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Cientistas portugueses ajudam na descrição de nova espécie de dinossauro

10 fev, 2022 - 08:39 • Olímpia Mairos

O herbívoro titanossauro Abditosaurus kuehnei mede quase 18 metros e pesa 14 toneladas.

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Um grupo de investigadores da NOVA School of Science and Technology | FTA NOVA contribuiu para a descrição de uma nova espécie de dinossauro titanossauro Abditosaurus kuehnei.

O estudo analisou os restos escavados na yazida Orcau-1, no sul dos Pirenéus. O trabalho foi realizado ao longo de várias décadas e desenterrou 53 elementos esqueléticos do espécime onde se incluem vários dentes, vértebras, costelas e ossos dos membros, escapular e pélvico, bem como um fragmento semi articulado do pescoço formado por 12 vértebras cervicais.

Em comunicado enviado à Renascença, a NOVA School of Science and Technology dá conta que “o esqueleto semiarticulado de 70,5 milhões de anos é o espécime mais completo desse grupo herbívoro de dinossauros descoberto até agora na Europa”.

Além disso, Abditosaurus é a maior espécie de titanossauro encontrada na ilha Ibero-Armorica —uma região antiga que hoje compreende a Península Ibérica e o sul da França— representando um indivíduo estimado em 17,5 metros de comprimento com massa corporal de 14 toneladas”, lê-se no documento.

Segundo os investigadores, o tamanho do dinossauro é um dos factos mais surpreendentes a apontar.

“Os titanossauros do Cretáceo Superior da Europa tendem a ser pequenos ou médios devido à sua evolução em condições insulares", explicou Bernat Vila, paleontólogo do Institut Català de Paleontologia (ICP) que lidera a pesquisa, citado no comunicado.

No artigo publicado na Nature Ecology & Evolution, os investigadores concluem que o Abditossauro pertence a um grupo de titanossauros saltassauros da América do Sul e África, diferente do resto dos titanossauros europeus que se caracterizam por um tamanho menor. Os autores levantam a hipótese de que a linhagem Abditossauro chegou à ilha ibero-armórica aproveitando uma queda global do nível do mar que reativou antigas rotas de migração entre a África e a Europa.

A nova descoberta reflete assim um grande avanço na compreensão da evolução dos dinossauros saurópodes no final do Cretáceo e traz uma nova perspetiva para o quebra-cabeça filogenético e paleobiogeográfico dos saurópodes nos últimos 15 milhões de anos antes da sua extinção.


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