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"Inesquecível", "renovador do fado" e "grande inspiração". Reações à morte de Carlos do Carmo

01 jan, 2021 - 11:33 • Redação

Fadista foi o primeiro português a conquistar um Grammy, ajudou o fado a ser Património da Humanidade e criou a banda sonora de muitas gerações de portugueses, que recordam para sempre temas como "Os Putos", "Um Homem na Cidade", "Canoas do Tejo" ou "Lisboa, Menina e Moça".

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O fadista Carlos do Carmo morreu esta sexta-feira aos 81 anos e após uma carreira de quase seis décadas a cantar e a gravar algumas das músicas que fazem parte da banda sonora dos portugueses. A notícia foi recebida com choque e tristeza no primeiro dia do ano.

“Carlos do Carmo não era só um notável fadista, que o público, a crítica e um Grammy consagraram. Um dos seus maiores contributos para a cultura portuguesa foi a forma como militantemente renovou o fado e o preparou para o futuro. Fazendo eco das palavras que cantou no “Fado da Saudade”: “Mas com um nó de saudade, na garganta/ Escuto um fado que se entoa, à despedida” de um grande amigo.” Primeiro-ministro, António Costa

Carlos do Carmo era uma voz de Portugal, porque ele não foi apenas um grande fadista, não foi apenas uma grande figura da música e da cultura portuguesa. Marcou gerações consecutivas antes do 25 de Abril, na transição para a democracia e ao longo de décadas de democracia, mas também foi o rosto de uma campanha nacional que permitiu que o fado fosse considerado Património Imaterial da Humanidade.” Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, à Renascença

“Ele era uma personagem fora do comum, de muito bom gosto e de muita coragem, mas também para fazer algum esforço para esconder a mágoa do muito mal que lhe tentaram fazer a certa altura, que é inevitável nas grandes carreiras. Há sempre uma altura em que o mundo se junta para conspirar contra o sucesso continuado e, no caso dele, o pretexto foi a política, como se uma opção política de esquerda fosse uma espécie de uma peçonha, de uma infeção ou de um crime ilegal.” Herman José, à Renascença

“Lamento profundamente a morte de Carlos do Carmo. Portugal perde uma figura impar da cultura e eu perco um grande amigo. Para mim, o Carlos do Carmo é inesquecível. Onde ele estiver mando-lhe um grande abraço e um grande beijinho. Que encontre lá o Carlos Ary dos Santos e continuem a conversar. É um cantor extraordinário, um homem a quem os poetas devem muito. Ele tentou trazer par ao fado os grandes poetas da nossa língua. Era aquela notícia que não queria ouvir nunca. Quando fiquei sem voz, Carlos do Carmo e um amigo pagaram-me a viagem à Suíça, porque eu não tinha dinheiro”. Cantora Simone de Oliveira, à RTP

“O Carlos do Carmo é um nome incontornável da história do fado, com um extremo bom gosto na escolha do repertório, na escolha poética, um homem com um timbre de voz único e, diria, irrepetível. O Carlos, muitas vezes, quase nem precisava de cantar, falava e a voz saía a cantar. Deixou uma carreira vastíssima, uma história muito rica de sucesso nacional e internacional e que é um nome que é e deve ser seguido pelas novas gerações.” Fadista Kátia Guerreiro, à Renascença

“Um agradecimento profundo por tudo quanto Carlos do Carmo deixou à música e à cultura portuguesa. Sempre que estive com ele, teve sempre palavras tão bonitas para mim e é uma influência maior, para mim e para tantos. É um amanhecer triste.” Cantora Ana Bacalhau, à Renascença


Morreu Carlos do Carmo, o rei do Fado
Morreu Carlos do Carmo, o rei do Fado

“Foi um choque muito grande. Conheço o Carlos do Carmo desde sempre. Éramos muito amigos. É difícil lidar. Era uma grande referência do fado para mim e continua a ser. O Carlos do Carmo foi e vai ser sempre uma das pessoas mais importantes no fado. Foi um grande amigo, uma pessoa que me ajudou imenso, que acreditou em mim e esteve sempre ao meu lado. Foi uma grande inspiração. Toda a vida me relacionei muito bem com Carlos do Carmo. Os meus pais levavam-me ao Faia quando eu tinha dez anos e, a partir daí, aos poucos fomo-nos aproximando. Comecei a cantar e… aprendi tanto daquilo que faço com ele. Era uma pessoa que eu gostava imenso, tinha muita graça, uma piada incrível, era muito inteligente. Ele tomou a decisão de abandonar os palcos com dificuldade, mas tomou-a. As últimas gravações dele e os espetáculos ao vivo são perfeitos.” Fadista Camané, em declarações à RTP

