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Talentoso, corajoso, generoso, visionário.​ Todas as reações à morte de Júlio Pomar

22 mai, 2018 - 21:30

Artista plástico morreu esta terça-feira aos 92 anos. Do mundo das artes à política, Júlio Pomar é recordado como um homem à frente do seu tempo, corajoso, generoso, talentoso, que deixou uma vasta obra através das décadas.

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“Devemos a Júlio Pomar a abertura de Portugal ao mundo e a entrada do mundo em Portugal, desde logo durante a ditadura. Não apenas como pintor, desenhador, mas como grande personalidade da cultura. Nesse sentido, ele esteve sempre à frente do seu tempo. Marcou boa parte do século XX, marcou a transição para século XXI mantendo-se sempre jovem e sempre aberto a novos fenómenos culturais, a novas ideias, inovador, criativo, profundamente rebelde e irreverente”. Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa

"Com a morte de Júlio Pomar, Portugal perde um dos seus mais icónicos artistas. Ficará para sempre a sua obra, comprometida apenas com a cultura portuguesa e com a liberdade criativa". Primeiro-ministro, António Costa, na rede social Twitter

“Fica uma grande herança que o país recebe deste homem. O Júlio foi sempre um grande amigo, foi um pintor que eu conheci na Galeria 111 onde ele expunha e onde eu passei a expor – era uma da artistas mais jovens, na altura – e o que eu sempre reconheci no Júlio é uma enorme generosidade. Ele dava sempre a mão aos mais jovens. De tal maneira que ele me emprestou muitas vezes o seu atelier em Paris. Eu tive o privilégio de conviver de perto com o Júlio Pomar e com a sua mulher Teresa Marta e o Júlio Pomar é um homem de uma inteligência, sempre atento ao que se passava no mundo, com muito humor e era um grande grande artista. Eu perguntava-lhe: como é que tu vais todos os dias para o atelier, às 7h00 da manhã. Ele é um exemplo. Neste país onde se fala demasiado de futebol temos que olhar para homens como Júlio Pomar, é um exemplo de cidadão, foi sempre um homem corajoso, lutador. Era extraordinária a forma como ele via o mundo e nunca estava satisfeito com a arte que fazia”. Pintora Graça Morais, em declarações à Renascença

"Durante mais de sete décadas, Júlio Pomar sempre variou nas suas técnicas e abordagens artísticas. Criou uma marca inconfundível no panorama nacional e internacional da arte. Júlio Pomar "juntou a pintura com um sentimento da arte que se vê como uma forma de conhecimento e de reflexão social". João Ribas, diretor do Museu de Serralves

O trabalho de Júlio Pomar era de uma tamanha "luminosidade" que a morte do artista plástico não nos deixará "mais pobres" "Porque ele deixou-nos uma tal luminosidade no seu trabalho que estaremos junto dele através do seu trabalho durante muito e muito tempo". Escultor Pedro Cabrita Reis

"Foi uma referência de toda a minha vida, desde sempre, inclusive desde antes de [eu] entrar para a Escola de Belas Artes". Um homem "muito livre", que teve "uma importância enorme ligando a pintura também à ética". Escultor José Pedro Croft

“Júlio Pomar é uma referência maior do século XX – pode dizer-se que alia a consciência social e a fulgurante capacidade inovadora. É um nome maior na cultura portuguesa de sempre”. Guilherme d’Oliveira Martins, administrador executivo da Fundação Calouste Gulbenkian

“Júlio Pomar foi um artista extraordinário e uma figura incontornável na cultura e na história das artes visuais portuguesas. O país está grato pelo legado incomensurável que nos deixa e pela capacidade de nos inspirar através da sua vida e da sua obra. A sua liberdade, a do pensamento, a da ação e a da criação, e a capacidade única de se traduzir para o mundo eram condição da sua existência. Com uma linguagem e um universo próprios, construídos ao longo de uma vida, Júlio Pomar foi um artista total, que marcou várias gerações e inscreveu a sua arte nos diversos momentos políticos do país. Num gesto natural e espontâneo, Júlio Pomar era um símbolo das artes e do conhecimento, que transmitia com a mesma simplicidade com que nos comovia. Júlio Pomar soube sempre projetar-se na intemporalidade. Um mestre no qual repousa uma enorme sabedoria e um amor eterno pela vida e pelas artes”. Ministro da Cultura, Luís Filipe de Castro Mendes

"Foi um artista maior no Portugal contemporâneo. Um artista profundamente envolvido com o seu tempo e com o seu país. Foi um cidadão empenhado no combate à ditadura e na causa da democracia. Um artista multifacetado que sabia inspirar o grande público e também por isso deve servir de inspiração às novas gerações. Sem dúvida uma imensa perda para a Cultura Portuguesa". Presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues

“A sua obra no plano das artes plásticas foi acompanhada de uma intervenção cívica e política em que se integrou a participação no movimento antifascista, designadamente na Comissão Central do MUD Juvenil. Foi preso e julgado pelo regime fascista, período em que viu algumas das suas obras apreendidas pela PIDE e foi afastado do ensino”, Partido Comunista, em comunicado

"Júlio Pomar é uma figura gigantesca da arte contemporânea portuguesa e alguém que manteve uma atividade permanente de diálogo com a realidade na qual se insere. Esta obra que nos fica e esta obra que nos deixa vai seguramente continuar a permitir-nos interpelá-lo e interpelarmo-nos em função daquilo que ele nos deixa e que é uma reflexão muito profunda sobre aquilo que somos, quem somos, onde estamos e para onde queremos ir”. Jorge Campos, deputado do Bloco de Esquerda

“A Câmara de Lisboa lamenta profundamente o desaparecimento do pintor Júlio Pomar", recordando o percurso de vida do artista plástico. A autarquia lembra, entre outras coisas, que Júlio Pomar, "nome maior da pintura modernista", é o autor das pinturas da estação de metro do Alto dos Moinhos, "onde juntou Camões, Bocage, Almada e Pessoa". Câmara de Lisboa, em comunicado

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