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Alerta da Ordem

Se enfermeiros fizessem greve às horas extraordinárias, "SNS não resistiria"

10 out, 2023 - 12:53 • Carla Fino

Bastonária da Ordem dos Enfermeiros "entende que a segurança dos doentes está posta em causa com a greve dos médicos às horas extraordinárias".

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Os enfermeiros escrevem ao Presidente da República e avisam que, se também aderissem à greve às horas extraordinárias,o Serviço Nacional de Saúde "não resistiria".

Em Carta Aberta, dirigida a Marcelo Rebelo de Sousa, a Ordem dos Enfermeiros partilha as medidas apresentadas ao Ministério da Saúde. A bastonária "entende que a segurança dos doentes está posta em causa com a greve dos médicos às horas extraordinárias".

Ana Rita Cavaco recorda que "todas as carreiras devem ser revistas, também os sindicatos de enfermeiros têm sucessivamente solicitado ao senhor ministro da Saúde a reabertura das negociações". Sublinha por isso que "nunca uma Ordem Profissional pode deixar de defender a segurança dos cuidados prestados às pessoas, bem como a sua vida".

Na Carta enviada a Belém, a Ordem dos Enfermeiros lembra que "Portugal tem uma média de 7,3 enfermeiros por mil habitantes quando a média dos países da OCDE é de 8,7 enfermeiros por mil habitantes. O mesmo relatório refere, também, a média de médicos por mil habitantes que, em Portugal, é superior à média dos países da OCDE". Defendem por isso que na resolução dos constrangimentos do SNS "não se pode falar apenas de reforço orçamental, é urgente mudar a organização do trabalho no SNS".

Os enfermeiros dão, como exemplo, a própria organização do seu trabalho "organizados por turnos de manhã, tarde e noite numa semana de sete dias e sem limite legal de realização de horas extraordinárias". Defendem que a causa para os actuais constrangimentos no SNS é "não se ter avançado com a mesma organização de trabalho para os médicos".

"Há quem acredite que a reforma urgente que é preciso concretizar do SNS pode ser feita apenas com os médicos, embora existam pretensões legítimas desta classe profissional", sublinha a Ordem dos Enfermeiros que lembra que se a classe optasse também por fazer greve às horas extraordinárias, o SNS não resistiria. "Isto porque os Enfermeiros infelizmente, são os grandes recordistas das horas extraordinária".

A Ordem defende por fim, que é "possível e legítimo reivindicar sem colocar em causa a segurança dos doentes", afirmando que estão sempre ao serviço das pessoas e do país ao fazer parte da solução, propondo medidas concretas.

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