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“Há muita pobreza envergonhada”. Paróquias na linha da frente do combate

16 nov, 2023 - 09:23 • Olímpia Mairos

As redes de proximidade informais e institucionais assumem, no contexto atual, um papel cada vez mais essencial no combate à pobreza e à exclusão social.

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Numa altura que a pobreza está a aumentar de uma forma muito acelerada, apesar de haver medidas que procuram ajudar no seu combate, as paróquias e as redes de proximidade assumem cada vez mais importância.

“Hoje notamos, e sobretudo aqui na nossa zona, que há muita gente que vive momentos muito difíceis. Há muita pobreza envergonhada, mas também há muita vontade de ajudar. E há muitas pessoas que, na sua própria pobreza, estão disponíveis para ajudar outros, para que ninguém fique para trás e todos possamos caminhar juntos”, diz à Renascença o padre José Bento.

O sacerdote da diocese de Bragança-Miranda nota que a “rede informal de parceiros, de amigos, de homens e mulheres de fé, de homens e mulheres que realmente amam o seu próximo, querem ajudar para ultrapassar este flagelo”.

As redes de proximidade assumem, no contexto atual, um papel cada vez mais essencial no combate à pobreza e, por isso, estiveram em debate na Paróquia de S. João Batista, em Bragança.

“São as redes que conseguem discernir, conseguem avaliar e conseguem ver onde a necessidade está presente. E a partir daí, as redes conseguem construir um projeto de intervenção com e para os pobres e, dessa forma, serem uma mais-valia neste combate”, diz o padre José Bento.

Segundo o sacerdote, “aquilo que as redes fazem, e cada vez temos de trabalhar mais em rede, é precisamente o de provocar uma resposta. E a rede provoca uma resposta, provoca uma solução para ajudar situações reais, para ajudar mapas de pobreza, no combate a este flagelo. Portanto, as redes são mesmo essenciais”.

Nestas declarações à Renascença, o padre José Bento aborda também o papel que as paróquias têm e devem assumir no combate à pobreza e à exclusão social.

“As paróquias são, por si mesmas, territórios de proximidade, territórios antropológicos que conhecem as pessoas, conhecem os pobres e também conhecem aqueles que podem ser mediadores e companhia para os mesmos pobres. E, por isso, a paróquia como um território físico, mas, sobretudo, um território humano, antropológico, é da primeira linha na atuação para ajudar a resolver estas situações”, declara.

“As paróquias não vivem fechadas em si, são Igreja em saída, conhecem as pessoas que vivem nos seus territórios e nos seus ambientes e, por isso, mais do que nunca, as paróquias, hoje, tornam-se como um ambiente holístico de intervenção e de presença nestas causas”, conclui.

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