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Nomeação de Tolentino Mendonça "é um enorme orgulho e alegria"

26 set, 2022 - 17:41 • Ângela Roque

Isabel Capeloa Gil, reitora da UCP, não esconde a satisfação. À Renascença diz que o cardeal português, com quem trabalhou de perto, “é a figura ideal” para ser o novo “ministro” da educação e cultura do Vaticano. A escolha do Papa foi oficializada esta segunda-feira

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A reitora da Universidade Católica Portuguesa (UCP) congratulou-se esta segunda-feira com a nomeação do cardeal D. José Tolentino Mendonça para prefeito do novo Dicastério para a Cultura e Educação da Santa Sé.

Em declarações à Renascença, Isabel Capeloa Gil, não escondeu a satisfação por irem continuar a trabalhar juntos, até porque também preside atualmente à federação internacional das universidades católicas.

“É um enorme orgulho e uma alegria! Trabalhámos em conjunto durante vários anos, partilhámos dois gabinetes juntos, conhecemo-nos bem e admiro muito a forma de trabalhar e pensar do D. José Tolentino Mendonça. É uma enorme alegria podermos continuar a trabalhar, não só no que diz respeito à universidade católica, que enquanto instituição de ensino superior católico é tutelada por este Dicastério, mas também no âmbito da Federação Internacional das Universidades Católicas, de que agora sou presidente”, afirma.

Isabel Capeloa Gil destaca a importância do novo organismo que resulta da reforma da Cúria, promovida pelo Papa Francisco, e vai agregar tudo o que até agora dependia da Congregação da Educação Católica e do Conselho Pontifício para a Cultura.

“É uma área particularmente importante. Para nós, Universidade Católica, porque vai tutelar tudo o que são instituições educacionais católicas em todos ciclos de estudo, até às universidades, para além de todo o acervo e todas as políticas de cultura. Diria que é quase uma mega-Dicastério que junta duas áreas de particular importância para a ação da Santa Sé", refere a reitora da UCP, que não tem dúvidas de que o cardeal português, com quem trabalhou tão de perto, é mesmo “a figura ideal” para ser o novo “ministro” da educação e cultura do Vaticano.

“É uma pessoa particularmente bem preparada para exercer este cargo. Ele vem da universidade, é uma figura da cultura, é um pensador, é talvez a figura ideal para reunir estes dois grandes setores que se unem agora. Imagino que não será fácil gerir um Dicastério desta dimensão, mas ele é certamente o homem para as circustâncias atuais e certamente que vai desempenhar o cargo de uma forma brilhante”, sublinha.

Isabel Capeloa Gil ainda não sabe se será reconduzida como consultora da Congregação para a Educação Católica, um dos organismos que o novo Dicastério vai integrar, e para o qual tinha sido nomeada antes da reforma da Cúria, mas não está preocupada com isso. “Agora haverá espaço para a nova equipa repensar a escolha dos consultores”, refere.

A nomeação de Tolentino Mendonça como Prefeito do novo Dicastério para a Cultura e Educação foi oficializada esta segunda-feira. O até agora Arquivista e Bibliotecário da Santa Sé (cargo que assumiu em 2018) vai passar a ser uma espécie de “ministro” da Educação e Cultura do Vaticano, ficando com a tutela da rede escolar católica do mundo inteiro - que inclui 1.360 universidades católicas e 487 universidades e faculdades eclesiásticas, com 11 milhões de alunos, bem como 217 mil outras escolas, frequentadas por 62 milhões de crianças.

No novo cargo, Tolentino Mendonça irá também ficar responsável pelo diálogo da Igreja universal com o mundo da cultura, coordenando as atividades de inúmeras Academias Pontífícias, como a de Belas Artes e Letras, a de Arqueologia, ou a de Teologia, entre outras.

O cardeal madeirense, de 56 anos, substitui no ex-Conselho Pontifício para a Cultura o cardeal Gianfranco Ravasi, que completa os 80 anos em outubro, e na ex-Congregação da Educação Católica o cardeal Giuseppe Versaldi, que fez 79 anos em julho.

D. José Tolentino Mendonça nasceu em Machico, no Funchal, a 15 de dezembro de 1965. Poeta, ensaísta e investigador, é doutorado em Teologia Bíblica. Foi ordenado padre em 1990 e bispo em 2018, quando ficou responsável pela Biblioteca e Arquivo do Vaticano. É cardeal desde outubro de 2019.

Em Portugal, o prelado madeirense foi vice-reitor da Universidade Católica, entre 2012 e 2018, diretor da Faculdade de Teologia e responsável pelo Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura.

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