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Mensagem Pascal do Papa: "Por favor, não nos habituemos à guerra"

17 abr, 2022 - 11:15 • Redação

A guerra na Ucrânia esteve no centro da benção "Urbi et Orbi" deste domingo, mas Francisco deixou na sua mensagem referências explícitas a muitos outros focos de conflito. "Existe ainda em nós o espírito de Caim, que vê Abel não como um irmão, mas como um rival, e pensa como há de eliminá-lo", apontou o Papa.

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Mensagem Pascal do Papa: "Por favor, não nos habituemos à guerra"
Mensagem Pascal do Papa: "Por favor, não nos habituemos à guerra"

O Papa Francisco pediu este domingo paz para o mundo, apelando "por favor" a que "não nos habituemos à guerra"

"Deixemos entrar a paz de Cristo nas nossas vidas, nas nossas casas, nos nossos países", proclamou Francisco, na Praça de São Pedro.

"Os nossos olhos estão incrédulos, nesta Páscoa de guerra. Demasiado sangue, vimos; demasiada violência. Também os nossos corações se encheram de medo e angústia, enquanto muitos dos nossos irmãos e irmãs tiveram de se fechar nos subterrâneos para se defender das bombas", disse Francisco, que, sem surpresa, destacou na sua mensagem a guerra em curso na Ucrânia.

"Haja paz para a martirizada Ucrânia, tão duramente provada pela violência e a destruição da guerra cruel e insensata para a qual foi arrastada. Sobre esta noite terrível de sofrimento e morte, surja depressa uma nova aurora de esperança. Escolha-se a paz! Deixe-se de exibir os músculos, enquanto as pessoas sofrem. Por favor, não nos habituemos à guerra, empenhemo-nos todos a pedir a paz, em alta voz, das varandas e pelas ruas! Quem tem a responsabilidade das nações, ouça o clamor do povo pela paz."

"Trago no coração todas e cada uma das numerosas vítimas ucranianas, os milhões de refugiados e deslocados internos, as famílias divididas, os idosos abandonados, as vidas destroçadas e as cidades arrasadas. Não me sai da mente o olhar das crianças que ficaram órfãs e fogem da guerra", acrescentou o Papa.

Sublinhando que o mundo soma "dois anos de pandemia, que deixaram marcas pesadas", Francisco defendeu que este seria, por isso, o momento adequado para "sairmos do túnel juntos, de mãos dadas, juntando as forças e os recursos". Todavia, a realidade vai demonstrando que "existe ainda em nós o espírito de Caim, que vê Abel não como um irmão, mas como um rival, e pensa como há de eliminá-lo".

Perante este quadro, Francisco concluiu: "Temos necessidade do Crucificado ressuscitado para acreditar na vitória do amor, para esperar na reconciliação. Hoje mais do que nunca precisamos d’Ele, precisamos que venha colocar-Se no meio de nós e nos diga mais uma vez: 'A paz esteja convosco!'"

Neste apelo, Francisco não deixou de referir explicitamente outros pontos de conflito onde quer ver "paz e reconciliação": Líbano, Síria, Iraque, Líbia, Iémen, Myanmar, Afeganistão, Etiópia, República Democrática do Congo.

O Papa lembrou também "as populações do leste da África do Sul, atingidas por enchentes devastadoras" e as populações da América Latina, afetadas por múltiplas carências sociais, como "criminalidade, violência, corrupção e tráfico de drogas.

"Deixemo-nos vencer pela paz de Cristo! A paz é possível, a paz é um dever, a paz é responsabilidade primária de todos!", proclamou.

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