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Fogo de Pedrógão Grande é o 11.º mais mortal do mundo desde 1900

19 jun, 2017 - 20:29 • Rui Barros (texto e gráfico)

Somando o balanço provisório de Pedrógão aos registos até 2016, Portugal torna-se o 6.º país onde mais se morre em grandes fogos florestais.
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O incêndio de Pedrógão Grande deste fim-de-semana, que matou 64 pessoas, é já o 11.º fogo florestal a provocar mais mortos desde 1900, em todo o mundo. Se aos dados de 2016 juntarmos as vítimas deste fogo no distrito de Leiria, Portugal será o sexto país onde mais se morre em grandes incêndios florestais.

São conclusões que se retiram da leitura dos dados da Emergency Events Database, que compila mais de 22 mil desastres naturais desde 1900. O último ano da tabela, elaborada pela Universidade Católica de Louvain, na Bélgica, é 2016.

Os 64 mortos provocados pelo incêndio em Pedrógão Grande (segundo o balanço disponível às 20h14 de segunda-feira, dia 19) colocam o fogo florestal que mais pessoas matou em Portugal à frente da “Terça-feira Negra”, na Austrália, em 1967. Nesse ano, 110 focos de incêndio mataram 62 pessoas e feriram outras cem, na ilha da Tasmânia.

No topo da tabela está um incêndio de 1918, nos Estados Unidos, estado do Minnesota. Ainda que o número de mortos se baseie numa estimativa com base em registos da época, o incêndio mais mortífero de sempre terá feito cerca de mil vítimas. Cloquet foi completamente tomada pelas chamas, que mataram 400 pessoas só naquela cidade. Os prejuízos foram então avaliados em cerca de 1 milhão de dólares.

Cloquet, 1918. Nunca, desde que há registos, morreu tanta gente devido a um incêndio. Fotos: mnopedia.org

A segunda ocorrência com maior número de mortos aconteceu na Indonésia, em 1997: 240 pessoas morreram com o avanço das chamas, que terão tido origem nas queimadas feitas pelos agricultores para roubar terreno à floresta.

Cerca de 32 mil pessoas foram afectadas por esta série de incêndios na Indonésia. Estima-se que tenham sido libertados para a atmosfera o equivalente a quase 40% da taxa anual de emissão de dióxido de carbono resultante da combustão de combustíveis fósseis.

Na fronteira entre a China e a União Soviética, o incêndio que ficou conhecido como “O Dragão Negro” matou 191 pessoas. É tido como o terceiro incêndio que mais pessoas matou, seguido pelos incêndios de 2009 na Austrália, onde morreram 190 pessoas.

A Austrália é, aliás, o segundo país onde morreram mais pessoas em incêndios florestais. Mais de 500 pessoas foram vítimas dos 26 incêndios registados naquele país. O país figura quatro vezes no “top” 15 dos incêndios florestais que mais mortos causaram desde o início do século XX.

A nível europeu, o fogo de Pedrógão Grande é já o terceiro com maior número de vítimas, sendo apenas ultrapassado, pelos incêndios na Grécia, no Verão de 2007, quando morreram 68 pessoas, e pelos fogos na região de Aquitânia, em França, em 1949. Morreram então 80 pessoas.

Mais de 150 mortos em meio século

Ainda que os dados da Emergency Events Database não contemplem o ano de 2017, excluindo assim a tragédia de Pedrógão Grande, terão morrido, em cerca de 50 anos, mais de 150 pessoas em Portugal vítimas de incêndios florestais que cumpriram um de quatro critérios: mataram 10 ou mais pessoas; feriram ou desalojaram mais de 100 pessoas; é declarado estado de emergência; ou é pedida ajuda internacional no combate às chamas.

Em Setembro de 1966, um incêndio na serra de Sintra matou 25 militares do Regimento de Artilharia Antiaérea Fixa de Queluz que combatiam as chamas. Era, até este fim-de-semana, o mais trágico incêndio registado em Portugal.

Na lista figuram ainda os casos de 1985, quando, em Armamar, morrem 14 bombeiros e, de 1986, em Águeda, onde o fogo provoca 16 mortos.

2003 fica também na memória dos portugueses como o ano em que mais área ardeu em Portugal - foram cerca de 120 mil hectares de floresta consumidos pelo fogo. Morreram, nesse ano, 14 pessoas.

Em Junho de 2006, no distrito da Guarda, cinco bombeiros chilenos morreram ao combaterem o fogo.

E no ano de 2012, centenas de incêndios registados em Portugal provocaram seis mortos, quatro deles bombeiros.

A série de registos nacionais, antes de Pedrógão, termina com os incêndios na Madeira, em 2016. Morreram três pessoas e o Estado português pediu ajuda à União Europeia.


Comentários
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  • Pedro de Almeida
    21 jun, 2017 Lisboa 22:19
    Não tenho veleidades de perceber de gestão florestal, longe disso. Pergunto, porém: se a floresta mais rentável é - por razões industrias - o eucaliptal, qual a razão por não se entregar a gestão florestal às empresas de papel? Protegeriam o seu património e, por arrasto, o que confinasse com o deles...
  • Vasco
    20 jun, 2017 Santarém 22:21
    A continuar assim não tardará que batamos o record e passado este infernal acontecimento tudo irá uma vez mais cair no esquecimento ou então passar para luta politica onde ninguém tem razão ou discutido por doutores e engenheiros que do assunto e da realidade nada percebem, tem sido assim ao longo dos anos e as verdadeiras reformas de fundo como reordenamento das propriedades divididas em pequeninas parcelas e abandonadas, limpeza dos terrenos e à volta das aldeias, construção de locais de protecção nas mesmas em caso de catástrofe como esta, proibição de construir fora das aldeias, «são milhares de casas dispersas por este país a fora», criar zonas de quebra fogos entre as várias zonas de floresta, tudo isto está por fazer e muito mais e perdem-se milhões de euros em prejuízos e ataque ao fogo quando deveriam ter sido gastos na protecção.
  • rosinda
    20 jun, 2017 palmela 01:02
    os portugueses gostam sempre de andar na linha da frente!