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Imigração

"A cópia perde para o original". Marcelo pede "bom senso" a Montenegro e Moedas

14 fev, 2023 - 16:15 • Susana Madureira Martins , Manuela Pires , Diogo Camilo

Presidente da República diz que é "fácil ir atrás das emoções" no tema da imigração e alerta que declarações emocionais "correm o risco de serem irracionais" e de se tornarem populistas.

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Marcelo Rebelo de Sousa avisou esta terça-feira que é “muito fácil ir atrás de emoções” no que toca ao tema da imigração, pedindo “bom senso” ao líder do PSD, Luís Montenegro, e ao presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, a propósito do incêndio na Mouraria que matou duas pessoas na semana passada.

“É facílimo ir atrás das emoções. Mas quando se vai atrás das emoções há dois problemas: primeiro, a emoção muitas vezes não é racional; segundo, aquele que é mais emocional ganha sempre. A cópia perde sempre para o original”, disse o presidente da República, em declarações no Palácio de Belém.

Marcelo começou por dizer que não comenta posições de partidos ou dirigentes políticos, mas rapidamente pediu “muito bom senso” a quem fala sobre os assuntos da imigração, referindo que se fala de pessoas e de problemas do país.

“Declarações muito emocionais, feitas em cima de casos, correm o risco de serem irracionais e de irem a reboque de posições mais emocionais, que terão mais sucesso em termos de captar a opinião pública”, disse, em referência às declarações de Montenegro, que falou na "imoralidade" de “trabalhadores ganharem menos do que outros que nada fazem”.

Para o Presidente da República, o problema não é “andar a disputar votos a ver quem é mais emocional - alguns dirão mais populista”.

Montenegro. “Crítica? Para mim não é de certeza”

Em reação, o líder social-democrata diz ter a certeza que as declarações de Marcelo Rebelo Sousa não eram para si.

“Não ouvi, mas posso ter a certeza absoluta que não se dirigiu a mim. O Presidente da República é uma pessoa sensata e que me conhece bem. Conhece os meus valores morais, éticos e humanos e sabe que eu não poderia propugnar algo que não fosse de valorização da dignidade das pessoas”, disse.

Montenegro diz mesmo que é “escandaloso” que o critiquem sobre o tema da imigração e o acusem de ser xenófobo, indicando que há cinco anos que defende uma nova regulação que não implique o fechar as portas aos imigrantes

"Eu não fecho as portas a ninguém, defender este programa não significa que as portas se fecham para os outros. Sinceramente, acho que se podiam distrair a falar do que interessa às pessoas e não em manobras de retórica semântica", criticou.

Na semana passada, a propósito do incêndio na Mouraria que matou duas pessoas, Carlos Moedas defendeu que se deve estabelecer limites por setores à imigração e criticou que seja possível atualmente a entrada de imigrantes em Portugal sem contrato de trabalho.

Já Luís Montenegro considerou que o país deve receber imigrantes "de forma regulada" e "procurar pelo mundo" as comunidades que possam interagir melhor com os portugueses.

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