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Quase três mil professores colocados, mas escolas têm ainda 1.300 horários vazios

08 set, 2023 - 20:41 • Lusa

De acordo com a análise feita por Arlindo Ferreira, foram pedidos 220 horários para escolas em Lisboa, 103 em Setúbal e 59 em Faro.

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Quase três mil docentes foram colocados esta sexta-feira, a maioria contratados, em resultado da segunda reserva de recrutamento, mas as escolas ainda têm cerca de 1.300 horários vazios, sobretudo em Lisboa, Setúbal e Algarve.

Depois de, na semana passada, terem sido colocados perto de três mil docentes, a segunda reserva de recrutamento permitiu às escolas preencher outras tantas vagas.

No total, foram colocados 2.924 professores. "Foram colocados 2.355 contratados e 589 professores do quadro", explicou à Lusa o professor Arlindo Ferreira, especialista em estatísticas da educação.

Não foi, no entanto, suficiente para colmatar as necessidades dos estabelecimentos de ensino, havia ainda cerca de 1.300 horários em contratação de escola, o último recurso disponível para a contratação de professores.

Até às 19h40, os diretores já tinham publicado hoje cerca de 560 horários, muitos dos quais ficaram por preencher na segunda reserva de recrutamento, e, à semelhança da semana anterior, é nas zonas de Lisboa, Setúbal e Algarve que parecer ser mais difícil contratar.

De acordo com a análise feita por Arlindo Ferreira, foram pedidos 220 horários para escolas em Lisboa, 103 em Setúbal e 59 em Faro.

Entre os horários colocados hoje a concurso, a maioria é para Português do 3.º ciclo e secundário (61) e pré-escolar (55), o que mostra que as dificuldades em encontrar professores para Informática são cada vez menores, explicou o diretor do Agrupamento de Escolas Cego do Maio, Póvoa de Varzim.

A propósito da segunda reserva de recrutamento, Arlindo Ferreira sublinhou ainda que, nesta fase, há 135 professores vinculados em quadros de zona pedagógica sem colocação, a maioria de Educação Física (29) e Biologia e Geologia (24) e do quadro de zona pedagógica 1, que abrange o litoral norte.

Por outro lado, a maioria dos professores de quadro que conseguiram um lugar, em resultado da reserva desta semana, foram colocados em horários temporários, uma situação que o diretor escolar diz ser pouco frequente, mas que poderá estar relacionada com o elevado número de professores que entraram nos quadros do Ministério da Educação este ano, através do novo mecanismo de vinculação dinâmica.

A falta de professores nas escolas, provocada em parte pelo envelhecimento da classe e pela pouca atratividade da profissão entre os mais jovens, levou o Governo a permitir às escolas que selecionassem docentes detentores de cursos reconhecidos como habilitação própria para a docência.

No entanto, para Arlindo Ferreira, o problema, que já se tornou habitual a cada arranque de ano letivo, é agora mais grave e os números registados a poucos dias do regresso às aulas são "muito elevados comparativamente a anos anteriores".

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  • Cidadao
    09 set, 2023 Lisboa 09:47
    Só um iludido pela propaganda do governo, poderia pensar que com as "sábias" medidas do ministro, e como que por "artes mágicas", tudo iria correr bem. Primeiro, o facto da Vinculação dinâmica ser rejeitada pela classe docente e apenas existir pela força bruta duma Maioria Absoluta, quer dizer muitas coisas, entre elas que "reformas" sem o apoio das pessoas, estão condenadas ao fracasso. Depois, os professores que vincularam, já estavam há mais de 20 anos no sistema: desenganem-se aqueles que pensaram que vincularam novos professores. São os mesmos que já existiam e davam aulas como contratados. E depois, ministro, CONFAP, António Costa e a multidão de servos e comentadores que gravitam à volta deles, podem vir com as conversas que quiserem mas aqui o problema é que nas condições atuais e com os salários que existem os poucos que ainda vão entrando, não compensam os muitos que saem, pois a profissão de professor não é atrativa nem compensadora: aturar hordas de alunos indisciplinados e violentos verbal e fisicamente, sem qualquer vontade de aprender, aturar EE com postura anti-professor, aturar Diretores esclavagistas a exigir muito para além do exigível e colegas lambe-botas em busca de bons horários e melhores avaliações, montes de burocracia e tudo isto por um salário miserável no inicio de carreira e onde progredir é cada vez mais difícil, sem falar na hostilidade do governo e reconhecimento Social ZERO... Quem irá para professor? Eu não!

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