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Bispo de Coimbra convida a “escutar a voz de Deus e o grito dos irmãos”

15 fev, 2024 - 08:56 • Olímpia Mairos

Renúncia quaresmal da diocese vai ajudar as vítimas da guerra na Faixa de Gaza e o Instituto Universitário Justiça e Paz da Diocese de Coimbra.

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O bispo de Coimbra, D. Virgílio Antunes, apresenta a Quaresma como o “tempo favorável que Deus nos oferece cada ano para fazermos caminho com Maria ao encontro de Jesus e dos irmãos”.

“Sendo tempo de graça é, também, tempo de deserto, de silêncio orante, que nos faz escutar a voz de Deus e o grito dos irmãos”, acrescenta, explicando que a “Sagrada Escritura, lida, meditada e rezada, conduz-nos ao coração de Deus, que nos quer ver felizes; os “sinais dos tempos” que correm, conduzem-nos a conhecer as alegrias e dores do próximo, que o mesmo Deus ama e deseja ver livres e salvos”.

“O mundo em que vivemos continua a ser um grande deserto de homens e mulheres que suspiram pela liberdade dos filhos de Deus. Os sinais são evidentes e vão desde as escravaturas interiores até às atrocidades das corrupções, das guerras, das injustiças e das ausências de amor que matam o corpo e o espírito”, observa.

O responsável da Diocese de Coimbra assinala que “não temos a ilusão de pensar que mudaremos o mundo de um momento para o outro, mas acreditamos que as sementes de transformação da sociedade nascem dentro de nós, quando nos abrimos para sair e acolher Deus e para encontrar os irmãos”.

“Sejamos muitos ou poucos, não desistimos de manter bem vivas essas sementes de Deus e de verdadeira humanidade, que hão de florescer no meio do deserto da vida. Aquele Jesus que Maria nos trouxe e que a Igreja nos dá, ofereceu-Se a Si mesmo e inaugura o mundo novo e a humanidade nova, que amamos e não nos permite desistir”.

Neste contexto, o prelado sugere três dimensões para o caminho quaresmal: o encontro com Deus, o encontro com toda a humanidade e a libertação de todas as formas de escravidão.

Desde logo, D. Virgílio Antunes sugere que se procure “um encontro com Deus, mais intenso, livre e disponível, por meio da oração, da participação na liturgia, da leitura orante da Palavra de Deus, dos momentos de piedade propostos pelas comunidades”.

“Procuremos o encontro com toda a humanidade pela via da solidariedade autêntica e da proximidade humana e espiritual, unindo-nos nas alegrias e dores a todos, pessoas ou povos, que sofrem qualquer forma de escravidão”, acrescenta.

Referindo-se ao desafio lançado pelo Papa Francisco na sua mensagem para a Quaresma - “Através do deserto, Deus guia-nos para a liberdade” - D. Virgílio Antunes destaca que “ser livre consiste em sair de si mesmo para viver e agir com o coração centrado em Deus e centrado nos outros”.

Se ficamos centrados em nós, tornamo-nos individualistas e solitários; se nos focamos somente em Deus, podemos tornamo-nos espiritualistas e a viver uma religiosidade desencarnada; se nos voltamos somente para os outros, podemos tornar-nos materialistas”, adverte.

Por fim, pede que “procuremos libertar-nos de todas as formas de escravidão, que diariamente nos assaltam, para vivermos na liberdade de filhos de Deus”.

Na mensagem, o bispo de Coimbra informa também que o produto da renúncia quaresmal é repartido em duas partes: “uma para ajudar as vítimas da guerra na Faixa de Gaza; a outra para ajudar o Instituto Universitário Justiça e Paz da Diocese de Coimbra, a nossa Casa dos Jovens”.

A concluir a mensagem, D. Virgílio Antunes convida os jovens “a serem protagonistas de uma humanidade nova por meio da resposta a Cristo que os ama e lhes oferece os caminhos da libertação que procuram”.

“Repito-lhes o apelo que a nossa Igreja Diocesana de Coimbra lhes faz, com muita esperança na sua capacidade de serem os primeiros na renovação da humanidade: ‘Jovem, levanta-te. Cristo vive’. Peço-lhes que acolham as propostas que o Serviço Diocesano da Juventude lhes dirige para esta Quaresma, pois a Jornada Mundial da Juventude continua a ser para eles um apelo de Deus”, conclui.

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