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"O meu filho enviou-me um email" sobre o caso das gémeas, admite Marcelo

04 dez, 2023 - 18:12 • Ricardo Vieira

Presidente da República nega favorecimento e adianta que enviou para a PGR as informações entretanto apuradas por Belém. De acordo com Marcelo Rebelo de Sousa, o seu chefe da Casa Civil reportou ao chefe de gabinete do primeiro-ministro o caso das gémeas que sofrem de uma doença rara.

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"O meu filho enviou-me um email" sobre o caso das gémeas, admite Marcelo. Veja o discurso completo
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O Presidente da República admite que recebeu um email do seu filho, Nuno Rebelo de Sousa, sobre o caso das gémeas que foram tratadas com um medicamento de dois milhões de euros no Hospital Santa Maria, em Lisboa, mas nega qualquer favorecimento.

Marcelo Rebelo de Sousa adianta que enviou esta segunda-feira para a Procuradoria-Geral da República as informações (mensagens eletrónicas), entretanto, apuradas pela Presidência sobre os factos ocorridos há quatro anos.

“Apurou-se que no dia 21 [de outubro de 2019] o Dr. Nuno Rebelo de Sousa, meu filho, enviou-me um email em que dizia que um grupo de amigos da família das gémeas se tinha reunido e estava a tentar a todo o transe que elas fossem tratadas em Portugal”, disse o chefe de Estado, em conferência de imprensa realizada no Palácio de Belém.

De acordo com Marcelo Rebelo de Sousa, a intervenção da Presidência da República no caso das gémeas decorreu num período de dez dias, entre 21 de outubro e 31 de outubro de 2019".

Marcelo Rebelo de Sousa adianta que comunicou a situação ao seu chefe da Casa Civil, que dias mais tarde, “a 31 de outubro [de 2019], enviou, como faz sempre, para o chefe de gabinete do senhor primeiro-ministro” e também ao gabinete do secretário de Estado das Comunidades.

De acordo com o chefe de Estado, o seu filho, Nuno Rebelo de Sousa, contactou também a então assessora para os assuntos sociais da Presidência, Maria João Ruela, e o chefe da Casa Civil.

Em resposta enviada Nuno Rebelo de Sousa, a 23 de outubro de 2019, é referido que: "o processo foi recebido [pelo Hospital Santa Maria] e estão a ser analisados vários casos do mesmo tipo, estando a ser analisados doentes internados e seguidos em hospitais portugueses, sendo que a capacidade de resposta é muito limitada e depende de decisões médicas do hospital e do Infarmed", referiu Marcelo Rebelo de Sousa.

Mais tarde, o chefe da Casa Civil respondeu a Nuno Rebelo de Sousa que que: "a prioridade é dada aos casos que estejam a ser tratados nos hospitais portugueses, daí que ainda não tenham sido contactados, nem é previsível que o sejam rapidamente. O SNS cobre em primeiro lugar a situação de pessoas que residam ou se encontrem em Portugal. Os portugueses residentes no estrangeiro têm o direito a ser tratados pelos sistemas de saúde dos países onde residam nos termos das convenções de Segurança Social ou, no caso da UE, da legislação europeia".

Marcelo nega favorecimento

O Presidente da República nega qualquer favorecimento e garante: "olhei para o meu filho como qualquer cidadão".

“É o próprio Dr. Levy Gomes [diretor de neuropediatria do Hospital Santa Maria] que diz que eu lhe disse que não havia privilégio nenhum para ninguém e, por maioria de razão, para filho de Presidente. E este procedimento mostra isso. A posição da Dra. Maria João Ruela e do chefe da Casa Civil são muito claras sobre a convicção que havia de que realmente havia uma prioridade a dar a doentes residentes em Portugal ou que se encontrassem em Portugal e que não era previsível que houvesse uma resposta rápida àquela pretensão. É isso que resulta da documentação”, declarou Marcelo Rebelo de Sousa.

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Questionado pelos jornalistas, Marcelo Rebelo de Sousa responde que tem todas as garantias para continuar no cargo de Presidente da República.

