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​Abusos na Igreja. Comissão Independente ainda não entregou lista de suspeitos aos institutos religiosos

09 mar, 2023 - 17:10 • Ângela Roque e Ana Catarina André

Informação foi confirmada à Renascença por Ana Nunes de Almeida, da Comissão Independente e pela presidente da CIRP, o organismo que representa os institutos religiosos. Os padres ou irmãos de congregações religiosas suspeitos de abuso foram contabilizados à parte da lista entregue à Conferência Episcopal, que só inclui sacerdotes diocesanos e leigos.

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A lista com os nomes de religiosos, irmãos e leigos consagrados suspeitos de abuso sexual de menores ainda não foi entregue à Comissão dos Institutos Religiosos de Portugal (CIRP). A confirmação foi dada à Renascença pela presidente deste organismo, a irmã Graça Guedes, e também pela socióloga Ana Nunes de Almeida. Esta responsável da Comissão Independente não quis adiantar uma data concreta para a entrega.

Os suspeitos de abuso que possam ter sido identificados no âmbito das congregações religiosas foram contabilizados à parte da lista que foi entregue à Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), que só inclui sacerdotes diocesanos e leigos. Ao que a Renascença apurou, a nova lista será entregue à CIRP e, em moldes ainda a definir, também a cada instituto ou congregação, nos casos em que tenham sido detetados eventuais abusadores. Só não se sabe quando.

À Renascença, os salesianos e os jesuítas confirmaram não ter ainda recebido a lista que identifica os abusadores.

A irmã Graça Guedes espera que a lista seja entregue o mais rápido que for possível. Um momento oportuno seria a assembleia plenária da CIRP, que está marcada para 27 e 28 de abril, em Fátima, e durante a qual vai ser eleita a nova direção, mas reconhece que o ideal será que aconteça antes.

A CIRP firmou o mesmo protocolo que a CEP com a Comissão Independente e com a Comissão Histórica, para permitir o acesso aos arquivos. A sua colaboração, abertura e consciência da realidade dos abusos sexuais na Igreja foi elogiada pelos membros da Comissão Independente durante a apresentação do relatório.

Graça Guedes sublinha à Renascença que “a vida consagrada não pode deixar de ter o cuidado às vítimas como prioridade”, enfrentar as situações “com todo o rigor que o assunto nos merece” e cumprindo “todas as normas da Igreja e o que o Papa nos pede”, porque as regras “são muito claras”.

“Temos de resolver e agir em conformidade, senão onde está o nosso testemunho de radicalidade?”, acrescenta a presidente da CIRP.

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