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“Igreja tem de aprender a trabalhar em rede”

21 set, 2016 - 19:41 • Ângela Roque

Jornalistas e responsáveis pela comunicação de várias dioceses vão estar reunidos quinta e sexta-feira em Fátima. As Jornadas Nacionais da Comunicação Social apostam este ano na partilha de experiências e na criação de um plano de Comunicação para a Igreja Católica em Portugal.

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Director do Secretariado Nacional das Comunicações Sociais desde Abril, o padre Américo Aguiar já fez um périplo pelas várias dioceses para saber como funcionam em termos de comunicação. Pelo caminho encontrou muitos e bons exemplos que serão partilhados nestes Jornadas: “Vamos disponibilizar tempo para nos ouvirmos uns aos outros. Eu fiz a viagem por todas as dioceses do país. Desde Maio, até há quase uma semana atrás, fui auscultar aquilo que é a experiência viva da pastoral das comunicações sociais em cada diocese, incluindo a das Forças Armadas.”

“Porque o que acontece em Lisboa ou no Porto não é o mesmo que em Braga, Bragança, Vila Real ou Algarve. Cada uma tem as suas especificidades, e tem muito para ensinar e partilhar. Eu já os ouvi a todos, agora é importante que eles se ouçam uns aos outros”, explica.

A ideia, garante, “não é cada um carpir as suas mágoas. Queremos partilhar o que há de bom, os bons exemplos, falar das dificuldades e dos desafios, também, mas queremos que tudo seja feito numa perspectiva positiva e construtiva”.

Muitas dioceses já têm equipas e gabinetes de imprensa, órgãos de comunicação próprios e site. Ensinar como se faz e aprender a trabalhar em rede são os objectivos desta partilha. “A rede é a palavra chave do mundo digital, e nós temos algumas dificuldades em trabalhar em rede, copiar aquilo que é bem feito pelo outro. Temos que ultrapassar estas dificuldades”, sublinha Américo Aguiar, que reconhece que a própria forma como se comunica também tem de ser trabalhada.

A aposta pode passar por ter mais leigos disponíveis para este serviço: “Às vezes é mais fácil a um leigo entender e trocar por miúdos, sintonizar aquilo que é a pergunta, o problema e a linguagem da própria resposta. Às vezes nós, clérigos, não temos essa agilidade. Costumo dizer, a brincar, que a nossa linguagem é tal que, em televisão ou rádio, há uma pergunta e nós quando vamos começar a responder já acabou o tempo, já ninguém que saber o que é que temos para dizer”.

“Pensar a comunicação na Igreja Católica em Portugal” é o tema destas Jornadas, que o padre Américo considera uma etapa na caminhada que se quer fazer com vista à criação de um Plano de Comunicação para a Igreja em Portugal. Na conferência final (“Ideias e Acções para um Plano de Comunicação na Igreja Católica”) participam Fernando Ilharco, professor na Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica, e o padre José Maria Gil Tamayo, secretário da Conferência Episcopal Espanhola, que trará a sua experiência no país vizinho, onde a realidade é diferente (“Espanha tem 70 dioceses, mais ou menos, nós temos 20”, lembra Américo Aguiar), mas onde muitos porta-vozes já são leigos, nalguns casos mulheres.

“A composição das equipas nas dioceses, serviços e departamentos com leigos é um trabalho que temos de desenvolver, mas sempre com a preocupação de ser a pessoa mais competente, senhor ou senhora, para dar resposta aquela situação”, sublinha o director do Secretariado Nacional das Comunicações Sociais e também presidente do grupo Renascença Multimédia.

As Jornadas decorrem quinta e sexta-feira na Casa Domus Carmeli, em Fátima.

Comentários
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  • Melícias
    22 set, 2016 Lisboa 18:58
    E já agora, aprender também a meter o nariz só onde deve!

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