A+ / A-

Crise política

Centeno. Estava "muito longe de tomar uma decisão" sobre convite para primeiro-ministro

13 nov, 2023 - 00:22 • Lusa

A Comissão de Ética do Banco de Portugal reúne-se esta segunda-feira para avaliar se Centeno continua a ser independente e se pode manter-se no cargo de governador.

A+ / A-

O governador do Banco de Portugal, Mário Centeno, explicou no domingo que estava "muito longe de tomar uma decisão" sobre o convite para "refletir e considerar a possibilidade de liderar o Governo", feito pelo Presidente da República e pelo primeiro-ministro. As primeiras declarações sobre o convite foram feitas no domingo por Mário Centeno à publicação norte-americana Financial Times.

"Recebi um convite do Presidente e do primeiro-ministro para refletir e considerar a possibilidade de liderar o Governo", afirmou, acrescentando que estava "muito longe de tomar uma decisão".

Na quinta-feira à noite, o primeiro-ministro, António Costa, que apresentou na terça-feira a demissão, defendeu que o governador do Banco de Portugal e ex-ministro das Finanças, Mário Centeno, deveria suceder-lhe na liderança de um novo executivo, no atual quadro parlamentar, e lamentou que o Presidente da República tenha optado por marcar eleições antecipadas.

Na sábado, o jornal Eco noticiou que a Comissão de Ética do Banco de Portugal (BdP) deverá reunir-se hoje para avaliar um eventual conflito de interesse ou eventuais incompatibilidades, depois de o primeiro-ministro ter revelado que indicou ao Presidente da República o nome de Mário Centeno, ex-ministro das Finanças, para o substituir no cargo como líder de um Governo PS.

Questionada pela Lusa sobre o agendamento da reunião, fonte oficial do Banco de Portugal disse que "compete à Comissão de Ética pronunciar-se sobre essa matéria".

De acordo com o regulamento de conduta do supervisor bancário, cabe à Comissão de Ética "promover a elaboração, a aplicação, o cumprimento e a atualização do código de conduta do Banco aplicável aos membros do Conselho de Administração". .

Entre as competências inclui-se "emitir, por sua iniciativa e após audição dos visados, parecer sobre a conformidade de determinada conduta dos membros do Conselho de Administração com o previsto no código de conduta que lhes é aplicável", bem como solicitar aos destinatários do parecer emitido informação sobre a conduta observada. .

A Comissão de Ética reúne-se uma vez por trimestre e extraordinariamente sempre que for convocada por iniciativa de qualquer dos seus membros ou pela solicitação do Conselho de Administração ou do Conselho de Auditoria.

O regulamento estipula que a Comissão de Ética é composta pelo presidente e por dois vogais, nomeados pelo Conselho de Administração, por proposta do governador e do presidente do Conselho de Auditoria, de entre pessoas sem vínculo contratual ao banco e com reconhecido mérito e independência.

A notícia sobre a reunião extraordinária da Comissão de Ética surgiu após as críticas dos partidos da oposição ao convite a Mário Centeno.

"Isto é apenas mais uma demonstração, mas bastante mais grave, da falta de independência que o governador do Banco de Portugal tem", acusou na sexta-feira o líder parlamentar do PSD, Joaquim Miranda Sarmento, em declarações aos jornalistas, no parlamento, desafiando Mário Centeno a dizer se deu a sua anuência para que o primeiro-ministro propusesse o seu nome ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

O líder parlamentar da IL, Rodrigo Saraiva, também foi crítico da solução apontada por António Costa ao chefe de Estado, considerando que o futuro político de Portugal não poderia passar por "uma solução de secretaria". .

Na mesma linha, a deputada do PAN, Inês Sousa Real, deixou críticas à indicação de Mário Centeno, frisando que o partido foi sempre contra as chamadas "portas giratórias".

Por seu lado, o presidente do Chega acusou o governador de falta de independência para liderar a instituição.

Já pelo PS, o líder parlamentar, Eurico Brilhante Dias, defendeu que "qualquer português responsável" deve aceitar o desafio de ajudar o país.

"Se a Mário Centeno fosse pedida a liderança de um Governo, a minha expectativa é que ele responsavelmente aceitasse. Dizer que, perante a circunstância que o país vive, não aceitaria o que é um trabalho em favor de todos não me parece responsável", considerou.

Portugal vai ter eleições legislativas antecipadas em 10 de março de 2024.

Saiba Mais
Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.

Destaques V+