“Ele foi descansar. É uma perda enorme para o fado e para a música, em geral. O Carlos tinha uma coisa muito engraçada que eu sempre admirei muito: ele deu-me oportunidade, muitas vezes, de discutirmos sobre o fado e de trocarmos opiniões. Ele tinha a capacidade de aceitar ser combatido e muitas vezes criticado. É uma virtude que nem todos têm. Além de ser o fadista que era, que lutou pelo fado e tentar afirmar que o fado não é só das mulheres, também é dos homens. O Carlos teve uma grande responsabilidade e deixa uma grande marca na história do fado e do nosso país. Fizemos um dueto e algumas viagens a cantarmos juntos. Ele foi sempre muito simpático. Às vezes, não concordava com ele e ele achava muita piada a isso”. Fadista Ricardo Ribeiro, em declarações à RTP

“É uma perde terrível. O Carlos foi uma das grandes figuras da música portuguesa, em todos os géneros, ao longo de mais de meio século. No campo do fado foi uma força luminosa que teve por trás de muitas das inovações e transformações do fado ao longo de toda a sua carreira. Na geração a seguir a Amália foi a figura que mais contribuiu para a evolução do fado”. Rui Vieira Nery, musicólogo

"Carlos do Carmo foi um grande profissional", com "bom gosto musical" e "cuidado com a escolha de repertório". "Tenho o coração todo partido". Guitarrista António Chaínho, à agência Lusa

“A Ministra da Cultura, Graça Fonseca, lamenta profundamente a morte de Carlos do Carmo, uma das maiores referências da interpretação do fado, e que mostrou sempre uma especial preocupação com a divulgação desta forma de música”. Ministra da Cultura, no Twitter

"Sempre achei que, ao mesmo tempo que é 'fadista de gema', ele é mais do que isso, é um cantor. Não é um fadista característico, como o [Alfredo] Marceneiro, é alguém com outro tipo de formação e que renovou dentro do fado e tem um papel absolutamente fulcral". Sérgio Godinho, à Lusa

"Um bom amigo, homem generoso, inteligente, observador, muito curioso, e que gostava de partilhar". Mariza, à Lusa

"2021 amanhece triste com a partida de Carlos do Carmo. Fez de Lisboa menina e moça para o mundo inteiro ouvir. Foi a voz da cidade e esta não o esquecerá. Desaparece o homem, mas a voz e as canções dele ficam porque Carlos do Carmo e Lisboa são indissociáveis. Carlos do Carmo permanecerá em todos nós sempre que alguém entoar as "Canoas do Tejo" ou em qualquer rua ou viela de Alfama alguém assobiar "Os Putos". Sim, Carlos do Carmo será sempre "O Homem (da) na Cidade." Fernando Medina, presidente da Câmara de Lisboa

"O PCP expressa o seu pesar pelo falecimento de Carlos do Carmo e endereça à família as suas sentidas condolências. Carlos do Carmo, cidadão com um percurso cívico e democrático, com uma carreira artística de mais de 50 anos reconhecida no país e no mundo, intérprete de autores como Ary dos Santos, participante entre muitos outros na afirmação da dimensão cultural da Festa do Avante!, cantor associado à sua cidade, deu uma contribuição particular à afirmação do fado como canção universal." Partido Comunista Português

“Triste, acordamos neste primeiro dia de 2021 com a notícia da morte deste grande e único cantor!”, Ana Gomes, candidata à presidência da República.

"A minha justa homenagem a Carlos do Carmo, um grande vulto da música portuguesa. A sua obra não morreu, nem nunca morrerá", Rui Rio, presidente do PSD.

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  • GRAÇA PEREIRA
    02 jan, 2021 PEDRAS PRETAS 06:03
    JAMAIS SE APAGA!

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