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A Quaresma é uma purificação que retira a maquilhagem, diz o Papa

14 fev, 2024 - 16:59 • Aura Miguel

No arranque da Quaresma, esta Quarta-Feira de Cinzas, Francisco recordou que “a Quaresma nos mergulha num banho de purificação e despojamento".

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No arranque desta Quaresma, o Papa propôs aos fiéis “entrar no segredo, e voltar ao coração”. Francisco, que celebrou missa na basílica de Santa Sabina, como sempre acontece na Quarta-feira de Cinzas, propôs a todos fazer um “percurso de fora para dentro, a fim de que todo o nosso viver, incluindo a nossa relação com Deus, não se reduza a exterioridade, a uma moldura sem quadro, a um mero revestimento da alma, mas brote de dentro e corresponda aos movimentos do coração, isto é, aos nossos desejos, aos nossos pensamentos, ao nosso sentir, ao núcleo fontal da nossa pessoa”.

Durante a homilia, o Santo Padre recordou que “a Quaresma nos mergulha num banho de purificação e despojamento, ajuda-nos a retirar toda a «maquilhagem», tudo aquilo de que nos revestimos para brilhar, para aparecer melhores do que somos”.

Por isso, este “voltar ao coração significa tornar ao nosso verdadeiro eu e apresentá-lo diante de Deus tal como é, nu e sem disfarces. Significa olhar dentro de nós mesmos e tomar consciência daquilo que somos realmente, tirando as máscaras que muitas vezes utilizamos, diminuir a corrida do nosso frenesim e abraçar a verdade de nós mesmos”.

O que dizem as cinzas

A propósito do ritual da imposição das cinzas na cabeça, Francisco afirmou: “A vida não é um teatro e a Quaresma convida-nos a descer do palco do fingimento e regressar ao coração, à verdade daquilo que somos. Por isso, nesta tarde recebemos, com espírito de oração e humildade, as cinzas na cabeça”.

E acrescentou: “as cinzas postas sobre a nossa cabeça convidam-nos a redescobrir o segredo da vida. Dizem-nos que, enquanto continuares a usar uma armadura que cobre o coração, a disfarçar-te com a máscara das aparências e a exibir uma luz artificial para te mostrares invencível, permanecerás árido e vazio”.

O Papa esclarece, no entanto, que se houver a coragem de inclinar a cabeça “para te olhares intimamente, então poderás descobrir a presença de um Deus que desde sempre te amou e, finalmente, despedaçar-se-ão as couraças de que te revestiste e poderás sentir-te amado com amor eterno”.

Menos “social” e mais interioridade

A prática da esmola, da oração e do jejum, inerentes ao tempo da Quaresma, não podem, pois, reduzir-se a práticas exteriores, “mas são caminhos que nos levam de volta ao coração, ao essencial da vida cristã”. E com maior atenção aos outros, para que renasçam a esperança, a confiança e a alegria no quotidiano.

O convite do Papa “a entrar no segredo e voltar ao coração”, é também um convite para os que vivem superficialmente e se agitam “para ser notados, admirados e apreciados”, num frenesim e mergulhados num mundo onde tudo, incluindo as mais íntimas emoções e sentimentos, se deve tornar «“social”.

Francisco lamentou que “as experiências mais trágicas e dolorosas corram o risco de não ter um lugar secreto que as guarde, pois tudo deve ser manifestado, ostentado, dado em pasto à coscuvilhice do momento”. Mas há uma saída: “Entremos no nosso quarto interior, aí habita o Senhor, é acolhida a nossa fragilidade e somos amados sem condições”, afirmou.

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