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Bispos de Braga: “Como bons cidadãos e bons cristãos, exerçamos o direito e o dever do voto”

06 fev, 2024 - 10:52 • Olímpia Mairos

Parte da renúncia quaresmal da Arquidiocese de Braga é destinada “ao Fundo Partilhar com Esperança, que é um fundo arquidiocesano, sob administração da Vigararia Episcopal para o Desenvolvimento Humano Integral, para apoio de famílias carenciadas”. A outra parte destina-se “ao apoio da equipa missionária que está ao serviço da Paróquia de Ocua, Diocese de Pemba”.

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Na mensagem de Quaresma da Arquidiocese de Braga, assinada por D. José Cordeiro e D. Delfim Gomes, é pedido aos cristãos que exerçam o seu direito e dever de voto nas próximas eleições legislativas.

“No IV Domingo da Quaresma, dia 10 de março, Portugal está convocado para eleições legislativas. Como bons cidadãos e bons cristãos exerçamos o direito e o dever do voto na construção responsável do bem comum e na defesa e promoção da dignidade inalienável da pessoa humana”, pedem os prelados.

Na mensagem intitulada “Sempre encaminho - À mesa com Jesus”, os bispos de Braga referem que “o caminho faz farte da identidade do cristão” e que “estamos todos no caminho com Jesus e a caminho da terra prometida”.

“É um peregrinar contínuo, feito por cada um e em comunidade, para a terra prometida. Não se trata apenas de andar por andar, mas ousadia de acolher e avançar por um caminho nunca percorrido”, assinalam, esclarecendo que tal “implica deixar para trás, diríamos mesmo abandonar, as estradas velhas, todos os atilhos opressivos, lamentos, murmúrios, comportamentos desviantes, palavras ofensivas, ideias destruidoras, estatutos pretensiosos, tradições desadequadas, hábitos instalados, preconceitos... e abraçar o desejo da terra da promissão, terra da liberdade”.

“É o rompimento com toda a espécie de egoísmo ou ídolos e decidir-se pelo esvaziamento de si em favor do outro”, elucidam.

Ora, na visão dos bispos, “a Quaresma que iniciamos e a Páscoa que vivemos oferecem-nos este caminho de esvaziamento, de conversão e de liberdade”.

“A mesa de Jesus continua posta”

“Mas como podemos nós caminhar no deserto, se nos falta o alimento?”, questionam, lembrando que também Jesus, peregrino de todas as vidas, escolheu sentar-se à mesa com os homens e mulheres do seu tempo “para lhes oferecer o pão da verdadeira liberdade que lhes concedeu uma nova vida”.

“Jesus compreendeu a mesa como um lugar de encontro e da inclusão, de reconciliação e perdão, de purificação e cura, de entrega e de serviço. Em Jesus, a mesa assumiu um lugar de fronteira, onde as diferenças oferecem um potencial de encontro e fraternidade”, explicam.

D. José Cordeiro e D. Delfim Gomes asseguram que “a mesa de Jesus continua posta. Ela está disponível para todos” e convidam os cristãos, nesta Quaresma, a sentarem-se à mesa de Jesus.

“Nunca, como nestes dias, que são o nossos, no meio de todas estas crises eclesiais, sociais, políticas e existenciais, a mesa de Jesus, através da Igreja, se tornou tão necessária”

Segundo os bispos da arquidiocese de Braga, “na mesa de Jesus, a fome de inclusão, amor, perdão e cura são incondicional e gratuitamente saciadas”, assinalando que “está na hora de partilhar o Pão e alimentar a Esperança”.

“Só nos reconhecerão como discípulos de Jesus, se hoje formos capazes de repartir o pão da esperança nas mesas das fomes dos nossos irmãos de hoje e de sempre”, observam.

“Sempre em caminho, olhemos para as mesas do quotidiano. Perguntemo-nos: o que nos incomoda hoje? O que nos move? Em que mesa está no nosso irmão?”, acrescentam.

Os bispos informam ainda que parte da renúncia quaresmal da Arquidiocese de Braga é destinada “ao Fundo Partilhar com Esperança, que é um fundo arquidiocesano, sob administração da Vigararia Episcopal para o Desenvolvimento Humano Integral, para apoio de famílias carenciadas”. A outra parte destina-se “ao apoio da equipa missionária que está ao serviço da Paróquia de Ocua, Diocese de Pemba”.

“Esta partilha assume maior pertinência com estas palavras do Papa Francisco: ‘Convido toda a comunidade cristã a fazer isto: oferecer aos seus fiéis momentos para repensarem os estilos de vida; reservar um tempo para verificarem a sua presença no território e o contributo que oferecem para o tornar melhor’”, sublinham.

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