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Montenegro recusou-se a participar na escolha de novo diretor da secreta militar

01 ago, 2023 - 18:30 • Lusa

Decisão surge na sequência da retirada de confiança política à secretária-geral do SIRP, devido à atuação das "secretas" nos incidentes no Ministério das Infraestruturas, a 26 de abril.

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O líder do PSD recusou-se a participar na escolha do novo diretor da secreta militar, após ter avisado em junho que a direção daquele serviço deixaria de ter a confiança dos sociais-democratas se a secretária-geral do Sistema de Informações da República Portuguesa (SIRP) não fosse demitida.

Esta notícia foi avançada pelo Observador e confirmada à agência Lusa por fonte do PSD.

A recusa de Luís Montenegro surge depois de, em 9 de junho, o líder do PSD ter avisado, numa carta escrita ao primeiro-ministro, que a direção das "secretas" deixaria de merecer a confiança dos sociais-democratas caso António Costa não demitisse a secretária-geral do SIRP, Graça Mira Gomes, devido à atuação das "secretas" nos incidentes no Ministério das Infraestruturas em 26 de abril.

"Caso não ocorra qualquer demissão, quero que V. Ex.ª saiba que passará a ocorrer um facto inédito em toda a democracia portuguesa: a direção do SIRP deixará de ter a confiança do maior partido da oposição. Espero que o SIRP continue a servir o Estado, mas fá-lo-á apenas com o aval e a confiança do Governo", escrevia Luís Montenegro.

O líder social-democrata insistia na "necessidade de substituir a secretária-geral do SIRP", por considerar que, "apesar do abuso do Governo ao solicitar, na prática, a intervenção do SIRP" na recuperação do computador levado do Ministério das Infraestruturas na noite de 26 de abril, "este serviço nunca devia ter acedido a tal solicitação".

"Pode teimar em manter tudo na mesma. É até o mais provável face à promiscuidade que, neste caso, existiu entre o Governo e os serviços de informações. Mas nessa circunstância quebra-se a regra política segundo a qual os dirigentes destes serviços beneficiam simultaneamente da confiança do Governo e do principal partido da oposição", lia-se na missiva.

Na segunda-feira, António Costa indigitou o diplomata José Pedro Marinho da Costa como diretor do Serviço de Informações Estratégicas de Defesa (SIED), segundo uma nota divulgada pelo seu gabinete, na qual era referido que "o primeiro-ministro informou o líder do principal partido da oposição, Dr. Luís Montenegro", da decisão.

Segundo a mesma nota, "irão agora ser desencadeados os procedimentos para a nomeação" de José Pedro Marinho da Costa, em particular a sua audição na Assembleia da República.

O último diretor do SIED foi Carlos Alberto Raheb Lopes Pires, que tomou posse como secretário de Estado da Defesa Nacional em 19 de julho, substituindo Marco Capitão Ferreira, que se demitiu do Governo após ter sido constituído arguido na operação "Tempestade Perfeita".

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