve celebrações por toda a cidade. As pessoas reagem com grande coragem.

Muitos dos portugueses terão vizinhos, pessoas próximas, da comunidade islâmica. Existe o medo de que as pessoas se voltem contra a comunidade muçulmana como um todo?

Há alguns preconceitos, mas no contacto acabam por cair.

Posso testemunhar que junto dos jovens, porque são eles que mais contactam com pessoas provenientes de outras comunidades, nomeadamente das comunidades muçulmanas, que há uma grande abertura e respeito mútuo. Sabemos que quem tem um bocadinho mais de conhecimento concreto, das pessoas concretas, sabe que a comunidade muçulmana não se revê como um todo nestes atentados. Também sofre, e sofre duplamente.

Sabemos que houve uma portuguesa que ficou ferida. Há indicação de pessoas próximas dos portugueses que tenham sido vítimas?

Até este momento não tenho conhecimento de ninguém directamente implicado. Poderei vir a ter, mas neste momento não.

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