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Adriano Moreira elogia fidelidade de Jorge Sampaio à "justiça natural"

10 set, 2021 - 20:28 • Lusa

Antigo líder do CDS assinala o "desgosto da perda" que o país vive com a morte do antigo Presidente da República.

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O antigo líder do CDS-PP Adriano Moreira elogiou esta sexta-feira a “justiça natural” a que sempre foi fiel o antigo Presidente da República Jorge Sampaio, assinalando o “desgosto da perda” que o país vive com a sua morte.

Em declarações à agência Lusa, o professor universitário e antigo líder centrista sublinhou a “adesão nacional” ao sentimento de perda com a morte de Jorge Sampaio, considerando que esta participação “no desgosto da perda” é “devida à justiça a que sempre foi fiel durante a sua vida pública e profissional”.

“Eu acho que ele dirigiu o seu comportamento constantemente presidido pelo que, por vezes chamamos, a justiça natural e a primeira grande manifestação de que eu me recordo - porque ele era muito mais novo do que eu – foi, enquanto estudante, a capacidade mobilizadora ou responsabilizando-se pelos problemas que os estudantes da universidade sustentavam nessa época”, elogiou.

Na perspetiva de Adriano Moreira, foi “com o mesmo espírito" que Sampaio exerceu a profissão de advogado, considerando que “quando entrou na vida política este princípio da justiça natural esteve sempre presente nas decisões tomadas”.

“Primeiro, o prestígio que obteve dentro do partido. Segundo, o prestígio que obteve no país e, depois, o grande prestígio que teve como Presidente da República em que tomou algumas das decisões mais inabituais, mas exigíveis da relação com a dissolução do parlamento”, enalteceu.

Mesmo quando já não exercia funções em Portugal, segundo o antigo líder do CDS-PP, a qualidade que lhe era reconhecida internacionalmente levou a que Jorge Sampaio participasse do movimento da ONU da “relação pacífica, cooperante das diferenças de etnias, culturas e civilizações”.

“Esta é uma intervenção da vida portuguesa nos desafios internacionais que esta sexta-feira está a ser extremamente exigente e que ele enfrentou com grande resultado”, afirmou, destacando ainda as intervenções em relação a Timor-Leste.

O antigo Presidente da República Jorge Sampaio morreu esta sexta-feira aos 81 anos, no hospital de Santa Cruz, em Lisboa.

Antes do 25 de Abril de 1974, foi um dos protagonistas da crise académica do princípio dos anos 60, que gerou um longo e generalizado movimento de contestação estudantil ao Estado Novo, tendo, como advogado, defendido presos políticos durante a ditadura.

Jorge Sampaio foi secretário-geral do PS (1989-1992), presidente da Câmara Municipal de Lisboa (1990-1995) e Presidente da República (1996 e 2006).

Após a passagem pela Presidência da República, foi nomeado em 2006 pelo secretário-geral da Organização das Nações Unidas enviado especial para a Luta contra a Tuberculose e, entre 2007 e 2013, foi alto representante da ONU para a Aliança das Civilizações.

Atualmente presidia à Plataforma Global para os Estudantes Sírios, fundada por si em 2013 com o objetivo de contribuir para dar resposta à emergência académica que o conflito na Síria criara, deixando milhares de jovens sem acesso à educação.

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