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QUARESMA

Patriarca preside à procissão do Senhor dos Passos da Graça

23 fev, 2024 - 18:33 • Ângela Roque

A mais emblemática procissão da Quaresma em Lisboa assinala 437 anos. Desde 2010 que cumpre o percurso mais longo, que vai da igreja de São Roque até à Graça, atravessando o Chiado e Baixa. À Renascença o presidente da Irmandade que organiza o cortejo diz que este ano são esperados fiéis de todo o país e até de Macau.

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O Patriarca de Lisboa preside este domingo, à procissão do Senhor dos Passos e da Graça, que a partir das 15 horas atravessa a zona histórica da cidade de Lisboa, num cortejo que não deixa ninguém indiferente. À Renascença, Francisco de Mendia, da Irmandade dos Passos e da Graça, lembra que “D. Rui Valério já esteve ligado à Irmandade de outras formas, mas como Patriarca, e presidindo à procissão, esta será a primeira vez”. Por ser bispo de Lisboa “é também, por inerência, detentor de um cargo na Irmandade, que é o Aio do Senhor dos Passos”, ou seja, responsável pela imagem central da procissão.

O cortejo realiza-se sempre no segundo domingo da Quaresma, cumprindo uma tradição com mais de quatro séculos, e que desde 2010 retomou o itinerário completo. “Já são 437 vezes que a procissão sai, desde 1587. A nossa Irmandade foi criada em 1586, portanto, já temos aqui uma experiência grande”, lembra.

A procissão sairá às 15 horas da igreja de São Roque, para atravessar o Chiado e Baixa até à igreja da Graça, na colina oposta da cidade. Este ano as previsões do tempo não ajudam. “A meteorologia não aponta um grande dia para domingo, mas o ano passado também houve muita chuva, mas a procissão saiu e enquanto decorreu não choveu. Portanto, confiamos sempre que o tempo melhore”. Se não for, de todo, possível sair “fazem-se as cerimónias dentro da Igreja, é sempre uma hipótese", refere, mas lembra que em mais de 400 anos “foram muitíssimas mais as vezes em que saiu do que as que ficou dentro da Igreja por impossibilidade de sair”.

Esta procissão teve início em 1587, por iniciativa de Luís Álvares de Andrade, que no ano anterior instituiu a Real Irmandade dos Passos da Graça na igreja e convento da Graça, em Lisboa. É a primeira procissão de Passos em antiguidade, precursora das procissões espalhadas por Portugal e pelo mundo, e a principal da Quaresma a realizar-se na cidade de Lisboa ao longo dos tempos, e continua a atrair sempre largas centenas de fiéis, não só lisboetas.

“Este ano temos notícia que existem várias camionetas que virão do interior do país, foram-nos comunicando ao longo dos últimos meses o interesse em estar presentes na procissão, quer pela sua dimensão, quer pelo seu simbolismo, no fundo, por este renascer crescente desta tradição que era feita de uma forma mais reduzida há uns anos atrás, mas que desde 2010 voltámos a fazer nos moldes originais. E começámos a ter muita gente, inclusive de fora do país. Houve uma Irmandade de Passos de Macau (China) que também pediu para estar presente. Portanto, vamos recebendo assim algumas boas surpresas, não só de Lisboa”, conta Francisco de Mendia.

À forte dimensão espiritual da procissão, que evoca a Paixão e morte de Cristo, alia-se o valor artístico das várias peças que o cortejo integra, “a começar pela própria imagem do Senhor dos Passos da Graça, que é bastante antiga. Esta é já a segunda imagem, porque a anterior ficou nos escombros do terramoto de Lisboa, de 1755. Dessa temos apenas a cabeça, que está à vista na sede da Irmandade. Depois, temos a imagem de Nossa Senhora da Soledade, que usamos no encontro - e depois para o resto da procissão - , que é o encontro de Jesus com a sua mãe, que tem lugar na Igreja de São Domingos. Todas as outras peças, as lanternas, o Pálio, todas as alfaias que compõem a procissão são peças artísticas muito bonitas e de grande valor”.

A volumetria e o peso das imagens e peças exige um grande número de voluntários para as carregar. “Há peças que são muito pesadas, como o pendão que segue à frente da procissão. Os que o levam na frente da procissão têm de estar a ser constantemente substituídos. No mínimo, para levar as alfaias todas, precisamos de cerca de 60 irmãos, mas estão sempre presentes muito mais”.

A procissão tem início previsto para as 15 horas, mas as celebrações terão início às 11 horas, com a Missa solene celebrada pelo Provincial da Companhia de Jesus, na igreja de São Roque. Às 14h30 haverá recitação do Terço, seguida da procissão, que seguirá pelo Largo Trindade Coelho, Rua da Misericórdia, Rua Garrett, Rua do Carmo, Rossio, Rua Largo 1º de Dezembro, Largo de São Domingos, Rua D. Antão de Almada, Travessa Nova de São Domingos, Rua da Palma, Martim Moniz, Calçada dos Cavaleiros, Calçada de Santo André, Igreja da Graça.

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