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"Belém, neste momento, está sem pão e sem paz. Ficou um deserto"

12 dez, 2023 - 22:50 • Vasco Bertrand Franco

Nicolas Ghobar vem todos os anos a Portugal para vender as peças de artesanato das famílias cristãs da Terra Santa. Este ano a venda é ainda mais importante porque é a única fonte de rendimento de dezenas de famílias.

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Todos os anos, por esta altura, o palestiniano Nicolas Ghobar vem a Portugal para vender as peças de artesanato feitas pelas famílias cristãs de Belém.

Há mais de oito anos que Nicolas é acolhido na Basílica dos Mártires, onde tem a sua base de venda. O cristão palestiniano, é ajudado por voluntários que vendem as suas peças em várias localidades do país.

Nicolas garante que consigo traz a esperança das várias famílias que, tal como ele, fazem artesanato manual em madeira de Oliveira. As peças são muito variadas e vão desde presépios e sagradas famílias até utensílios de cozinha.

O fabrico destas peças é uma tradição que remonta ao tempo de Jesus. Contudo, esta prática está em perigo, visto que existem cada vez menos cristãos na Terra Santa. Atualmente, esta comunidade representa menos de 2% da região. Nicolas, relembrou que o Papa Francisco em 2014, pediu aos cristãos que não saíssem da Terra Santa.

Nicolas, como muitos dos cristãos de Belém, para além de artesão, é guia para os turistas que peregrinam até à Terra Santa. No entanto, neste momento o turismo é praticamente inexistente. O cristão palestiniano diz que esta é uma situação bastante complicada, pois são “os peregrinos que dão de comer ao povo”. Por isso, a venda de artesanato é a única fonte de rendimento para dezenas de famílias cristãs.

Atualmente, a situação está crítica para a população. Nicolas Ghobar diz que “Belém, neste momento, está sem pão e sem paz. Ficou um deserto”. As famílias não têm qualquer ajuda e, por essa razão, toda a ajuda é preciosa.

Este ano o Natal não vai ser celebrado, por respeito às vítimas da guerra entre Israel e o Hamas. A última vez que tal tinha acontecido foi em 2000 devido ao mesmo conflito.

Armando Duarte, pároco dos Mártires e Sacramento, que acolhe Nicolas, sublinha que "ao comprar uma destas peças, ajuda-se uma família cristã na palestina”. Já o artesão garante que quem comprar uma das suas peças “leva um pouco da Terra Santa consigo”.

Nicolas, vai estar em Portugal até ao Natal, altura em que volta para Belém e, espera levar consigo a esperança que lhe foi pedida quando veio a Portugal.

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