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Fundos Europeus

Mariana lança bicada a Marcelo. "Aquilo que pode contribuir para a estabilidade política é vivermos menos de cenários"

22 mai, 2024 - 23:36 • José Pedro Frazão

A antiga ministra da Presidência diz que não faz sentido distinguir a importância dos fundos europeus face a qualquer espaço de intervenção política "ou mesmo eleições", numa resposta aos avisos de Belém para os prejuizos de uma crise orçamental.

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Imigração. O que é urgente fazer em Portugal e na Europa?
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A socialista Mariana Vieira da Silva rejeita a contradição entre o exercício da democracia e os fundos comunitários. No programa Casa Comum, da Renascença, a antiga ministra da Presidência responde a Marcelo Rebelo de Sousa que esta terça-feira alertou que "uma crise orçamental não é boa notícia" para a execução de fundos europeus.

"Não é possível alimentar essa ideia de que a democracia e a execução de fundos comunitários estão em contradição, porque então eu escolho sempre a democracia", sustenta a dirigente do PS, insistindo em contradizer a ideia de que os fundos são mais importantes do que "qualquer espaço de intervenção política ou mesmo eleições", tal como afirmou quando tinha a tutela do financiamento comunitário no Governo de António Costa.

A vice-presidente da bancada parlamentar socialista sublinha que a ideia de que Portugal tinha problemas sobre a execução dos fundos é "errada" e "nunca se verificou". Vieira da Silva assegura que Portugal tem capacidade de executar os fundos. "É isso que temos mostrado ao longo das últimas décadas e vamos voltar a mostrar".

Contra os cenários de Belém

Mariana Vieira da Silva diz que a construção de cenários políticos também não ajuda à estabilidade política, numa resposta implícita às palavras de Marcelo Rebelo de Sousa.

"Posso concordar com a ideia de que a estabilidade política ajuda à execução de fundos comunitários. Mas aquilo que pode contribuir para a estabilidade política é vivermos menos de cenarizações. Este não é o tempo de nos pronunciarmos sobre o Orçamento para 2025, que será discutido na Assembleia e depois promulgado ou não pelo Presidente da República", devolve a antiga ministra do PS.

A dirigente socialista admite que a realização de duas eleições e a ocorrência de dois períodos "longos" de governos em gestão teve impactos na aplicação do Plano de Recuperação e Resiliência, mas assegura que o país tem capacidade de ultrapassar possíveis impactos da realização de eleições na execução dos fundos comunitários.

Alertas para todos

No programa Casa Comum, da Renascença, o social-democrata Duarte Pacheco alerta para o prazo curto que sobra para recuperar novos atrasos na execução do PRR, apesar de concordar que os fundos não são mais importantes que a democracia.

"É verdade que, havendo atrasos, eles podem ser recuperados. Mas o espaço para essa recuperação cada vez é menor, porque a meta está muito próxima. Se os fundos fossem até 2030, não havendo orçamento para 2025, haveria tempo para depois recuperar desse atraso. Só que agora já não temos esse tempo recuperar do atraso. Ou gastamos ou não gastamos", afirma o ex-deputado do PSD.

Duarte Pacheco defende que Marcelo Rebelo de Sousa quis deixar um alerta não apenas para o PS mas para todos os agentes políticos.

"Há uma pressão para todos. O Governo tem que ter capacidade de apresentar um orçamento que possa merecer a confiança, mas, por outro lado, os partidos da oposição têm que ter presente esta mensagem quando tiverem que o votar, sabendo que se não for aprovado, viveremos numa crise que provoca sempre adiamento de decisões", alerta o comentador do programa Casa Comum.

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