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Mera posse de armas nucleares é imoral, diz Papa

21 jun, 2022 - 13:56 • Aura Miguel

“Como podemos imaginar carregar no botão para lançar uma bomba nuclear?”, interroga-se Francisco.

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Numa mensagem enviada aos participantes na primeira reunião dos Estados signatários do Tratado sobre Proibição de Armas Nucleares, que decorre em Viena, o Papa considera imoral a posse e utilização de armamento nuclear.

Francisco sublinha que “a paz é indivisível e universal” e que “é errado e autodestrutivo pensar que a segurança e a paz de alguns estão separadas da segurança e paz coletivas de outros”.

O texto da mensagem foi lido presencialmente pelo arcebispo Paul Gallagher, secretário do Vaticano para as relações com os Estados.

“Num sistema de segurança coletiva, não há lugar para armas nucleares e outras armas de destruição em massa”, escreve o Papa.

“Com efeito, se levarmos em consideração as principais ameaças à paz e à segurança com suas múltiplas dimensões neste mundo multipolar do século (…) estas preocupações são ainda maiores quando consideramos as consequências humanitárias e ambientais catastróficas que se seguiriam de qualquer uso de armas nucleares, com efeitos devastadores, indiscriminados e incontáveis, ao longo do tempo e do espaço.”

Francisco considera que “as armas nucleares são um passivo caro e perigoso” e representam um “multiplicador de risco” que fornece apenas uma ilusão de “uma espécie de paz”.

Por isso, reafirma que “o uso de armas nucleares, assim como sua mera posse, é imoral” e que “tentar defender e garantir a estabilidade e a paz através de uma falsa sensação de segurança e de um equilíbrio do terror, acaba inevitavelmente por envenenar as relações entre os povos e obstruir qualquer forma possível de diálogo real.

O Santo Padre apela a uma maior responsabilidade a nível dos Estados e a nível pessoal.

“Qualquer que seja nosso papel ou estatuto, cada um de nós tem vários graus de responsabilidade: como podemos imaginar carregar no botão para lançar uma bomba nuclear? Como podemos, em sã consciência, empenhar-nos na modernização dos arsenais nucleares?”, interroga-se.

Nesta mensagem, Francisco considera também apropriado que este Tratado reconheça que a educação para a paz “pode desempenhar um papel importante na tomada de consciência dos riscos e consequências das armas nucleares para as gerações atuais e futuras”.

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