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Greve na CP e IP suprimiu 701 comboios até às 18h00 desta quarta-feira

30 nov, 2022 - 19:21 • Lusa

Entre as 00h00 e as 18h00, apenas se realizaram 237 viagens de comboio. Federação dos Sindicatos dos Transportes e Comunicações reivindica um "aumento dos salários que não pode continuar a ser ignorado pelo Governo".

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A greve dos trabalhadores da CP - Comboios de Portugal e da Infraestruturas de Portugal (IP) levou à supressão de 701 comboios da CP entre as 00h00 e as 18h00 de hoje, indicou à Lusa fonte oficial da transportadora.

Assim, no período 0h00-18h00, realizaram-se 237 comboios, que são "o total de serviços mínimos previstos até esta hora", referiu, indicando que "até ao momento, foram cumpridos na totalidade".

"Estavam programados 938 comboios" para hoje, ou seja, foram suprimidos 701. De acordo com a mesma fonte, foram realizados 14 comboios de longo curso, 58 regionais, 114 urbanos de Lisboa e 51 urbanos do Porto.

Num comunicado hoje divulgado, a Fectrans (Federação dos Sindicatos dos Transportes e Comunicações) recordou que os trabalhadores das empresas do grupo IP "estão hoje em greve, da qual resulta um forte impacto na circulação ferroviária de transporte de passageiros e de mercadorias".

"É uma greve que demonstra o enorme descontentamento dos trabalhadores, que assim dão força à reivindicação sindical de aumento dos salários, que não pode continuar a ser ignorada pelo Governo", referiu a entidade.

De acordo com a Fectrans, "no dia de hoje, a circulação ferroviária ficou reduzida aos serviços mínimos e nalguns casos nem esses foram realizados na totalidade, o que demonstra a enorme adesão, superior a 80%, o que origina que nos painéis de informação, ao longo do dia, a palavra mais lida seja 'suprimido'".

"Da parte da Fectrans e seu sindicato no setor, o SNTSF, tudo iremos fazer, nos próximos dias, para privilegiar a solução do conflito através da negociação, que não se fará só com uma parte, é preciso que o Governo/administrações demonstrem vontade, a começar já no dia 5 na reunião com o presidente da CP", referiu na mesma nota.

A CP informou num comunicado divulgado na terça-feira que, devido a greve convocada por organizações representativas dos trabalhadores, preveem-se hoje perturbações na circulação de comboios a nível nacional.

A CP adiantou que foram "definidos os serviços mínimos que se podem consultar" no 'site' da empresa e que "aos clientes que já tenham bilhetes adquiridos para viajar em comboios dos serviços Alfa Pendular, Intercidades, Internacional, InterRegional e Regional, será permitido o reembolso, no valor total do bilhete adquirido, ou a sua revalidação gratuita para outro comboio da mesma categoria e na mesma classe".

Também a Fertagus, que liga Lisboa e Setúbal por comboio, "prevê poder realizar 25% da sua oferta normal de dia útil" hoje, devido à greve na IP, entidade gestora da circulação ferroviária.

Numa nota divulgada no seu site, a transportadora - que explora esta linha ferroviária, com passagem pela Ponte 25 de Abril, mediante o pagamento de uma taxa de utilização à IP - disponibiliza os horários previstos para o dia da paralisação, no âmbito da qual "foi decretada a realização de serviços mínimos".

A Fertagus sublinhou que o cumprimento destes horários está dependente dos efeitos da greve e aconselha aos utentes utilizar um transporte alternativo sempre que possível.

Também a IP alertou, numa informação divulgada no seu 'site', que "poderão verificar-se, ao longo do dia, perturbações na circulação ferroviária".

Os trabalhadores da CP cumprem hoje uma greve de 24 horas, em conjunto com os trabalhadores da IP, reivindicando um prémio financeiro para mitigar os efeitos da inflação e o cumprimento do Acordo de Empresa.

Segundo o Sindicato Nacional dos Trabalhadores do Setor Ferroviário, afeto à Federação dos Sindicatos dos Transportes e Comunicações, a greve deve-se à "falta de respostas da administração/Governo, que não têm em conta a realidade de uma brutal desvalorização dos salários".

De acordo com uma ata disponível no 'site' da DGERT - Direção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho, os sindicatos e a CP chegaram a acordo para o cumprimento de serviços mínimos de 25%.

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