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Legislativas 2024

O vaso de flores e a tese de que Marcelo vai "criar condições" para acordo da AD com Chega. O dia frenético do PS

03 mar, 2024 - 22:28 • Susana Madureira Martins

Dia frenético na caravana do PS com cinco ações de campanha. Pedro Nuno Santos pede "serenidade" depois de um vaso de flores atirado de uma varanda contra a caravana em Guimarães. Autarca de Vizela convicto que o Presidente da República "vai criar condições" para Luís Montenegro "fazer acordo" com Chega.

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"Tem as mãos quentinhas": a tirada de uma apoiante do PS que apertou a mão de Pedro Nuno Santos à chegada da caravana socialista às Caxinas, em Vila do Conde.

O temporal e o frio dos últimos dias amainou por umas horas e começou aí o dia frenético do líder do PS.

O esquema de campanha? O mesmo de sempre.

Na transição para a segunda semana de campanha, o PS acelera o passo e aposta tudo no Norte do país, onde o partido preside a várias câmaras.

É o fim-de-semana de conforto dos socialistas contra "aqueles que tinham já arrogância de que achavam que iam ganhar", disse Pedro Nuno Santos nas Caxinas. Às dezenas de pescadores presentes na arruada desta vila do litoral Norte do país falou da "inspiração" e "exemplo de luta". E da dívida pública.

Numa intervenção marcadamente ideológica, Pedro Nuno Santos começou por dizer que o PS conseguiu "diminuir a dívida e ter excedente". É o que vai permitir fazer "a escolha que nós temos para fazer", resume o líder socialista.

É a escolha entre gastar o excedente "com quem não precisa, com os bancos, com as maiores empresas ou se nós queremos investir no povo, no Estado social, nos serviços públicos, nos ossos hospitais".

É a defesa do legado de António Costa, como diria Pedro Nuno mais à frente no final da arruada de Vizela, mas o PS tem "mais 10, 20, 30 anos para construir um país onde se possa viver melhor".

Marcelo "vai criar condições" para coligação da AD com o Chega

Precisamente em Vizela surgiu a tese de que o "não é não" de Luís Montenegro não é definitivo. O PS, tal como em 2022, dramatiza e acena com o fantasma de o Chega poder chegar ao poder via PSD.

Coube ao autarca de Vizela, Vítor Hugo Salgado, muito próximo de Pedro Nuno Santos, a verbalizar o que o líder socialista evita.

"Montenegro já disse que não vai fazer coligação com o Chega", disse, no final de uma arruada com bombos e foguetes.

Luís Montenegro é o mesmo candidato, lembrou Salgado, que concorreu as eleições à câmara de Espinho e "perdeu duas vezes".

O líder do PSD é também o mesmo que perdeu por duas vezes as eleições internas para a liderança e "andou a vida toda a trabalhar para ser primeiro-ministro", continuou.

E a partir daí, o autarca de Vizela lançou a pergunta às dezenas de pessoas na plateia, para irem "para casa pensar nisso".

"No dia a seguiir às eleições se ele precisar de fazer uma coligação com o Chega para chegar ao poder, acham que ele vai para Espinho?"

Vítor Hugo Salgado lançou a pergunta e deu a resposta: "Claro que não vai para Espinho". E acrescentou que "se não tiver condições para fazer essa coligação, o nosso Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, vai criar condições para ele poder fazer esse acordo e desmentir o que tem dito nesta campanha", provocando uma enorme vaia da plateia a Marcelo.

A referência ao Presidente da República e a ligação direta a um eventual acordo da AD com o Chega no pós-eleições é uma dramatização que ainda não tinha sido feita na campanha do PS, e sobretudo nunca por Pedro Nuno Santos.

Apelos à "serenidade" depois de um vaso de flores atirado de uma varanda em Guimarães

O desenho da campanha de Pedro Nuno Santos é em tudo semelhante, por exemplo, ao de António Costa nas legislativas de 2022. A diferença entre o ex-líder e o atual nota-se é no contacto de rua e é radicalmente diferente.

Ao contrário do ex-líder, Pedro Nuno Santos entra pelas casas de apoiantes adentro para subir a varandas, pára para tirar fotografias com quem lhe pede, pára para dar beijinhos e abraços.

Foi o que aconteceu nas Caxinas, em Guimarães e em Vizela. Pedro Nuno cultiva um tipo de proximidade física que Costa sempre evitou.

Nem tudo é apego ao novo líder socialista, porém. As arruadas têm um grau de imprevisibilidade que não é possível controlar e foi o que aconteceu este sábado em Guimarães.

Já perto da praça do Toural, o PS seguia em plena festa e viu instalar-se uma irritação geral entre os apoiantes por causa das críticas de um homem que à varanda da própria casa gritava contra a passagem da caravana socialista.

Pedro Nuno Santos seguiu em frente, mas grande parte dos apoiantes ficou para trás, com insultos de parte a parte e com o homem a acabar por atirar à multidão um pequeno vaso com plantas, gerando a confusão.

Um incidente que Pedro Nuno Santos evitou classificar, apenas referindo que este é um "dos momentos mais altos da democracia", apelando à "serenidade" e "respeito pela visão dos outros", concluindo que "isso é a vida democrática".

Um dia de mobilização total na caravana socialista que quis evitar dar demasiado gás ao incidente.

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