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Sindicatos convocam manifestação de professores para 4 de março

05 dez, 2022 - 14:26 • Lusa

Um dos motivos é o processo negocial em curso sobre o regime de recrutamento e mobilidade de professores, explica a Fenprof.

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O secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (Fenprof) anunciou hoje a realização de uma manifestação em Lisboa, convocada para o dia 4 de março por oito estruturas sindicais.

O protesto, que se realiza a um sábado, e que Mário Nogueira espera reunir milhares de professores à semelhança da manifestação de 2008, foi convocado pela Fenprof, a ASPL, a Pró-Ordem, o SEPLEU, SINAPE, SINDEP, SIPE e SPLIU.

Em conferência de imprensa, na Escola Secundária de Camões, em Lisboa, o secretário-geral da Fenprof explicou que um dos motivos é o processo negocial em curso sobre o regime de recrutamento e mobilidade de professores, que será retomado a partir do início do próximo ano, mas não é o único e, por isso, a manifestação irá manter-se independentemente da forma como decorrerem as próximas reuniões com o Ministério da Educação.

"A grande manifestação não será uma manifestação por causa dos concursos, do salário, ou por causa de um assunto concreto. Terá um grande lema", afirmou, sublinhando que "a profissão de professor tem de ser uma profissão com futuro e para isso tem de ser atrativa, dar estabilidade e ser valorizada".

Além do regime de recrutamento, Mário Nogueira referiu questões salariais, a contabilização do tempo de serviço, as vagas no acesso aos 5.º e 7.º escalões, o envelhecimento da classe docente, a precariedade, a valorização da profissão e as recentes alterações no regime de mobilidade por doença.

"O Ministério da Educação, além dos concursos, tem de estar disponível para negociar outras matérias e sabe bem quais são, porque repetidamente as temos colocado nas reuniões e repetidamente têm sido adiadas", afirmou.

Para já, a greve não foi opção para as oito estruturas sindicais, mas Mário Nogueira não a afasta, remetendo para um momento mais adequado, e admite a possibilidade de paralisações mais prolongadas, em vez de um dia de greve nacional, mas em moldes que não prejudiquem os professores.

Defendendo que os professores não podem suspender a sua ação, o dirigente sindical considera que "não tem sentido, neste momento, entrarmos em determinado tipo de ações absolutamente radicalizadas num momento em que está suspensa a negociação".

"O tempo não é de ficar de braços caídos, mas também não é, na nossa opinião, de mergulhar no escuro e irmos fazer lutas que não se sabe como delas se sai", acrescentou, sem referir diretamente a greve por tempo indeterminado, convocada pelo Sindicato de Todos os Professores.

Além da manifestação, os sindicatos vão lançar um abaixo-assinado, em que defendem a valorização da profissão e um "regime justo de concursos", opondo-se a algumas das propostas apresentadas pelo Ministério da Educação nas reuniões negociais anteriores.

O abaixo-assinado será entregue ao ministro João Costa na próxima reunião, que ainda não foi agendada, dependendo da proposta de decreto-lei que a tutela apresentar.

Entre os dias 12 e 15 de dezembro, os sindicatos vão organizar vigílias em todo o país para os professores discutirem e aprovarem moções sobre a revisão do regime de recrutamento e mobilidade.

Ainda sem data definida, no início do segundo período e já com base na proposta do Ministério da Educação, será marcado um "dia D", com a paralisação das escolas durante a manhã "para refletir e debater" o documento e outras ações de luta.

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  • Da Fenprof
    05 dez, 2022 Nada de novo 22:53
    O líder de sempre - o desacreditado colecionador de derrotas, Mário Nogueira - a plataforma sindical de sempre - os 8 sindicatos do Regime, tudo bons rapazes - as táticas de sempre - a inofensiva manif ao sábado para não perturbar demasiado o trânsito, os abaixo-assinados pífios, as palavras de ordem do costume, a possível greve, desta vez mais que 1 dia, mas que deve ser 1 dia no Norte, outro no centro, outro no sul, o tipo de greve em que o ME esfrega as mãos com a ajuda inesperada ao Orçamento do governo - ou seja, da Fenprof, nada de novo. O governo, no intuito de desmobilizar o STOP, deve ceder à plataforma em tretas de pormenor, para que a Fenprof possa "cantar vitória", mas aposto que as questões importantes ficarão todas por satisfazer. Um dia "normal no escritório". Graças, por haver um Sindicato que ainda luta - o STOP.
  • Ex-professor
    05 dez, 2022 5 de out 15:03
    A dita "plataforma sindical" e mais o eterno porta-voz Mário Nogueira que já colecionou tantas derrotas que nem se percebe bem como é que ainda lá está, continua a pensar em termos de lutas "fofinhas" apenas para fazer prova de vida e impedir o êxodo de associados que pagam quotas. Estão fartos de saber que o ME sorri à ideia de manifestações, ri-se com greves de 1 dia de três em três meses, e o mais que é proposto na notícia, o ME pode muito bem com ele. Nogueira e a plataforma Sindical, percebem que os professores fartos de promessas e de perder sistematicamente para o ME, começam a olhar mais para o Sindicato STOP que o PCP e o PS não controlam, e receiam que o controle dos protestos lhes fuja das mãos, assim como milhares de associados. É por isso que sem o dizer abertamente, tenta entre dentes menosprezar a Greve que o STOP se prepara para lançar, que pode ou não ter êxito, como todas as lutas sindicais, mas ao menos é uma luta a sério, e não as fantochadas sistematicamente derrotadas, dos Sindicatos do Regime, como as que eles veem propor para 4 de Março. A greve do STOP pode ou não resultar, vai depender muito da adesão dos professores. Mas com ela vê-se luta, e não uma "agenda partidária" com protestos de aviário só para dar a ideia de que se está a fazer alguma coisa.

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