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Lisboa partilha relíquia de São Vicente com Faro

21 jan, 2024 - 08:00 • Ângela Roque

Bispo do Algarve, D. Manuel Quintas, vai este domingo a Lisboa receber parte das relíquias do Santo que é patrono das duas dioceses, e espera que o gesto ajude a fortalecer a fé dos cristãos algarvios.

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O bispo do Algarve peregrina este domingo a Lisboa para receber uma relíquia de São Vicente, cuja Solenidade a Igreja assinala a 22 de janeiro, segunda-feira. Em entrevista à Renascença, D. Manuel Quintas fala da importância deste gesto para as duas dioceses, que têm o Santo diácono como patrono.

“Este momento é mais do que uma peregrinação. Vamos acolher uma relíquia de São Vicente, que o Patriarcado de Lisboa, com o seu cabido, decidiu partilhar com a Diocese do Algarve, por ocasião da celebração dos 850 anos da chegada das relíquias de São Vicente à cidade de Lisboa”, começa por explicar.

O programa da deslocação - que partirá de Loulé, pelas 8h30 -, inclui uma eucaristia no Santuário do Cristo Rei, em Almada e, já em Lisboa, uma visita ao Mosteiro de São Vicente de Fora. A partir das 16h00, o bispo do Algarve, e a delegação que o acompanha, vão participar na oração de vésperas na Sé Patriarcal de Lisboa, de onde as relíquias serão trasladadas para a Sé de Faro.

D. Manuel Quintas espera que a decisão ajude a fortalecer a fé dos cristãos algarvios. “É um gesto de comunhão fraterna e eclesial. Tendo nós, Diocese do Algarve e Patriarcado de Lisboa, o mesmo padroeiro que é São Vicente, queremos com esta presença ganhar um impulso novo no que diz respeito ao testemunho da nossa fé”.

A relíquia irá ser venerada numa capela da Sé de Faro, onde não existia até agora qualquer referência ao padroeiro da diocese. “Para além de termos um cabo chamado S. Vicente, e uma costa chamada Vicentina, gostávamos que a nossa catedral, que vai acolher esta relíquia, significasse não o cabo, mas o princípio de um dinamismo novo, renovado, sobretudo de entusiasmo missionário. E também que toda a diocese fosse vicentina, no sentido de ser uma diocese marcada pelo serviço de cada um dos seus membros, a começar por mim, naturalmente”, sublinha o bispo do Algarve.

Para D. Manuel Quintas, a relíquia “é, seguramente, um objeto de veneração, mas é também algo que nos desperta e abre o coração para desejos e metas maiores, nessa identificação com Cristo, que nos leve a relativizar aquilo que é relativo, e a absolutizar aquilo que, de facto, tem valor e é absoluto. Foi isso que os mártires nos legaram, e é esse testemunho que eu quero que todos, a começar por mim, vejamos em São Vicente”.

Foi em novembro último que a Diocese do Algarve pediu ao Patriarcado de Lisboa a cedência de parte das relíquias de São Vicente, quando se comemoram os 850 anos da chegada do corpo do mártir do século IV à capital.

Vicente era um jovem diácono da Igreja de Saragoça, Espanha, que foi torturado em Valência, no ano de 304, durante a perseguição aos cristãos. Os seus restos mortais foram mandados depositar fora dos muros da cidade, para serem devorados por animais, mas foram protegidos por corvos, que impediram a profanação do corpo.

Devoto de São Vicente, em 1147 o primeiro rei português, D. Afonso Henriques, mandou construir o Mosteiro de São Vicente de Fora, para lhe agradecer o sucesso da conquista de Lisboa aos mouros. Por sua iniciativa, em 1173 o corpo do mártir foi trasladado do Algarve. Estava, desde o século VIII, no cabo de São Vicente.

“Foi por uma boa causa. Afonso Henriques queria que estas relíquias estivessem em Lisboa, não apenas para melhor as preservar - naquela altura o Algarve ainda se encontrava sob domínio muçulmano -, mas porque queria dessa forma dar força aos seus militares na conquista e unificação do território”, afirma D. Manuel Quintas.

O bispo do Algarve lembra, ainda, que as relíquias chegaram a Lisboa “por mar, porque por terra era impossível na altura”, tendo sido recebidas “com grande alegria e grandes celebrações. Desde essa altura que são veneradas, o que motivou a escolha de São Vicente como patrono do Patriarcado, e são igualmente evocadas no brasão da cidade”.

São Vicente é o padroeiro principal da Diocese do Algarve desde 1794.
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