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Guerra na Ucrânia

Jesuítas em Portugal disponibilizam casas para acolher refugiados

05 mai, 2022 - 16:32 • Ângela Roque

Duas habitações, em Esposende e na Charneca da Caparica, têm capacidade para 60 pessoas. "É uma missão a que todos somos chamados”, diz à Renascença Rita Carvalho, do gabinete de comunicação dos jesuítas.

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A Companhia de Jesus decidiu disponibilizar duas habitações para acolher quem chega a Portugal para fugir da guerra na Ucrânia. Uma decisão “natural”, diz à Renascença Rita Carvalho, do gabinete de comunicação dos jesuítas, tendo em conta que “desde a primeira hora” que estão a ajudar os refugiados ucranianos.

“Nas paróquias e colégios, mas também através das nossas organizações mais vocacionadas para este trabalho, como o JRS – Serviço Jesuíta aos Refugiados, ou o Centro Comunitário de São Cirilo, no Porto, que apoia migrantes”, o envolvimento tem sido constante.

“Estamos a falar de ações muito diversas, desde grupos que realizaram operações de resgate, junto à fronteira ucraniana, até recolhas de bens de primeira necessidade, para enviar para a Ucrânia ou para distribuir por quem chegou”, afirma Rita Carvalho.

“Sentimos que era preciso dar mais um passo, porque as respostas de acolhimento acabam por ser escassas para a quantidade de pessoas que está a chegar. Somos chamados a abrir as portas das nossas casas, tal como as famílias também o estão a fazer, e pôr à disposição alguns imóveis da Província Portuguesa da Companhia de Jesus”, sublinha aquela responsável.

As duas casas – uma a norte, outra a sul – têm capacidade para acolher 60 pessoas, e vão ter missões diferentes. A de Esposende, que é normalmente usada para atividades da juventude e para as férias dos jesuítas, vai servir “para uma resposta mais de emergência”, e a semana passada “já recebeu 37 pessoas que tinham acabado de chegar da Ucrânia e precisavam de um sítio para estar até terem uma resposta de acolhimento de longo prazo”. A gestão do espaço e das famílias acolhidas está a ser feita pelo Centro Comunitário São Cirilo.

O outra casa disponibilizada é na Charneca da Caparica, e quer ser uma resposta de médio-longo prazo para famílias “que já chegaram a Portugal há algumas semanas e precisam de ter mais autonomia e um espaço onde possam ficar por mais tempo”. A casa, que era uma antiga residência jesuíta, não estava a ser utilizada, por isso está ainda em obras, mas Rita Carvalho acredita que “será possível abrir portas em junho”. Vai ser gerida “em articulação com entidades oficiais e parceiros locais”.

"Sentimos que era preciso dar mais um passo, porque as respostas de acolhimento acabam por ser escassas"

As iniciativas inserem-se na ‘Missão Acolher Ucrânia’, dos jesuítas, que pode ser acompanhada no site criado para o efeito. “Vamos dando feedback de como é que as coisas estão a correr, e das necessidades a que é preciso dar resposta, porque estas casas, além das reparações, têm de ser mantidas”.

“Há sempre muitas necessidades, mas também muitas formas de colaborar, quer seja com um donativo, quer seja ajudando a limpar uma casa”, afirma Rita Carvalho, que espera que muitos “possam juntar-se a esta missão e ajudar estas pessoas que estão a fugir de uma situação tão terrível, e não sabemos por quanto tempo”.

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