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Debate da Rádio

"Cavaco Silva exigiu os acordos escritos em 2015 e bem": o que disseram os partidos sobre governabilidade

26 fev, 2024 - 11:45 • Hugo Tavares da Silva

Pedro Nuno Santos juntou-se a Mariana Mortágua na valorização dos acordos escritos. Montenegro garantiu que a política de alianças se restringe a CDS, PPM e IL

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O que disseram os partidos sobre governabilidade?
O que disseram os partidos sobre governabilidade?

O tema da governabilidade dividiu profundamente os blocos no derradeiro debate, que esteve no ar nas rádios Renascença, Antena 1, TSF e Observador. Traçaram-se cenários, esboçaram-se desafios, desenharam-se perguntas e ensaiaram-se ora silêncios (ou tabus), ora desabafos em surdina. No derradeiro encontro entre os líderes dos partidos com assento parlamentar, para o qual André Ventura do Chega optou por não comparecer, brotaram amenas picardias políticas.

Pedro Nuno Santos (PNS), candidato a primeiro-ministro pelo Partido Socialista, defende acordos escritos à esquerda para enfrentar a próxima legislatura, no caso de haver uma maioria de esquerda no Parlamento. PNS foi além e elogiou Cavaco Silva, exatamente por essa exigência do então Presidente em 2015.

“Sempre defendi que os acordos devem ser escritos por razões de transparência e clareza”, esclareceu o líder do PS. “Isso permite que haja compromissos claros perante o povo, não impede que façamos mais do que está na posição conjunta”, disse, dando força ao que Paulo Raimundo (CDU) dizia sobre o mesmo tema, que indicou que o tema das creches e dos passes, por exemplo, viveu para lá do acordo de entendimento inicial dos partidos que compunham a gerigonça.

“Anibal Cavaco Silva exigiu [os acordos escritos] e bem. Foi um grande contributo para a estabilidade”, confessou, numa posição que colhe a mesma ideia por parte de Mariana Mortágua, do Bloco de Esquerda. Deveria, então, Marcelo Rebelo de Sousa exigir o mesmo? “Não digo o que um Presidente da República deve fazer. Na altura achei bem, tinha a mesma posição do Presidente.”

Os cenários e os puzzles políticos, como aconteceu nos debates televisivos, também estiveram em cima da mesa na antena da rádio. Montenegro voltou a insistir que apenas está focado em ganhar a confiança dos eleitores portugueses e em dar respostas aos problemas dos portugueses. “Há outros que estão preocupados em dizer o que vão fazer quando forem remetidos para a oposição”, acusou. “É um pouco confuso, versões contraditórias.” PNS, que não se compromete a viabilizar qualquer Orçamento do Estado por desconhecer o documento, ia denunciando em surdina: “Está a fugir”. E os jornalistas insistiram.

“Sou muito claro e sou-o desde o início: só serei primeiro-ministro se ganhar as eleições”, continuou o líder do Partido Social Democrata, restringindo a política de alianças à Aliança Democrática, com CDS e PPM, e à Iniciativa Liberal. E, nos entretantos, acrescentou: "Chega a ser completamente incrível ver o Pedro Nuno Santos a dizer que a direita, a AD, vem agora colocar em causa o Estado social, que está num estado calamitoso pela mão do PS".

Rui Rocha, da IL, reforçou a posição que teve nos debates: “Connosco, não sempre foi não. Não fizemos silêncios. Apresentei a Luís Montenegro 10 desafios para a mudança de Portugal. Não viabilizaremos um governo minoritário do PS. Temos um programa completamente diferente, portanto sabemos onde estão as soluções."

Os dois partidos de direita foram incentivados por Rui Tavares, do Livre, a esclarecerem se votariam ao lado de uma moção de rejeição do Chega, e a resposta não foi cabal, nem elucidativa. “Quem vai viabilizar o próximo governo são os portugueses”, atirou Montenegro. Em surdina, voltou a ouvir-se Pedro Nuno Santos: “Continue assim que vai ver…”

Raimundo pediu força para a CDU e para a esquerda para uma “correlação de forças”, insistindo que serão os conteúdos a ditar futuras políticas e entendimentos. “A pergunta é sempre a mesma: qual é o conteúdo? É responder ao problema dos salários? Dos direitos?”, questionou.

Mariana Mortágua, do BE, profetizou mais uma vez que não haverá qualquer maioria absoluta, pelo que “importa as alternativas em jogo”, valorizando o tal acordo escrito para poder ser escrutinado. “Vale a pena haver um entendimento se for possível melhorar as condições de vida das pessoas.”

Inês Sousa Real, do PAN, criticou a “propaganda socialista”, não dando sinais se, no pós-10 de março, vai piscar o olho à direita ou à esquerda. “Precisamos de ir mais longe e apontar para o futuro. A crise da habitação é das maiores que temos e precisamos de um sinal claro”, alertou. Foi aqui que chocou com Mortágua, enquanto Sousa Real defende linha de crédito para os jovens, a líder bloquista prefere uma descida nos juros do crédito, com intervenção da Caixa Geral de Depósitos.

O último a intervir neste bloco sobre governabilidade foi Rui Tavares, o tal que lançou o repto aos partidos de direita (“era uma pergunta tão simples”, disse, frustrado). De resto, apontou o holofote para Marcelo para o que vem aí: “O papel do Presidente da República é muito importante se entrarmos em mini-ciclos políticos”.

O derradeiro debate entre os candidatos dos partidos com assento parlamentar aconteceu esta segunda-feira nas rádios Renascença, TSF, Antena 1 e Observador.

Veja ou reveja o debate aqui no YouTube da Renascença.


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