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Mais duas saídas no CDS. Inês Teotónio Pereira e João Maria Condeixa desfiliam-se do partido

30 out, 2021 - 16:25 • Lusa

Anúncio surge horas depois de Adolfo Mesquita Nunes ter divulgado a sua desfiliação e após o congresso eletivo ter sido adiado para depois das eleições legislativas.

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A antiga deputada do CDS-PP Inês Teotónio Pereira e o ex-dirigente nacional centrista João Maria Condeixa anunciaram, este sábado, a sua desfiliação do partido, argumentando já não reconhecerem a formação política em que acreditaram e se filiaram há décadas.

O anúncio de Inês Teotónio Pereira e João Maria Condeixa acontece horas depois de Adolfo Mesquita Nunes ter divulgado a sua desfiliação do CDS-PP e após o Conselho Nacional do partido ter aprovado o adiamento, para depois das eleições legislativas, do congresso eletivo que deveria realizar-se a 27 e 28 de novembro, em Lamego.

"Todos aqueles que votaram nesta direção deviam hoje pedir desculpa aos militantes do CDS e aos seus apoiantes pela humilhação a que sujeitaram o partido. Pelo menos aqueles que têm um mínimo de decência. O CDS não é o mesmo partido que sempre foi - está mais perto do PCTP-MRPP - e eu não pertenço ali. Por isso, e ao fim de décadas de militância, desfilio-me hoje com enorme tristeza", justificou Inês Teotónio Pereira, numa publicação na rede social Facebook.

Inês Teotónio Pereira foi deputada do CDS-PP na XII Legislatura, saída das eleições legislativas de junho de 2011, que deram a vitória ao PSD, que veio a formar governo com o CDS-PP, então liderado por Paulo Portas.

Também o antigo dirigente centrista João Maria Condeixa anunciou hoje a sua desfiliação do partido, em que militava há 24 anos, revelando que a decisão que toma não é "circunstancial, embora os mais recentes acontecimentos e o tribalismo vivido no seio do CDS a tenham precipitado".

João Maria Condeixa, que chegou a subscrever moções de pendor liberal com João Almeida e Adolfo Mesquita Nunes, entre outros, afirma ter acreditado "num partido capaz de dizer a palavra progresso sem se assustar ou ver nela fantasmas".

"Acreditei num partido, pluralista e aberto, onde os costumes não tivessem de ser apenas os que costumam. Acreditei no tal partido que fosse capaz de ir libertando o Homem do Estado e fosse construindo o Estado em função do Homem e não o Homem em função do Estado. Esse partido não veio. Pior, foi adiado", argumentou, na carta de desfiliação que partilhou na rede social Facebook.

O antigo dirigente diz sair "na altura em que o partido virou um organismo saprófita e adota uma postura parasitária".

"O futuro do país não está aqui. O futuro das ideias do centro-direita não está aqui. O futuro até pode estar em muitas das pessoas que trilharam e trilham ainda a sua militância. Pode estar em muitas das ideias dessas pessoas. Mas a resposta ao país já não está no CDS que vive em reação e se alimenta de matéria em decomposição", afirma.

"Não sei em que camarata a atual direção aprendeu tal código de honra e atitude na vida, mas foi pena não ter aprendido em casa a decência dos argumentos e do debate. Os processos não se pautam apenas por normas e estatutos, vivem da forma decente e nobre como estes são aplicados. Da minha parte, não compactuo mais com este tribalismo", declarou.

João Maria Condeixa diz que "o centro-direita está lá fora à espera de uma alternativa" e que sai "para esse desafio".

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