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Reportagem

Chega ganhou no Algarve. "Pode mudar, ficar igual ou pior. Um gajo não sabe, mas pelo menos há mudança"

11 mar, 2024 - 21:36 • João Mira Godinho

Resultados das legislativas foram o tema do dia num mercado de Olhão. Já os líderes regionais do PS e PSD admitem que algarvios não têm tido resposta do poder central em matérias fundamentais.

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Nos mercados de Olhão, junto a uma banca onde se vê uma bandeira do Chega, a meio da manhã desta segunda-feira, já depois de passada a azáfama, um grupo de vendedores discute os resultados das legislativas. Um dia depois da eleições, o tema é o partido de André Ventura que, pela primeira vez, foi o mais votado num círculo eleitoral: em Faro. E conquistou a vitória em seis concelhos algarvios, incluindo Olhão.

José Manuel Fernandes, 55 anos, comerciante no mercado há 30, resume à Renascença o sentimento dominante: “Acima de tudo, acho que é um grito de revolta das populações, que acham que algo é preciso fazer. Algo é preciso mudar”.

Ao lado, Hélder Almeida, de 45 anos, também comerciante, concorda: “vamos lá ver... Pode ser que mude como pode ser que fique igual ou pior. Um gajo não sabe. Mas, pelo menos, há mudança”.

O grupo continua a falar sobre as eleições. Se nem todos votaram no Chega, compreendem quem o fez. Como compreendem que o voto no Chega foi um protesto e não uma opção pela extrema-direita populista, a que normalmente o partido é colado.

“Não adianta eu estar a apelidar de fascismo ou adjetivar com nomes menos bonitos, dizer que quem quer entrar é mau e os que lá estão é que são bons e vão salvar isto. E o que é que a gente vê?”, questiona ainda José Manuel Fernandes. “Temos de acreditar em alguém e se esse alguém é o Chega ou o Ventura... podia ser outro qualquer”, conclui.

PS e PSD admitem descontentamento

Se a opinião popular vê no Chega um protesto contra os dois partidos que têm ocupado o poder, os líderes regionais de PS e PSD fazem a mesma interpretação. E, de alguma forma, compreendem a vitória do partido de André Ventura no Algarve.

“Ao longo dos anos, em matérias essenciais para a região, desde a questão da seca até às magnas questões do hospital central ou da requalificação da EN125 ou ainda das portagens [na A22], o facto é que não têm sido dadas respostas em matérias fundamentais para os algarvios”, reconhece Cristóvão Norte, presidente dos sociais-democratas do Algarve.

Já Luís Graça, líder dos socialistas na região, em comunicado, diz “tomar em devida nota o desalento com que muitos algarvios se expressaram” e promete que o partido “não irá ficar indiferente ao resultado eleitoral na região”.

No Algarve, o Chega atingiu os 27,19% dos votos (vencendo nos concelhos de Olhão, Albufeira, Portimão, Loulé, Lagoa e Silves – onde a Câmara é presidida pela CDU). O PS, que ficou em primeiro nos restantes 10 municípios algarvios, obteve 25,46% no total regional, a AD conquistou 22,39% dos votos.

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