"Ai certamente. Fica claro que o Presidente da República Portuguesa, perante o pedido de um cidadão como qualquer outro, dá um despacho mais neutral e igual ao que deu em 'N' casos, respeita os contactos feitos pela consultora e a posição do chefe da Casa Civil e não há uma intervenção do Presidente da República pelo facto de ser filho ou não ser filho. E depois de ter ido para a presidência do Conselho de Ministros? Isso não sei", adiantou.

O Ministério Público confirmou em 24 de novembro que instaurou um inquérito sobre o caso de duas gémeas vindas do Brasil que foram tratadas no Hospital Santa Maria com o medicamento Zolgensma, um dos medicamentos mais caros do mundo.

Este caso foi revelado por reportagens da TVI, transmitidas desde 3 de novembro, que relatam que duas gémeas de origem brasileira, que entretanto adquiriram nacionalidade portuguesa, vieram a Portugal em 2019 receber o medicamento Zolgensma para a atrofia muscular espinhal, o que representou um custo total de quatro milhões de euros.

A TVI tem repetido que neste caso há suspeitas de influência do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que negou qualquer interferência.

O caso está também a ser analisado pela Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) e é objeto de uma auditoria interna no Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Norte, do qual faz parte o Hospital de Santa Maria.

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  • ze
    05 dez, 2023 aldeia 13:27
    Li num comentário que o Presidente da Républica deveria pedir a demissão e ficaria o Presidente da A.R. a tomar conta dos designios desta républica das ba.......as, Mal por mal que se demita depois de um novo governo tomar posse, caso contrário ficávamos pior, uma pessoa nada isenta e nada imparcial á frente de um país, era uma afronta aos portugueses que ainda gostam e têm esperança num Portugal melhor.
  • José F.
    05 dez, 2023 Guarda 12:33
    Tem que se demitir, obviamente
  • Joaquim Correto
    05 dez, 2023 Paços 09:26
    Ao inicio negava qualquer envolvimento e agora já admite? E trocou as palavras "meter uma cunha" por "alertou"? Tenha a elevação moral que teve o primeiro ministro e demita-se!
  • Joaquim
    04 dez, 2023 Paços 22:37
    Quando ouvi esta noticia (na rádio), vinha no carro e dei uma gargalhada tão grande, que quem me visse dizia que eu era maluco! Então a noticia foi dada tipo "o meu filho alertou para a situação"!!! Então agora uma "cunha" chama-se "alertou"?! Realmente o puder das palavras tem muita força! E claro, como este MP é movido por afeições políticas, vai deixar passar e aceitar o "alertou", e não "meteu um cunha"!
  • EU
    04 dez, 2023 PORTUGAL 21:30
    Como NÃO vivemos num País LIVRE e DEMOCRÁTICO direi apenas que TUDO o que seja dito a respeito deste CASO é como UM GRAO de AREIA num deserto. Já pedi a Políticos, Jornalistas, Comentadores e AFINS para serem SÉRIOS. Sabem que na Guiné Bissau um GRUPO de Militares tomaram a TELEVISÃO PÚBLICA bem como a RÁDIO de ASSALTO? Não sabem? Se não é porque NÃO SABEM TUDO ou não sabem nada. E por AQUI me fico, é melhor não É?
  • ze
    04 dez, 2023 aldeia 20:43
    Mais um caso de "arqueologia politica", lentamente se vão desenterrando peças do esquema.Oxalá que não parem as escavações.
  • Petervlg
    04 dez, 2023 Trofa 19:45
    O Sr. Presidente da Republica, deveria demitir-se. As explicações não convém-se ninguém, já parece Pedro Nuno Santos e Galamba.
  • José Carlos Ferreira
    04 dez, 2023 Vila Verde 18:53
    Está visto que o Marcelo está a mentir. Entendo, que mentindo ou não, se for ele o responsável tem duas consequências: 1º demissão imediata. 2º Pagar o valor do tratamento, nem que para isso tenha que sacrificar todo o seu património e poupanças, bem como, reformas a que tenha direito no futuro, ficando então a viver com o subsidio de sobrevivência.
  • Nuno Santos
    04 dez, 2023 Pinhal Novo 18:52
    ou seja eticamente , Marcelo devia de pedir a sua demissão e ficaria o Sr. Presidente da Assembleia da Republica a frente dos destinos do Pais. até novas eleições para a Presidência da República .

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