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Francisco escreve Carta sobre liturgia para acabar com controvérsias

29 jun, 2022 - 12:25 • Aura Miguel

Documento de 65 parágrafos reafirma a importância da comunhão eclesial centrada no rito que resultou da reforma litúrgica pós-conciliar.

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A Carta Apostólica Desiderio desideravi (Desejei intensamente) foi publicada esta quarta-feira e o seu objetivo é "oferecer alguns pontos de reflexão para contemplar a beleza e a verdade do modo de celebrar cristão”.

Dirigido aos bispos, sacerdotes e diáconos, às pessoas consagradas e aos fiéis leigos, o documento tem 65 parágrafos e reafirma a importância da comunhão eclesial centrada no rito que resultou da reforma litúrgica pós-conciliar.

“Redescobrir a beleza da liturgia, abrir-se à formação e deixar-se formar por ela, pode ajudar a limpar o campo de tantas inadequações”, escreve Francisco. “Se participar da celebração significa ‘ouvir as palavras’ de Jesus e ‘ver os seus gestos, mais vivos do que nunca', não podem prevalecer o protagonismo narcisista do celebrante, a espetacularização, a rigidez austera ou o desleixo e banalização”. O Papa recorda que a liturgia "fonte e cume" da vida cristã não pode ser “transformada no campo de batalha onde se tenta passar uma visão da Igreja que não aceita o que foi estabelecido sinodalmente pelo Concílio Ecuménico Vaticano II”.

O Santo Padre considera que "todos os aspetos da celebração devem ser cuidados (espaço, tempo, gestos, palavras, objetos, roupas, canto, música) e todas as rubricas devem ser observadas”. Esta atenção é fundamental para celebrar o mistério pascal na modalidade ritual que a Igreja institui, bem como “garantir a qualidade e a norma da ação celebrativa”. No entanto, mas isto não será ainda suficiente para tornar plena nossa participação”, recorda o Papa, “se faltar o espanto pelo mistério pascal presente na concretude dos sinais sacramentais, poderíamos realmente arriscar ser impermeáveis ao oceano de graça que inunda cada celebração".

Face à perplexidade da pós-modernidade, do individualismo, do subjetivismo e do espiritismo abstrato, Francisco convida a regressar às grandes constituições conciliares, inseparáveis umas das outras. E acrescenta que “seria trivial ler as tensões, infelizmente presentes em torno da celebração, como uma simples divergência entre diferentes sensibilidades em relação a uma forma ritual”. Para o Papa, "o problema é sobretudo eclesiológico, pois por trás das batalhas pelo rito, existem diferentes conceções da Igreja”.

Por isso, “não se pode reconhecer a validade do Concílio e não aceitar a reforma litúrgica nascida da Sacrosanctum Concilium.”

O Santo Padre considera fundamental a formação, especialmente nos seminários, que “certamente terá efeitos positivos também na ação pastoral”, porque a pastoral "mais do que o resultado de programas elaborados, é a consequência de colocar a celebração eucarística dominical, fundamento da comunhão, no centro da vida comunitária". E acrescenta: “Não é autêntica uma celebração que não evangeliza, assim como não é autêntico um anúncio que não conduz a um encontro com o Ressuscitado na celebração.”

No final desta Carta, Francisco deixa um apelo: “Abandonemos a controvérsia para ouvirmos juntos o que o Espírito diz à Igreja, guardemos a comunhão, continuemos a maravilhar-nos com a beleza da liturgia”.

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