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Falta de efetivos nas Forças Armadas

Recrutar estrangeiros para as Forças Armadas é ideia "estapafúrdia" e "sem sentido"

25 ago, 2023 - 14:55 • João Pedro Quesado , Hugo Monteiro

Os presidentes das associações de oficiais e de praças declaram à Renascença que ideia é inconstitucional e salientam que é preciso resolver os salários baixos e a carreira. Segundo o Expresso, o PS pode estar aberto a equacionar o recrutamento de estrangeiros.

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Os oficiais e praças estão contra a recrutamento de estrangeiros para as Forças Armadas, na sequência de uma notícia avançada esta sexta-feira pelo jornal Expresso. As associações representantes dos militares consideram que esta alteração vai contra a Constituição e obriga ainda a uma mudança de lei.

Em declarações à Renascença, o presidente da Associação de Oficiais das Forças Armadas (AOFA) alerta para a inconstitucionalidade da ideia, que considera "estapafúrdia" e demonstrativa da falta de vontade de "resolver o problema" dos baixos salários.

"A Constituição é clara e a lei é clara. Para ser militar português tem de ter-se nacionalidade portuguesa", declara o tenente-coronel António Mota, explicando que "ou alteram a lei e dizem que qualquer cidadão do mundo pode ser militar das Forças Armadas portuguesas - porque em nenhum país do mundo há militares nas forças armadas que não tenham a nacionalidade do país -, ou se fabricam portugueses”.

O representante dos oficiais das Forças Armadas afirma que, "como não querem resolver o problema, vão à procura de pessoas que se sujeitem a trabalhar por pouco dinheiro". Algo que qualifica como "quase escravatura", relatando que "os militares das Forças Armadas ganham o ordenado mínimo”.

O tenente-coronel António Mota explica ainda que não vê "um estrangeiro a dar a vida por um país que não é o dele”, já que "ser militar português não é propriamente uma profissão". "Nós juramos defender a soberania nacional", acrescenta, "se necessário com sacrifício da própria vida".

"Não faz sentido nenhum", dizem praças

A ideia também é criticada pelo presidente da Associação de Praças, que diz à Renascença que ponderar a integração de estrangeiros "não faz sentido nenhum".

"Chamar cidadãos estrangeiros, sejam eles dos PALOP ou de outra nacionalidade, não melhorando os salários que temos na base e não melhorando as carreiras que temos nas praças, "estamos a chamas cidadãos estrangeiros para vir prestar serviço nas Forças Armadas de uma forma precária", aponta o cabo Paulo Amaral.

"Temos trabalhadores em uniformes precários, a trabalhar muito, a ganhar pouco e com as missões a serem cada vez mais. Não é com esta medida que se irá resolver esta questão da falta de recrutamento e retenção nas Forças Armadas”, acrescenta o presidente da Associação de Praças.

O semanário Expresso noticia, esta sexta-feira, que o Partido Socialista está "aberto a reflexão" sobre o recrutamento de estrangeiros como forma de combater a escassez de efetivos nas Forças Armadas - à semelhança de Reino Unido, Espanha e Dinamarca. A ministra da Defesa, diz o jornal, não quer equacionar a medida.

Apesar de estar em curso, na Assembleia da República, um processo de revisão constitucional, não foi entregue nenhuma proposta de revisão sobre a composição das Forças Armadas. O processo vai entrar em fase de votações em setembro - o que significa que já não é possível entregar novas propostas.

Comentários
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  • Paulo
    30 ago, 2023 Beja 14:03
    Como disse o presidente da assoçiação de oficiais "Só se forem pessoas oriundas do Bangladesh ou de paises em que os vencimentos são extremamente baixos". Mas acredito que até esses quando se depararem com serviços de 24 Horas continuos e areceberem vencimentos de 8 horas após se profissionalizarem também se vão embora. Neste momento as Forças Armadas são uma espécie de Universidade em que quando os alunos (Militares) tiverem as qualificações desejadas no mercado de trabalho se vão embora por receberem 4 a 5 vezes mais.
  • Cidadao
    25 ago, 2023 Lisboa 19:25
    A Soberania não se cede. Estrangeiros - ou "portugueses de aviário" feitos à pressa por naturalização à pressão - não podem integrar Forças Armadas que só não têm efetivos, porque os salários são miseráveis, as condições de alojamento roçam o indigno, e as carreiras estão estagnadas e sem futuro. O PS quer fazer das Forças Armadas o mesmo que os esclavagistas da mão-de-obra ao preço da chuva querem: enfiar lá estrangeirada, se possível a ganhar abaixo do salário mínimo e acenando com uma "naturalização à pressão". A diferença é que estes teriam acesso a armas de guerra e os outros explorados, não. Melhorar condições e salários, nem pensar: isso custa dinheiro e depois como é que o Costa ia apresentar os bons números que precisa para obter um grande Tacho em Bruxelas? Espero que o "promulgo, mas" de Belém que até é o Camandante-em-chefe das Forças Armadas, acabe com esta ideia peregrina e de início, de preferência.
  • ze
    25 ago, 2023 aldeia 16:29
    Ao que este país chegou!......será que ainda iremos ouvir que "alguém" com poder e muito dinheiro possa a vir constituir um exercito mercenário como o wagner na russia? estes politicos tem de valorizar a carreira militar,e com vencimentos dignos e atractivos e a possibilidade de ascenção na carreira militar, e o probl4ema resolvia-se.

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