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Livre assegura que nunca foi pedido apoio pelo gabinete de Joacine sobre voto de Gaza

23 nov, 2019 - 22:40 • Lusa

“A dificuldade de comunicação passa também por ela, para o gabinete dela uma vez que nunca se dirigiu aos restantes membros da direção a pedir uma ajuda naquele voto específico", diz dirigente do Livre.

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A direção do Livre assegurou, este sábado, que nunca foi pedido pelo gabinete de Joacine Katar Moreira qualquer apoio específico no voto sobre a Palestina e que a deputada e assessores foram avisados antes de emitir o comunicado desta manhã.

Em declarações à agência Lusa, Pedro Nunes Rodrigues, membro do Grupo de Contacto do Livre, a direção do partido, reagiu assim ao comunicado da deputada única do Livre, Joacine Katar Moreira, que garantiu que a abstenção no voto sobre a Palestina não se deveu a "um descaso desta grave situação", mas "à dificuldade de comunicação" com a direção, mostrando-se surpreendida com a posição do partido.

“A dificuldade de comunicação passa também por ela, para o gabinete dela uma vez que nunca se dirigiu aos restantes membros da direção a pedir uma ajuda naquele voto específico. Foi-nos enviado o guião de votações, como nos é enviado todas as semanas, mas na semana passada nós também não nos pronunciamos sobre todas as votações e no entanto não houve nenhuma situação destas de haver uma falha de comunicação”, contrapôs.

Segundo este membro do Grupo de Contacto, como "não foi pedido nenhum acompanhamento específico” para o voto de condenação proposto pelo PCP sobre a "nova agressão israelita a Gaza", o órgão executivo do partido não o deu, apesar de ter recebido “por três vezes o guião de votações”.

“Por exemplo, houve um voto [na mesma sexta-feira] sobre a Amazónia, apresentado pelo PAN, ao qual o gabinete pediu apoio, nós enviamos ao gabinete a nossa posição, a posição que achávamos ser a mais correta e, portanto, nesse caso nós respondemos ao pedido específico”, comparou.

Questionado sobre o facto de a deputada única do Livre dizer que foi surpreendida pelo comunicado da direção desta manhã, Pedro Nunes Rodrigues começou por responder que “o Grupo de Contacto funciona de forma colegial e, portanto, as decisões e todo o tipo de atividade política funciona por maioria com os membros que estão presentes nas discussões”.

“Hoje de manhã, antes sequer de escrevermos o comunicado, informamos a deputada e o gabinete da deputada, os assessores da deputada, que iríamos emitir um comunicado, uma tomada de posição sobre a votação daquele voto de condenação. Cerca de 40 minutos depois publicamos o comunicado, ainda tivemos que o escrever, naquele período de tempo não recebemos também nenhum contacto por parte da Joacine sobre qual era o teor do comunicado ou quando é que o íamos publicar”, disse, contrariando assim a ideia de surpresa.

Pedro Nunes Rodrigues fez ainda questão de deixar claro que “aquilo que está acordado entre a direção do partido e o gabinete da deputada é que quando há dúvidas sobre um voto específico, o grupo de contacto apoia na argumentação sobre a votação num sentido ou no outro”.

“Nós não nos pronunciamos sobre todos os votos até porque o Livre não tem sentido de voto obrigatório. Claro que esperamos que os votos sejam dentro daquilo que é o nosso programa eleitoral, a nossa declaração de princípios, ou seja, todos os documentos alguma vez produzidos no Livre”, acrescentou.

Este membro do Grupo de Contacto começou por destacar que a direção do partido viu o “início do comunicado com bons olhos uma vez que a Joacine se aproxima do posicionamento da direção do Livre e o posicionamento do Livre nos últimos seis anos”.

Para domingo à tarde estava já marcada uma Assembleia do Livre, na sede do partido, em Lisboa, cuja ordem de trabalhos, entre várias outras matérias, “tem um ponto de discussão sobre os trabalhos parlamentares”, supondo o dirigente que “este será um dos temas a ser discutido”.

“Da parte do grupo de contacto nós já temos os esclarecimentos e vamos continuar a trabalhar com a deputada como temos trabalhado até aqui para que a legislatura corra da melhor forma, sem problemas de comunicação”, assegurou.

O Livre manifestou hoje de manhã preocupação com a abstenção da deputada única Joacine Katar Moreira na condenação pela "nova agressão israelita a Gaza", aprovado na sexta-feira no parlamento, um voto "em contrassenso" com o programa e as posições do partido, de acordo com o comunicado do Grupo de Contacto, a direção do partido.

Na sexta-feira, o plenário da Assembleia da República, aprovou o voto apresentado pelo PCP de "condenação da nova agressão israelita a Gaza e da declaração da Administração Trump sobre os colonatos israelitas", texto que teve votos contra de PSD, CDS-PP, Chega e Iniciativa Liberal, bem como a abstenção da deputada única do Livre, Joacine Katar Moreira, e do deputado socialista Ascenso Simões.

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  • Cidadao
    24 nov, 2019 Lisboa 13:09
    Essa não é a questão. A questão aqui é que a deputada Joacine Katar, uma vez eleita, fez tábua rasa do programa eleitoral do Livre, e está no parlamento a defender a agenda própria, e não a agenda do partido porque foi eleita. R.T. tem um problema entre mãos. Ela não foi eleita para defender a agenda própria, mas retirar-lhe a confiança política e substituí-la, é fazer dela uma "mártir". No entanto, R.T., tem de fazer alguma coisa ou o Livre passa a ser uma anedota.

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