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Aristides de Sousa Mendes. Antigo cônsul português recebe honras de Panteão Nacional

19 out, 2021 - 07:47 • Carla Fino

O diplomata português em Bordéus, França, emitiu vistos à revelia das ordens do Governo de Salazar, o que lhe valeu a expulsão da carreira e uma vida com grandes dificuldades. A homenagem surge 80 anos depois.

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Salvou milhares de judeus e outros refugiados do regime nazi durante a Segunda Guerra Mundial. Esta terça-feira, o antigo cônsul Aristides de Sousa Mendes recebe honras de Panteão Nacional em Lisboa, através de uma placa simbólica que assinala um túmulo vazio.

O diplomata português em Bordéus, França, emitiu vistos à revelia das ordens do Governo de Salazar, o que lhe valeu a expulsão da carreira, acabando por morrer numa situação de pobreza extrema. A homenagem a Aristides de Sousa Mendes surge 80 anos mais tarde.

Um reconhecimento que na opinião da investigadora Margarida de Magalhães Ramalho vem finalmente valorizar o lado humano das suas ações. “Ele é exatamente reconhecido pelo que fez de diferente, que na altura foi extremamente condenado, e tanto é que acabou por ser afastado da carreira de diplomática. Mas hoje, 80 anos depois, temos a capacidade de perceber a importância que isto teve do ponto de vista da Humanidade. Acho que essa é a grande homenagem. Ele foi capaz de se pôr na pele dos outros”, justifica.

A homenagem tem início previsto para as 11h00, altura em que o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, e o primeiro-ministro, António Costa, já estarão no local.

Segundo a investigadora, durante muito tempo houve uma incapacidade de reconhecer os seus feitos. “É uma característica muito portuguesa, de nós não termos um olhar importante sobre as pessoas que de facto fazem coisas diferentes para o bem dos outros. Isso entristece-me. Por isso, fico muito contente que agora lhe esteja a ser feita esta homenagem”.

Margarida Magalhães Rebelo espera que este tipo de situação “possa acontecer com muitos outras pessoas que fizeram coisas no passado e que têm sido mais ou menos ignoradas”.

Corpo continua em Carregal do Sal

Nascido em 19 de julho de 1885, Aristides de Sousa Mendes morreu em abril de 1954, no Hospital Franciscano para os Pobres, em Lisboa.

Esta é uma homenagem simbólica, ou seja, o túmulo na sala dois do Panteão Nacional, em Lisboa, vai estar vazio, o chamado cenotáfio. O corpo vai continuar no concelho de Carregal do Sal (distrito de Viseu), terra onde nasceu e viveu Aristides de Sousa Mendes, preservando a importância cultural e económica que a presença do corpo tem no turismo da região.

No Panteão estão sepultadas figuras como os escritores Aquilino Ribeiro, Guerra Junqueiro, Almeida Garrett e Sophia de Mello Breyner Andresen, a fadista Amália Rodrigues, o futebolista Eusébio, e o marechal Humberto Delgado, ex-candidato à Presidência da República.

No panteão estão também alguns dos antigos Presidentes da República, como Sidónio Pais, Manuel de Arriaga, Óscar Carmona e Teófilo Braga.

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