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TAP. Sindicato com "total abertura" para rever acordo de empresa e corrigir desigualdades

20 out, 2022 - 19:42 • Lusa

O Sitema admitiu ver "com alguma estranheza as declarações do ministro, nomeadamente quando refere que devolver os cortes nos vencimentos dos trabalhadores é aumentar o prejuízo".

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O Sindicato dos Técnicos de Manutenção de Aeronaves (Sitema) disse hoje à Lusa ter "total abertura para rever" o Acordo de Empresa (AE) da TAP e corrigir desigualdades, que diz serem "cada vez maiores".

"Por parte do Sitema, há total abertura para rever o AE e corrigir as desigualdades que são cada vez maiores no que diz respeito à situação dos TMA [técnicos de manutenção de aeronaves]", afirmou a direção do sindicato, em resposta escrita à agência Lusa.

Esta posição surge na sequência das declarações do ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, que disse, na quarta-feira, que o fim dos cortes salariais aplicados a trabalhadores da TAP, no âmbito da reestruturação, pode ser antecipado pela substituição por novos acordos de empresa, ou quando a companhia der lucro.

"Os trabalhadores continuam a ser os mais prejudicados? É a mais pura das verdades. Estão a trabalhar muito e têm corte salarial muito significativo num momento particularmente difícil e nenhum de nós ousa escamotear isso. A questão é que nós estamos com uma empresa que esteve à beira de fechar, está a recuperar mais rapidamente, mas ainda dá prejuízo, aumentar os custos laborais é aumentar o prejuízo", começou por explicar o ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, que foi ouvido no parlamento, sobre a privatização da TAP.

O governante respondia a questões das deputadas Paula Santos (PCP) e Mariana Mortágua (BE) sobre os cortes salariais que continuam a ser aplicados a trabalhadores da TAP, apesar de a empresa estar a recuperar mais rápido do que o previsto.

"Há outra via que os sindicatos conhecem" que é "conseguirmos fazer a revisão dos acordos de empresa e substituirmos os acordos de empresa. [...] O seu fim [dos cortes] pode ser antecipado pela substituição por novos acordos de empresa, ou então quando a TAP conseguir dar resultado positivo e possamos ter margem para iniciar a reposição dos cortes", prosseguiu o ministro.

Questionado pela Lusa, o Sitema admitiu ver "com alguma estranheza as declarações do ministro, nomeadamente quando refere que devolver os cortes nos vencimentos dos trabalhadores é aumentar o prejuízo".

"Será que o valor do nosso trabalho é, no entender do senhor ministro, um mero prejuízo? Ou será antes a justa, que cada vez mais é injusta, forma de qualquer empresa pagar uma parte do lucro que obtém precisamente com o valor do trabalho de cada um dos seus empregados? Cada vez ficamos mais espantados com o que se vai passando e vivendo na TAP e em seu redor", respondeu a direção do Sitema.

O sindicato acusou a TAP de viver "uma realidade totalmente desfasada do mercado", no que diz respeito aos salários dos técnicos de manutenção, que tem levado à "constante saída" para empresas concorrentes.

Neste sentido, o Sitema considerou urgente renegociar um AE "que se adapte à realidade e ao mercado, pagando um justo valor a um técnico de manutenção de aeronaves, reconhecendo a sua responsabilidade, formação e valor aportado à empresa".

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