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Ministro surpreendido com greve de professores enquanto decorrem negociações

16 dez, 2022 - 14:10 • Lusa

Governo está de boa-fé nas conversações com os docentes, diz o ministro João Costa.

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O ministro da Educação, João Costa, mostrou-se hoje surpreendido com a greve de professores em curso, argumentando que estão a decorrer negociações com os sindicatos, nas quais o executivo está de boa-fé.

Em declarações aos jornalistas após ter sido vaiado por dezenas de professores ao chegar à Escola Secundaria Marques de Castilho, em Águeda, distrito de Aveiro, o governante referiu-se a uma "guerra de sindicatos" para alegar que os representantes dos professores não estão todos unidos nos protestos.

Referindo-se à greve em curso desde 9 de dezembro, convocada pelo Sindicato de Todos os Professores (S.TO.P.), o ministro acusou o dirigente sindical André Pestana de mentir, garantindo que não há qualquer processo de municipalização da contratação de professores.

"Isso é falso. O líder do sindicato que convoca esta greve sabe que é falso. Já lhe foi dito olhos nos olhos que é falso, mas ele insiste em mentir e por isso só podemos repudiar uma campanha assente na mentira, na desinformação e na manipulação da opinião dos professores", afirmou o ministro, garantindo que a antiguidade dos professores vai ser o critério no modelo que está a ser negociado com os sindicatos para a vinculação dos professores.

O governante mostrou-se surpreendido com a greve dos professores que está a decorrer, tendo em conta que está em curso um processo negocial em que o Ministério da Educação apresentou "alguns objetivos concretos", que, no seu entender, não vão contra aquele que é o desejo de grande parte dos professores.

Uma das propostas em cima da mesa passa pela abertura de "mais e muitos" lugares de quadros de escola, por forma a "dar estabilidade aos professores em quadros de escola por oposição aos quadros de zona pedagógica, que obrigam os professores a deslocarem-se por vezes em distâncias superiores a 200 quilómetros".

O ministro referiu ainda que o Governo pretende avançar com uma "redução significativa das distâncias em que os professores têm de se deslocar e reduzir a precariedade dos professores, propondo em 2023 vincular mais cinco mil professores contratados.

"Respeito sempre o direito à greve e à manifestação. Tenho a maior estima e respeito pelos professores, mas sobretudo tenho também um grande respeito pela concertação social séria e pela negociação sindical que está em curso", concluiu.

Durante a visita à escola, o ministro parou várias vezes para falar com os alunos e foi ainda interpelado por uma das funcionárias mais antigas do estabelecimento que se queixou de estar a receber o ordenado mínimo, ao fim de 34 anos de serviço.

O S.TO.P anunciou na quinta-feira ter convocado greve para todo o mês de janeiro, como forma de protesto pelas últimas decisões do Governo, nomeadamente a transferência da Educação para as Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR).

O despacho do Conselho de Ministros n.º 123/2022, publicado na quarta-feira, determina a transferência, a partilha e a articulação das atribuições dos serviços periféricos da administração direta e indireta do Estado nas comissões de coordenação e desenvolvimento regional.

"Os professores de uma forma clara têm demonstrado com esta luta que não querem, de facto, passar a depender de agradar com perfis ou outros métodos ou critérios subjetivos, e por isso, claramente, queremos manter a graduação profissional como o único critério para a colocação, de uma forma transparente, com uma lista em que qualquer pessoa pode verificar se houve ou não houve ultrapassagens indevidas", disse André Pestana na quinta-feira.

Para sábado, está convocada uma manifestação nacional na Praça Marquês de Pombal, em Lisboa, e nessa altura os professores vão discutir a sua suspensão ou continuidade da greve.

Também na quinta-feira, outros oito sindicatos de professores ameaçaram convocar uma greve de 18 dias, por distritos, no início do 2.º período letivo se o Ministério não recuar em algumas das propostas para a revisão do modelo de recrutamento e mobilidade. .

Os oito sindicatos (Fenprof, ASPL, Pró-Ordem, SEPLEU, SINAPE, SINDEP, SIPE e SPLIU) exigem que até ao dia 10 de janeiro João Costa recue em algumas das propostas que apresentou no âmbito da negociação da revisão do modelo de recrutamento e mobilidade, e que inicie novos processos negociais sobre outros temas.

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  • O sabor
    17 dez, 2022 Da derrota 18:04
    A manifestação de hoje convocada pelo STOP, onde partidos não entram, deve ter posto os cabelos em pé ao João costa. Ao João e ao Mário Derrotado Nogueira. Esse, se tivesse vergonha já tinha saído à que tempos. Só conhece o sabor da derrota de há 10 anos para cá...
  • Dentes
    16 dez, 2022 Para isto 15:53
    O ministro vê a classe docente a erguer-se contra ele, e tirou do saco o pacote de truques habituais para estas ocasiões: a vitimização, a tentativa mal disfarçada de por as estruturas sindicais umas contra as outras e não contra ele, a desvalorização da greve, e o chorrilho de meias-verdade e completas mentiras da habitual campanha de desinformação. que aparece sempre que um ministro ou o governo inteiro, está em apuros. Se as coisas fossem como ele as apregoa, porque razão os professores preferiram perder uma ou duas semanas de salário, fora as semanas que estão para vir em Janeiro? E porque é que a plataforma sindical, conhecida pelos sindicatos do sistema, vendo-se ultrapassada pelo STOP e vendo os seus associados a fazerem greve pelo STOP, já veio a terreiro falar em lutar, embora com as medidas frouxas habituais? Mas o ministro tem bom remédio para isto: publique as atas das reuniões com o STOP e as outras estruturas sindicais. Obviamente sem cortes nem truncagens. Logo se vê quem está de boa-fé e quem mente com quantos dentes tem.
  • Dividir para reinar
    16 dez, 2022 ministro, Rua! 15:23
    O ministro que publique as atas das reuniões, sem cortes nem rasuras, que ver-se-à logo quem é que está a mentir aqui. E se há boa-fé, ou uma farsa de negociações em que a matéria a negociar já está a ser enviada para publicação de DR, enquanto está a ser "negociada".
  • Vê-se logo
    16 dez, 2022 Que estás à rasca 15:18
    A velha tática de "dividir, para reinar". O ministro tenta desvalorizar uma greve que lhe está a por os cabelos em pé, e lançar as estruturas sindicais umas contra as outras. Mas está de tanta boa-fé nas negociações, que já efetuou a transferência da Educação para as Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR), isto enquanto decorre o dito "processo negocial". E nunca apresentou propostas de que o 1.º critério de colocação, seria a graduação profissional dos professores, caso contrario, para que acabariam os quadro de Escola/agrupamento e QZP, e se criava o tal colégio de diretores, uma vez que existe uma graduação profissional? E além do STOP, também os Sindicatos do Sistema, parecem ter acordado para a vida, embora venham com o velho guião - abaixo-assinados, cordões humanos, manifs, vigílias e greves de 1 dia por distrito que todas somadas dão os tais 18 dias, mas são greves de 1 dia - que já mostrou ser ineficaz. Por outras palavras, se alguém mente aqui, é o ministro. E o governo está tudo, menos de boa-fé. Mas desta vez vai ter luta que não é "fofinha".

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