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André Ventura quer apoio de 125€ fiscalizado. "Não pode ser gasto em droga, tabaco e álcool"

25 out, 2022 - 12:23 • Diogo Camilo

Líder do Chega defende que se fiscalize onde os portugueses vão gastar o dinheiro, porque pais vão usar os apoios para "consumos impróprios". Chega propõe que o apoio de 125 euros dado pelo Governo se prolongue até ao final de 2023.

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O líder do Chega, André Ventura, defendeu esta terça-feira que os apoios de 125 e 50 euros para ajudar as famílias a enfrentar a escalada de preços causada pela inflação “não podem ser gastos em droga, tabaco e álcool”, defendendo que se fiscalize onde os portugueses vão gastar esse dinheiro, porque “os contribuintes têm direito a saber onde é que o seu dinheiro está a ser gasto”.

Nas suas propostas para o Orçamento do Estado para 2023, o Chega propõe que o apoio de 125 euros dado pelo Governo se prolongue por todo o ano de 2023, uma medida que custaria cerca de 10 mil milhões de euros, além da não tributação dos subsídios de férias e de Natal - algo que custaria 1,9 mil milhões de euros.

Em entrevista ao "Observador", Ventura confirma essa proposta, mas também um aumento da fiscalização aos apoios do Governo. “Entendemos que muita gente se vai apropriar destes valores para ficar com o dinheiro, mas não no sentido de apoiar os filhos.”

O líder do Chega fala ainda que os apoios podem vir a ser utilizados em “consumos impróprios". “Há muitas famílias de rendimentos mais baixos que, sabemos, até por força dos relatórios escolares - muitas vezes, nem à escola vão -, que ficam com esse dinheiro para eles, muitas vezes até para consumos impróprios, de tabaco e de álcool, e não o dão aos filhos, que era o suposto.”

Questionado sobre como teria o Estado a ver onde os 50 ou 125 euros são gastos, Ventura apontou à criação de “mecanismos para saber se aquele dinheiro foi canalizado para os bens alimentares ou bens supérfluos”, um reforço de fiscalização que custaria cerca de 30 milhões.

“Acho que as famílias que estão em casa percebem que o esforço suplementar que estão a fazer para o Orçamento do Estado não pode ser gasto em droga, tabaco e álcool. Talvez ouçamos isto e pensemos: agora o Estado vai entrar em casa das pessoas? Mas o Estado está a dar dinheiro que é dos contribuintes todos”, acrescenta o líder do Chega.

Na mesma entrevista ao "Observador", Ventura voltou a defender a demissão dos ministros Pedro Nuno Santos, Manuel Pizarro e Ana Abrunhosa, após situações de incompatibilidades no Governo, referindo que “ninguém foi mais atacado” do que o próprio nas questões de exclusividade de cargos.

O deputado fala ainda em “manter a TAP como companhia de bandeira” e que fala pontualmente com o líder do PSD, Luís Montenegro, e com o novo presidente da Assembleia da República, Augusto Santos Silva.

Sobre a rejeição dos candidatos do Chega a vice-presidentes no Parlamento, Ventura diz acreditar que o chumbo a Gabriel Mithá Ribeiro “não tenha sido uma questão de racismo”, referindo que o que há em comum entre os nomes chumbados “é que são do Chega”.

Questionado ainda sobre um possível apoio a Pedro Passos Coelho nas próximas eleições presidenciais, Ventura não conseguiu dizer com certeza, mas referiu que o mesmo “não parece provável”.

Sobre a saída do líder da Iniciativa Liberal, João Cotrim Figueiredo, e sobre se está “agarrado ao cargo”, Ventura diz ser “o líder com menos apego ao cargo que existe” e que a Cotrim “provavelmente tem conflitos no partido que o Chega não tem e tem divisões na bancada parlamentar que o Chega provavelmente não tem”.

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