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Agricultores do Oeste terminam marcha lenta de 13 horas

05 fev, 2024 - 18:57 • Lusa

A marcha lenta decorreu no IC2, entre o concelho de Rio Maior (no distrito de Santarém) e a Benedita, no concelho de Alcobaça (distrito de Leiria).

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O protesto dos agricultores do Oeste que esta segunda-feira efetuaram uma marcha lenta no Itinerário Complementar (IC) 2, na Benedita, com cerca de 40 tratores, terminou cerca 18h00, sem incidentes, informou a organização.

O protesto iniciado cerca das 5h00 mobilizou durante a manhã cerca de 40 tratores, máquinas agrícolas e veículos afetos ao transporte de gado e durante a tarde "teve ainda maior adesão, formando filas de sete ou mais quilómetros, até que os agricultores desmobilizaram, pouco depois das 18h00, tendo cumprido o seu objetivo", disse à agência Lusa Paulo Ribeiro, da organização.

A marcha lenta decorreu no IC2, entre o concelho de Rio Maior (no distrito de Santarém) e a Benedita, no concelho de Alcobaça (distrito de Leiria), numa demonstração do "descontentamento dos agricultores da região Oeste, dentro da linha da contestação do Movimento Civil de Agricultores", que na passada quinta-feira promoveu manifestações em vários locais do país.

No protesto de hoje participaram sobretudo agricultores da região do Oeste que "sempre em coordenação com a GNR e pacificamente" efetuaram "uma marcha lenta durante a manhã e outra durante a tarde, sem qualquer incidente, apesar do congestionamento do trânsito", na via, que nunca esteve cortada, explicou Paulo Ribeiro.

O grupo vai agora "aguardar as diretrizes nacionais e o resultado das negociações que estão a decorrer com o Ministério da Agricultura", admitindo o agricultor que "possam realizar-se outros protestos".

Num manifesto distribuído durante a marcha lenta, os manifestantes explicavam contestar o facto de "frutas, carne e hortícolas oriundos de países terceiros" não serem "sujeito às mesmas regras e imposições de produção em Portugal", sendo o consumidor "cativado pelo preço baixo" de produtos estrangeiros, em relação aos quais consideram ser "omitido o uso [na produção] de fitofármacos e medicamentos proibidos na União Europeia".

Os agricultores repudiam "a abertura de portas, por parte da UE, ao Mercosul [Mercado Comum do Sul]", considerando tratar-se de "concorrência desleal, com prejuízo efetivo dos interesses e da segurança alimentar dos consumidores".

"A inexistência de uma estrutura ou comissão séria e idónea que regule e supervisione os mercados ligados à produção agrícola cria entraves sérios ao escoamento da produção a um preço justo para o produtores", criticam os agricultores, considerando "imprescindível capacitar o setor agrícola", desde os produtores aos prestadores de serviços e à indústria.

No atual cenário geopolítico marcado por "guerras, catástrofes naturais e alterações climáticas", os manifestantes alertam para a urgência de "implementar medidas concretas "que defendam os interesses Portugal e dos portugueses em tempos de escassez, de especulação e de inflação", pode ler-se no manifesto.

O Governo avançou com um pacote de ajuda de mais de 400 milhões de euros destinados a mitigar o impacto provocado pela seca e a reforçar o Plano Estratégico da Política Agrícola Comum (PEPAC), garantindo que a maior parte das medidas entra em vigor este mês, com exceção das que estão dependentes de "luz verde" de Bruxelas.

A Comissão Europeia vai preparar uma proposta para a redução de encargos administrativos dos agricultores, que será debatida pelos 27 Estados-membros a 26 de fevereiro.

Os protestos dos agricultores portugueses são organizados pelo Movimento Civil de Agricultores, que se juntou às manifestações que têm ocorrido em outros países europeus, incluindo França, Grécia, Itália, Bélgica, Alemanha e Espanha.

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