Tempo
|
A+ / A-

​Cardeal diz que doutrina sobre homossexualidade deve ser revista

03 fev, 2022 - 17:57 • Ângela Roque

Jean Claude Hollerich, arcebispo do Luxemburgo e relator geral do Sínodo dos Bispos, defende que a Igreja não pode continuar a considerar este tipo de relacionamentos “pecaminosos”, porque essa é uma “visão errada”.

A+ / A-

Classificar a relação homossexual como pecaminosa “é errado”, defendeu o cardeal Jean-Claude Hollerich em entrevista à Agência de Notícias Católica da Alemanha (KNA).

Nas declarações, citadas pelo National Catholic Reporter, o arcebispo do Luxemburgo - que preside à Comissão das Conferências Episcopais da União Europeia (COMECE) – acredita que “o fundamento sociológico-científico” dos ensinamentos da Igreja nesta matéria “já não é correto”, e que chegou a altura de os rever, sugerindo que a maneira como o Papa Francisco tem falado sobre a homossexualidade poderá levar a uma mudança da doutrina.

“É importante que a Igreja permaneça humana”, sublinhou o cardeal , depois de admitir que conhece “padres e leigos homossexuais na arquidiocese de Luxemburgo” e que todos eles sabem que “têm uma casa” na Igreja.

“Connosco, ninguém é demitido por ser homossexual, nunca alguém foi demitido por causa disso”, nem por ser divorciado recasado, garantiu, deixando mesmo a pergunta: “Alguma vez uma decisão dessas pode ser cristã?”.

Esta posição, favorável a uma mudança no ensino da Igreja sobre a homossexualidade, é particularmente significativa tendo em conta que Hollerich foi o cardeal que o Papa nomeou como relator-geral do Sínodo de 2023, cujo processo de consulta já está a decorrer.

Jesuíta, Jean Claude Hollerich é arcebispo do Luxemburgo desde 2011. Foi o primeiro luxemburguês a ser criado cardeal, em 2019, na mesma dada do português Tolentino Mendonça. Desde 2018 que preside à COMECE, a Comissão das Conferências Episcopais da União Europeia. O ano passado presidiu às cerimónias de 13 de agosto em Fátima, naquela que é conhecida como a “peregrinação dos emigrantes”, sendo próximo de muitos portugueses que vivem no Luxemburgo.

A posição do Papa Francisco relativamente aos homossexuais tem sido de acolhimento. Ainda recentemente, numa das audiências públicas de janeiro, se referiu ao tema, pedido aos pais que acolham e apoiem os filhos nessas circunstâncias e não os condenem.

A doutrina da Igreja mantém relativamente ao casamento: o sacramento do matrimónio só é possível quando firmado entre um homem e uma mulher.

A bênção das uniões entre homossexuais não é permitida. Em 2021 o gabinete doutrinal do Vaticano emitiu, mesmo, um documento a proibir os padres católicos de abençoar as uniões entre pessoas do mesmo sexo.

Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.

  • Paulo De Sousa Pinto
    17 fev, 2022 Lisboa 22:27
    Porque é que a emissora católica portuguesa faz questão de dar notícias que contrariam directamente a doutrina da Igreja e confundem as ovelhas? Não parece que valha a pena espalhar a má doutrina, como se fosse uma questão opinável e sujeita a plesbicito. Guarda o depósito e espalha a boa nova Renascença.
  • V F
    03 fev, 2022 Lisboa 23:09
    Nunca demitiu. É louvável. E terá admitido candidatos e leigos?

Destaques V+