Emissão Renascença | Ouvir Online
A+ / A-

FNAM

"Perda de direitos e prejuízo para o serviço". Médicos criticam proposta para financiar SNS

28 ago, 2023 - 13:31 • Lusa

Presidente da FNAM reage à entrevista do Secretário de Estado da Saúde e critica a visão "centralizada" dos cuidados médicos nos hospitais.

A+ / A-

A Federação Nacional dos Médicos considerou esta segunda-feira que as Unidades Locais de Saúde (ULS) propostas pelo Governo assentam numa visão "muito hospitalocêntrica", defendendo que o único objetivo é poupar dinheiro, com prejuízo dos serviços.

"Algumas já existem e nem sequer funcionam bem", disse à agência Lusa a presidente da FNAM, Joana Bordalo e Sá, ao comentar a entrevista ao Público do secretário de Estado da Saúde, Ricardo Mestre.

"Os cuidados de saúde primários não têm de estar na dependência de um hospital. A população precisa de ter médicos de família e cuidados hospitalares quando são necessários", referiu.

O secretário de Estado assumiu, na entrevista, que o objetivo é ter o país coberto por estas unidades a partir de janeiro, integrando os hospitais e os centros de saúde numa mesma instituição e direção, com financiamento definido em função do risco clínico. O modelo subdivide a população em três subgrupos: saudáveis, doentes crónicos e casos complexos.

"A entrevista do economista secretário de Estado não traz nada de novo para os médicos e para o Serviço Nacional de Saúde", afirmou a dirigente sindical, para quem as propostas do Ministério da Saúde são "medidas economicistas".

"Parece que nos vão tentar impor algo que não serve os médicos de família", antecipou, referindo-se às Unidades de Saúde Familiar (USF).

De acordo com Joana Bordalo e Sá, falar num aumento salarial de 30% para os médicos "não é verdade". O que está em cima da mesa, garantiu, é "um aumento médio de 1,6%".

"A dedicação plena só vai servir alguns médicos", explicou, criticando igualmente eventuais compensações através da atribuição de suplementos: "Os médicos querem um aumento no salário base".

"Aumentar a jornada de trabalho para nove horas é algo de medieval", criticou a médica, indicando que as propostas do Governo preveem também que os médicos passem a trabalhar ao sábado, dentro da atividade programada, no horário normal. "Dizem que há aumento de um suplemento, mas é com perda de direitos para os médicos e prejuízo para o serviço".

O secretário de Estado garantiu, na entrevista ao diário, que o orçamento da saúde vai ser o maior de sempre no próximo ano. Este ano, nas contas apresentadas pelo governante, há 14 mil milhões de euros de despesa aprovada.

Segundo a FNAM, apenas foram executados 10% do OE da saúde este ano.

"Tem de haver fundos para pagar aos profissionais. Sem recursos humanos fixos não é possível termos um SNS em condições", declarou, garantindo que os médicos vão continuar em luta.

Saiba Mais
Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.

Destaques V+