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Legislativas 2024

Momento Marinha Grande de Luís Montenegro abafou a mensagem dos socialistas

28 fev, 2024 - 19:54 • Susana Madureira Martins

Caravana do PS apostou em três temas ao quarto dia de campanha: aborto, pensões e a resposta a Passos Coelho sobre imigração, mas a lata de tinta verde derramada sobre Luís Montenegro apagou o dia de Pedro Nuno Santos.

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O dia foi (quase) todo para a AD. Melhor, esta quarta-feira foi (quase) toda para Luís Montenegro e por mais que Pedro Nuno Santos fizesse ou dissesse tornou-se difícil ao líder do PS marcar a agenda.

Mal acabou a visita a uma incubadora de startups, no centro de Leiria, Pedro Nuno Santos trazia duas críticas ensaiadas ao líder da AD: o "ruído" causado pelas declarações do vice-presidente do CDS, Paulo Núncio, a defender um novo referendo ao aborto e a promessa de Montenegro de demitir-se se alguma vez tivesse de cortar pensões.

O que Pedro Nuno Santos não contava era que Montenegro logo pela manhã tivesse o seu momento Marinha Grande, com um ativista climático a atirar tinta verde ao líder do PSD.

Antes mesmo da habitual arruada no centro da cidade de Leiria, o secretário-geral socialista teve de dar a mão a Montenegro e conceder uma "condenação" ao protesto em plena campanha. "Lamento profundamente e não se deve repetir", reconheceu Pedro Nuno Santos.

Pedro Nuno Santos foi mesmo à Marinha Grande, no distrito de Leiria, mas em ambiente controlado. Foi ali, em 1986, que Mário Soares foi esbofeteado por trabalhadores desempregados. Nesta quarta-feira, o líder socialista visitou uma fábrica de moldes de plástico que exporta para diversos países e em que o dono da empresa é um apoiante do PS, com uma declaração de apoio na porta e tudo.

O líder socialista tinha seis iniciativas marcadas em Leiria e Santarém e acabou por ter de cancelar uma pelo meio, um centro social em Peniche, devido ao atraso da caravana na visita a uma fábrica de moldes. O contacto com idosos e eventuais pensionistas ficou pelo caminho, bem como eventuais críticas à AD e a Montenegro sobre cortes de pensões.

"As pensões estão a ser pagas pelos imigrantes"

Depois de dois dias sem se pronunciar sobre as declarações de Pedro Passos Coelho, que num comício da AD em Faro, associou imigração à segurança, o líder do PS centrou precisamente aí o discurso do almoço com militantes no centro de Leiria.

Não se referiu a Passos, nem sequer falou daquele discurso de Faro, mas foi clara a resposta do líder socialista ao ex-presidente do PSD e antigo primeiro-ministro: "vários setores da economia paravam se travássemos a imigração", atirou o líder socialista, que também apresentou contas.

"Não é só a economia que ganha, é a Segurança Social e temos de combater a desinformação. 1600 milhões de euros de saldo positivo, é o contributo dos trabalhadores imigrantes em Portugal, isto corresponde a 40% do excedente da Segurança Social em 2022", defendeu o líder socialista.

Com a proposta de estudar novas fontes de financiamento da Segurança Social no programa eleitoral do PS, Pedro Nuno Santos salientou que "as pensões em Portugal estão a ser financiadas por trabalhadores imigrantes" e pediu duas vezes "respeito" pela comunidade estrangeira em Portugal.

Um remoque a Passos Coelho com um atraso de dois dias, mas que surge numa altura em que, sabe a Renascença, os estudos de opinião internos do PS dão o Chega a disputar com os socialistas o segundo lugar no distrito de Faro e os do PSD dão mesmo ligeira vantagem ao partido de André Ventura.

É admitido à Renascença por um dirigente socialista que a participação de Passos Coelho no comício da AD no Algarve não foi inocente e teve como objetivo captar um eleitorado que está a escapar-se para o Chega.

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