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Provincial dos Espiritanos

"A evangelização e o trabalho junto dos mais pobres são a nossa razão de ser"

04 abr, 2023 - 07:00 • Ângela Roque

O padre Pedro Fernandes é o responsável pela Província Portuguesa dos Missionários do Espírito Santo em Portugal. Em declarações à Renascença a partir do Brasil, onde se encontra nesta Semana Santa, fala do trabalho da Congregação que nasceu em África no século XVIII e que hoje já está em 70 países dos cinco continentes. Em Portugal destacam-se no apoio aos imigrantes em situação de fragilidade, mas também são responsáveis por 20 paróquias e por algumas capelanias, e preparam jovens para partir em missão.

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Entrevista ao padre Pedro Fernandes, responsável pela Província Portuguesa dos Missionários do Espírito Santo em Portugal
Ouça aqui a entrevista ao padre Pedro Fernandes

“O nosso carisma fundamental é a evangelização”, diz à Renascença Pedro Fernandes. No Brasil, de visita às missões que estão junto dos mais pobres e desfavorecidos – seja nas favelas de São Paulo ou na Amazónia -, o responsável pelos Missionários Espiritanos em Portugal fala do trabalho da Congregação, na qual escolheu ser padre.

Pedro Fernandes nasceu em Lisboa, em 1969. Estudou em Portugal e em Clamart, França. Professou no Seminário da Silva, em Barcelos, em 1992, e fez o seu estágio missionário na Guiné-Bissau. Ordenado em 1996, em Benfica, partiu em missão para Moçambique, onde trabalhou até 2009. Em 2018 foi eleito Provincial da Congregação.

Encontra-se no Brasil, para visitar os missionários espiritanos que vivem no país. Chegou quando e vai ficar por quanto tempo?

Cheguei no final do mês de março, há cerca de uma semana, e vou ficar atá ao dia 15 de abril.

Vai passar aí a Páscoa?

Vou passar a Páscoa no Brasil, não exatamente no lugar onde estou neste momento, mas sim, vou passá-la no Brasil. O objetivo é visitar as missões onde estão missionários espiritanos ligados de alguma forma à Província de Portugal, em geral portugueses de origem, alguns a trabalhar no Brasil há muitos anos, toda a vida, mas com quem mantemos laços de muita comunhão e de muita proximidade. E essa é a razão pela qual eu vim.

Estas são visitas habituais por parte do Provincial?

É costume os provinciais visitarem os missionários que são originários da sua Província, ao menos uma vez em cada seis anos. Faz parte desse sinal de comunhão, de relação solidária, de corresponsabilidade também, uma vez que nós Espiritanos, somos por definição, missionários ad gentes, portanto, as missões de primeira evangelização e junto dos mais pobres são a nossa razão de ser, e são a razão de ser inclusive da Província portuguesa, naturalmente. Portanto, a visita aos missionários faz parte dos nossos procedimentos normais de acompanhamento, a proximidade e solidariedade com as situações de missão em que eles se encontram.

E quantas missões da Congregação é que há aí no Brasil?

No Brasil temos quatro grandes circunscrições, digamos quatro Províncias, cada uma delas com muitas comunidades, ou menos. Temos missionários espiritanos ligados ou originários da Província de Portugal em três diferentes circunscrições, portanto, por aí eu vou passando. Na verdade vou visitar cinco lugares, cinco missões diferentes, que são também cinco situações completamente diversas.

Já estive numa missão da periferia de São Paulo, que é uma área particularmente pobre, muito populosa. É um bairro gigantesco, com dezenas de milhar de pessoas, nesta cidade imensa que é São Paulo, com 18 milhões de habitantes. E o compromisso missionário que aquela equipa tem é justamente acompanhar, assistir comunidades da periferia em que se encontram favelas, e lugares que não são tecnicamente favelas, mas que são também lugares muito pobres, e para os quais é muito difícil encontrar gente disponível, e os espiritamos estão aí. Portanto, este foi o primeiro lugar que visitei.

Neste momento estou num lugar mais clássico, digamos, de uma missão mais do tipo paroquial, no Estado de Minas Gerais. Estou a passar aqui alguns dias também. Irei seguir para Manaus, para estar com os meus colegas que trabalham num bairro pobre daquela cidade, no Estado do Amazonas.

A seguir irei ainda para Tefé, encontrar-me com uma equipa missionária que está a trabalhar no interior da Amazónia, com populações pobres, em situação de primeira evangelização e em grande carência. E finalmente irei terminar em Belém, numa realidade missionária bastante diferente também e ainda em contexto de Amazónia.

Falando da Congregação a nível mundial, estão presentes em vários países, com missões muito diferenciadas?

Estamos em todos os continentes, em perto de 70 países nos cinco continentes. O nosso carisma fundamental é a primeira evangelização, a proposta do Evangelho aos grupos e povos que não conhecem Jesus Cristo, que não se encontraram ainda com a proposta cristã. Ao mesmo tempo, o trabalho com os mais pobres e em situações para as quais é mais difícil encontrar gente disponível.

Tradicionalmente estamos muito em África. Durante séculos - nós fomos fundados no início do século XVIII, por um jovem nascido no final do século XVII (Cláudio Poullart des Places), e durante muito tempo, a nossa missão preferencial foi junto, justamente, dos povos africanos em situações de primeira evangelização.

Hoje, a Congregação acaba por estar maioritariamente presente em África, de Norte a Sul, e continua a privilegiar naturalmente essas áreas de primeira evangelização, ou de situações sociais e económicas, por vezes também políticas, particularmente desafiantes.

Aqui em Portugal têm um trabalho importante e visível ao nível, por exemplo, do apoio aos imigrantes. Estou a lembrar-me do CEPAC, o Centro Padre Alves Correia, aqui em Lisboa, mas asseguram também outras obras, para além de paróquias, não é?

Sim. No total, temos ainda 20 paróquias em Portugal, e temos o CEPAC, que é uma obra particularmente emblemática e importante para nós, uma vez que se trata de um projeto de apoio a pessoas imigrantes em situação de particular fragilidade e sem documentação, etc.

Temos depois movimentos ligados à congregação, a LIAM - Liga Intensificadora da Ação Missionária, é talvez o mais significativo, são movimentos missionários, constituídos por grupos de base paroquial que funcionam nas paróquias, com espiritualidade espiritana e com uma orientação especialmente missionária, de animação missionária nas próprias comunidades cristãs onde estão, e também de sensibilização para a realidade missionária do mundo, para a dimensão universal da Igreja, para esta abertura à comunhão de todos com todos, que é tão importante no catolicismo e cristianismo.

Temos esses movimentos - a LIAM em especial e também os Jovens Sem Fronteiras (JSF), que é um movimento juvenil ligado a nós. Depois temos a Sol Sem Fronteiras, que é uma ONGD ligada aos Jovens Sem Fronteiras também, que tem uma ligação histórica e espiritual forte connosco. Temos alguns serviços ligados a capelanias, seja de imigrantes, seja de prisão ou hospitalar, que se tornam também para nós importantes, porque são uma expressão de trabalho com os mais pobres ou com situações de especial fragilidade.

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