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Federação Portuguesa pela Vida

Campanha também tem de falar das “questões estruturantes da dignidade humana”

20 fev, 2024 - 07:30 • Ângela Roque

Federação Portuguesa pela Vida apresenta esta terça-feira o manifesto “O Valor do Outro”, contra a cultura do individualismo e do descarte, e quer discutir o documento com os vários partidos dia 27 de fevereiro.

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Em tempo de eleições, a Federação Portuguesa pela Vida (FPV) apresenta esta terça-feira o manifesto "O Valor do Outro", que lembra que "nas últimas décadas, sob o manto e o pretexto da liberdade pessoal e da autonomia, foi crescendo a cultura do individualismo que hoje parece ser dominante; uma cultura que em nome da autonomia descarta qualquer verdade, moral, ética, até a própria realidade, impondo como único critério o eu".

"Nesta sociedade o outro deixou de ter a mesma dignidade que eu, para passar a ser tantas vezes visto como um empecilho à minha liberdade e à minha autonomia, pecado máximo do credo contemporâneo", lê-se no documento. Em declarações à Renascença, José Maria Seabra Duque diz que o objetivo é tomar posição contra esta cultura dominante, e sair em defesa da dignidade humana.

"O manifesto quer ser, no fundo, um objeto de trabalho para nos ajudar a colocar diante da atual situação política. Partimos deste ponto de partida, desta sociedade individualista e do descarte, que se esqueceu que o outro tem igual dignidade", começa por explicar, adiantando que o documento aborda "vários pontos que nos preocupam especialmente, como a questão do aborto e da eutanásia, a liberdade de consciência e também a liberdade de educação, a questão da família e a questão da solidariedade".

Para a FPV é, ainda, fundamental tomar posição face a determinadas opções políticas.

"Em Portugal as mulheres que abortam, em geral abortam porque não têm quem as apoie, e as pessoas que pedem para morrer – foi referido em todas as campanhas da eutanásia – fazem-no porque estão sozinhas e mal acompanhadas. Isto nasce da cultura do individualismo, e nós, porque sabemos que a política faz cultura, temos o dever de intervir politicamente, quanto mais não seja através do nosso voto, para tentar construir uma cultura de respeito pelo outro, uma cultura de amor ao próximo", sublinha Seabra Duque, que espera que daqui a uma semana, a 27 de fevereiro, seja possível discutir o documento com representantes dos vários partidos.

"Convidámos todos os partidos com assento parlamentar para virem conversar sobre o nosso manifesto. Sabemos que nem todos concordam connosco - aliás, a maior parte não concorda connosco -, mas queremos também conhecer a posição dos partidos sobre estes temas. Foi um desafio que lançámos democraticamente a todos os partidos com assento parlamentar, e esperamos que todos sejam representados", refere.

Recentemente, pelos 17 anos do referendo que legalizou o aborto (11 de fevereiro), a Federação Portuguesa pela Vida denunciou a desproteção em que o Estado deixou muitas mulheres grávidas, lamentando a prioridade que alguns partidos têm dado às leis fraturantes, que põem em causa o respeito pela dignidade humana.

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