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Sínodo dos Bispos. Relatório de Portugal pede "uma Igreja de portas abertas"

26 ago, 2022 - 12:08 • Henrique Cunha

A síntese sinodal da Conferência Episcopal Portuguesa pede acolhimento “a todos”, exclusão de “atitudes discriminatórias à comunidade LGBTQIA+ e a divorciados recasados”, “independentemente da sua vida afetivo-sexual”, e continuação na prática sinodal para que Igreja se torne “relevante”.

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O relatório de Portugal sobre Sínodo dos Bispos defende abertura “à diversidade” e uma Igreja que “abrace e acolha todos”, excluindo “atitudes discriminatórias”. Pede-se "uma Igreja de portas abertas".

A síntese sinodal da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) pede "uma Igreja de portas abertas", defendendo acolhimento “a todos”, exclusão de “atitudes discriminatórias à comunidade LGBTQIA+ e a divorciados recasados”, “independentemente da sua vida afetivo-sexual”, e continuação na prática sinodal para que Igreja se torne “relevante” socialmente.

O documento elaborado pela Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) resulta da síntese do trabalho de cada Diocese e é “enviado à secretaria-geral do Sínodo dos Bispos, no Vaticano, "dentro dos prazos previstos”.

"Todos querem uma Igreja renovada, mais amiga dos necessitados, e que propicie o envolvimento de todos”, lê-se.

O texto alude a “uma Igreja que tem dificuldade em fazer caminho com os jovens”, que referem que “a Igreja tem uma mentalidade retrógrada e desajustada dos tempos em que vivemos”.

Por outro lado, o documento aponta que a Igreja mantém “uma atitude demasiado hierárquica, clerical, corporativa, pouco transparente, e resistente à mudança”, dando prioridade à “manutenção da sua imagem, ao invés de preservar a segurança da sua comunidade”.

No “diagnóstico” agora apresentado, que resulta da visão dos católicos portugueses, é também sublinhado o facto de estarmos perante “uma Igreja em declínio social no que respeita à sua reputação e relevância”.

O documento parte do princípio de que “as diferentes comunidades diocesanas acreditam que a participação, corresponsabilidade e sinodalidade não são ainda efetivamente praticadas na Igreja o que tem consequências na forma como se vive e se perceciona a Igreja”. Uma das perceções aponta para “uma Igreja espiritual e humanamente pouco inclusiva e acolhedora, discriminando quem não está integrado ou não vive de acordo com a moral cristã, isto é, divorciados, recasados e pessoas com diferentes orientações sexuais, identidades e expressões de género (grupo LGBTQi+)”; uma Igreja que “coloca em segundo plano as pessoas com deficiência, os mais pobres, os marginalizados e, consequentemente, desprotegidos, privilegiando atitudes assistencialistas nas situações de pobreza e institucionalização nos grupos mais vulneráveis”.

O documento sinaliza também críticas à formação “dos vários agentes pastorais, com destaque para os sacerdotes, que apresentam uma formação deficiente quer para lidar com os problemas humanos da vida contemporânea, quer para trabalhar com os leigos”. “Por outro lado, os ministros ordenados não têm formação adequada para responder a questões emergentes, como as que resultam da diversidade de género, o que dificulta um verdadeiro acolhimento de pessoas com orientações sexuais diferentes e que devem merecer atenção pastoral”, acrescenta.

Os católicos portugueses exigem “uma Igreja mais transparente no combate aos abusos sexuais”, mas entendem que “ao assumir e corrigir erros do passado, como no caso dos abusos de menores, a Igreja continua a ser uma referência positiva no seio da sociedade”.

O documento agora divulgado pela CEP pede também “uma Igreja mais transparente e rigorosa nas suas formas de decisão e gestão, menos refém das lógicas das hierarquias” e alude a “uma Igreja pouco disponível para discutir de forma aberta e descomplexada a possibilidade de tornar opcional o celibato dos sacerdotes e a ordenação de homens casados e das mulheres”.

O texto aponta também para a necessidade da formação dos “seus presbíteros através da vida da beleza e da cultura”, pede que se “assuma como um imperativo as causas da ecologia integral e a defesa da Casa Comum” e defende a necessidade de se conseguir encontrar “uma harmonia na definição e cumprimento de requisitos para o acesso aos sacramentos”.

A síntese faz ainda referência à “forma deficiente” como a Igreja comunica, “reagindo mais do que propondo” e adianta que a Igreja se debate com problemas financeiros, que embora pouco valorizados pela esmagadora maioria das dioceses, preocupa alguns dirigentes, que vêm a necessidade de se garantir uma maior sustentabilidade”.

Apesar destes aspetos negativos, “a Igreja é tida globalmente como uma instituição credível, presente nos locais onde ninguém ousa ir e solidária com os mais desfavorecidos”. E “para todos, o principal fruto do processo sinodal é o prolongamento do sínodo até o estabelecer como modo de viver na Igreja”.

O documento salienta “a necessidade de ir ao encontro dos jovens, dando-lhes maior voz e protagonismo na dinamização de atividades e nas instâncias eclesiais de decisão” e alude à “importância de se consolidar a consciência sinodal, dando continuidade a esta dinâmica de caminhada conjunta”.

Nesta síntese, a CEP conclui que “o mundo precisa de uma “Igreja em saída”, que rejeite a divisão entre crentes e não crentes, que olhe para a humanidade e lhe ofereça mais do que uma doutrina ou uma estratégia, uma experiência de salvação, um “golpe de dom” que atenda ao grito da humanidade e da natureza”.

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