Tempo
|
A+ / A-

PS-Madeira

PS aponta porta de saída a Cafôfo no Governo. "Não há muita dúvida"

06 out, 2023 - 19:47 • Susana Madureira Martins

Entre os socialistas há desconforto com a intenção de Paulo Cafôfo manter-se como secretário de Estado das Comunidades no caso de ganhar as eleições para a liderança do PS-Madeira. E pode nem concorrer sozinho. Carlos Pereira estará a equacionar avançar com uma candidatura alternativa.

A+ / A-

Paulo Cafôfo bem pode dizer que ser candidato ou líder do PS-Madeira não é incompatível com as funções de secretário de Estado das Comunidades, mas na direção nacional do partido a questão não é assim tão líquida e a prazo a saída do Governo é até dada como certa.

À Renascença um alto dirigente do PS diz mesmo que Paulo Cafôfo "quer seja ou não candidato a presidente [do PS-Madeira] não fica no Governo". O que significa que qualquer que seja a decisão do secretário de Estado das Comunidades o destino está mais ou menos traçado. "Não há muita dúvida", refere a mesma fonte.

O entendimento na direção nacional socialista é que a área dos Negócios Estrangeiros será sempre um eventual alvo da remodelação no Governo, aconteça ela quando acontecer. "O primeiro-ministro quando mexer é um dos sítios que mexe", reforça este socialista.

Numa altura em que o ministro dos Negócios Estrangeiros, João Gomes Cravinho, está debaixo de fogo no processo "Tempestade Perfeita", o mesmo dirigente do PS assume ainda como "provável que [João Gomes] Cravinho saia" quando a remodelação acontecer, rematando que "o PS tem boas pessoas para o lugar".

Regressando ao PS-Madeira, trata-se de um partido com autonomia e estrutura própria. Ora, é esse mesmo facto que faz com que na direção nacional exista desconforto pela vontade de Cafôfo em manter-se no Governo. "Apesar de tudo, o PS-Madeira não é uma federação", refere outro dirigente socialista à Renascença.

Ou seja, para o PS nacional não é a mesma coisa ter um líder do PS-Madeira no Governo ou ter um presidente de uma distrital como secretário de Estado, sendo este o caso, por exemplo, de António Mendonça Mendes, adjunto de António Costa, que é presidente da Federação de Setúbal.

Por ser a tal estrutura autónoma, um deputado socialista deixa a questão: sendo Cafôfo secretário de Estado e candidato ao PS regional vai "defender a Madeira ou a República em temas controversos?".

O mesmo socialista questiona-se ainda porque é que Cafôfo "não foi candidato a presidente do Governo, dado que o ainda líder do PS-Madeira é um pau mandado dele?"

Carlos Pereira equaciona avançar com candidatura ao PS-Madeira

Na terça-feira, Paulo Cafôfo anunciou no Diário de Notícias da Madeira que é, de novo, candidato à liderança do PS regional. E poderá não concorrer sozinho. A Renascença sabe que Carlos Pereira, vice-presidente da bancada socialista na Assembleia da República, estará a equacionar avançar com uma candidatura alternativa.

Carlos Pereira já foi ele próprio líder do PS-Madeira na altura em que António José Seguro liderou o PS e dura desde essa altura a animosidade que o deputado não esconde ter em relação a Paulo Cafôfo e que ficou patente nas declarações que fez esta semana.

Na direção socialista é dado como certo que o deputado socialista que, recentemente, esteve no olho do furacão à boleia da comissão de inquérito à gestão da TAP "vai avançar" para a liderança do PS-Madeira.

À Renascença, é mesmo dito por um alto dirigente socialista que "em bom rigor", Carlos Pereira "foi o único que teve sondagens a um ponto do Albuquerque", considerando que o PS deixou passar a altura ideal para atacar a liderança do Governo regional da Madeira.

A mesma fonte acrescenta que "a verdade é que nunca foi descoberto um talento" para ser alternativa ao PSD na Madeira e "a grande oportunidade tinha sido a transição do Jardim para Albuquerque".

O que é preciso agora, segundo este dirigente socialista, "é arranjar um candidato que se mantenha consolidadamente na oposição". Ou seja, não pode ser alguém que esteja com um pé na Madeira e outro no Continente, como Cafôfo.

Há uma crítica de base da direção nacional do PS ao secretário de Estado das Comunidades. Cafôfo, ao perder as eleições regionais da Madeira em 2019, demitiu-se da liderança do PS, "foi tratar da vida no entretanto e meteu lá um senhor simpático", resume a mesma fonte. Uma referência a Sérgio Gonçalves, atual líder do PS regional e "homem de mão" de Cafôfo.

A esperança da direção nacional socialista nem sequer está no futuro imediato do PS-Madeira. Está no facto de Miguel Albuquerque poder ter "um ciclo manifestamente mais curto".

O mesmo dirigente socialista questiona se Albuquerque "tem condições para cumprir o mandato" e remata com um "vamos ver se a senhora do PAN não se torna independente", referindo-se a Mónica Freitas, deputada que viabilizou o Governo regional da Madeira ao aceitar um acordo de incidência parlamentar.

Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.

  • De Arêde
    07 out, 2023 R.s.a 01:53
    Ok

Destaques V+